Novas informações colocam André Mendonça no centro da crise do STF

Ministro André Mendonça durante sessão do Supremo Tribunal Federal em meio aos desdobramentos do caso Banco Master.
Foto: Reprodução/Vermelho

TaguaCei — O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça passou a enfrentar novos questionamentos no contexto da crise envolvendo o Banco Master. Uma reportagem do UOL revelou que o Instituto Iter, cofundado por Mendonça, recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, empresa do empresário Lucas Kallas, que manteve relações empresariais com Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco. A revelação ocorre enquanto o STF discute a atuação de Mendonça no caso e depois de uma série de episódios envolvendo outros integrantes da Corte.

O episódio amplia uma crise que já havia levado o Supremo a analisar informações extraídas do celular de Vorcaro e possíveis relações dele com integrantes da Corte. O próprio Mendonça havia determinado o aprofundamento da análise do material, que posteriormente resultou em um relatório da Polícia Federal com referências a autoridades. O STF chegou a realizar sessão extraordinária para discutir o documento e os desdobramentos relacionados ao ministro Alexandre de Moraes. STF inicia julgamento sobre Moraes em sessão histórica

Segundo o UOL, o dinheiro destinado ao Iter foi formalizado por meio de um contrato de mútuo conversível. O acordo foi firmado em 2024 e previa um valor total de até R$ 5,9 milhões. A instituição informou que o contrato foi encerrado no início de 2026 e que começou a devolver os recursos em janeiro, antes de Mendonça ser sorteado, em fevereiro, para relatar as investigações relacionadas ao Banco Master.

A reportagem também aponta que os recursos foram utilizados para financiar os custos iniciais do instituto. O CEO do Iter, Victor Godoy, afirmou que o dinheiro foi empregado na estruturação e nas despesas operacionais da instituição. A Cedro, por sua vez, apresentou o aporte como uma operação relacionada à entrada no setor educacional.

Mendonça já vinha sendo questionado

A nova informação se soma a outros episódios envolvendo o ministro nas últimas semanas. No início de setembro, Mendonça deixou a sociedade do Instituto Iter juntamente com a esposa. A saída ocorreu depois da divulgação de informações sobre relações do instituto com empresários e entidades privadas.

Naquele período, também vieram a público questionamentos relacionados à presença de Vorcaro no instituto e a contratos firmados pela instituição. Entre os episódios que passaram a ser acompanhados está a atuação de Mendonça em decisões envolvendo a Polícia Federal e o caso Master.

O TaguaCei já havia registrado que <Mendonça pediu informações à PGR sobre mensagem atribuída a Vorcaro e Moraes> após a identificação de uma mensagem atribuída ao banqueiro durante as investigações.

Dias depois, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. As decisões provocaram novos conflitos internos no STF e posteriormente foram alvo de medidas de outros ministros. André Mendonça afasta diretor-geral da PF

O presidente do STF, Edson Fachin, chegou a suspender decisões conflitantes de Mendonça e Flávio Dino relacionadas aos dirigentes da PF. Fachin suspende decisões de Mendonça e Dino sobre diretores da PF

Gilmar amplia críticas

A tensão entre Mendonça e outros ministros também aumentou nesta semana. Na quinta-feira (17), Gilmar Mendes criticou publicamente a atuação do colega e o chamou de “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral”. As declarações ocorreram após Gilmar defender o procurador-geral da República, Paulo Gonet, citado no relatório relacionado ao caso Master.

O episódio foi registrado pelo TaguaCei em reportagem sobre as críticas de Gilmar e sua comparação entre a divulgação de informações do caso Master e procedimentos que, segundo ele, ocorreram durante a Operação Lava Jato. A avaliação sobre eventual motivação política, entretanto, é uma interpretação apresentada pelo próprio ministro. Gilmar Mendes defende Gonet, critica Mendonça e compara caso Master à Lava Jato

Mendonça também é alvo de um procedimento que questiona sua atuação na condução do caso Master. O pedido envolve alegações sobre possíveis irregularidades e deverá ser analisado pelo próprio STF. O julgamento que estava previsto para 23 de setembro foi retirado da pauta por Fachin e ainda não recebeu nova data.

Julgamento foi retirado da pauta

A retirada do processo da pauta ocorreu depois de uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes durante a sessão que discutiu a possibilidade de investigação sobre Moraes. O ministro defendeu que fossem identificados outros magistrados eventualmente mencionados nas investigações relacionadas ao Banco Master e que apresentassem indícios de recebimento indevido de valores.

A discussão ocorre em paralelo ao procedimento que envolve Moraes. Em setembro, o STF passou a analisar se as informações obtidas a partir do material relacionado a Vorcaro poderiam fundamentar uma investigação contra o ministro. STF analisa relatório da PF e pode definir abertura de investigação sobre Alexandre de Moraes

O ambiente no tribunal também foi marcado por manifestações de ministros que decidiram não participar de determinadas análises relacionadas ao caso. Dias Toffoli, por exemplo, declarou-se suspeito por motivo de foro íntimo no julgamento envolvendo Moraes. Toffoli se declara suspeito e fica fora de julgamento sobre Moraes

Caso Master amplia pressão sobre o Supremo

As novas informações sobre o Instituto Iter acrescentam mais um capítulo à crise que se desenvolve no STF desde o início de setembro. O caso passou a envolver questionamentos sobre diferentes ministros, além de disputas internas sobre a forma de condução das investigações.

Em outra frente, o TaguaCei mostrou que o debate sobre o caso também alcançou relações entre integrantes do Supremo e pessoas ligadas a Vorcaro, além de discussões sobre regras de conduta para os ministros. Crise interna no STF aumenta tensão sobre caso Master e proposta de código de ética

Até o momento, a existência de contrato entre o Instituto Iter e a empresa de Lucas Kallas não constitui, por si só, prova de irregularidade por parte de Mendonça. Os questionamentos sobre eventual conflito de interesses e sobre a condução do processo ainda estão sujeitos à análise das autoridades competentes.

Fonte: Vermelho

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