O Brasil se declarou um país livre de gripe aviária na tarde da última quarta-feira (18), após ficar 28 dias sem registrar novos casos em granjas, informou o Ministério da Agricultura.
A notícia representou um alívio para os produtores brasileiros de frango, que poderão retomar a exportação para países que restringiram a compra no último mês. O Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo.
O anúncio não impactou, no entanto, a situação do Zoológico de Brasília – que segue fechado por tempo indeterminado após registrar dois casos do vírus H5N1 em aves silvestres.
Mas… Se o Brasil é um “país livre da gripe aviária”, por que o Zoológico não reabre?
O g1 explica pra você no texto abaixo, em cinco perguntas:
Qual o status da gripe aviária no Brasil?
Segundo a subsecretária de Defesa Agropecuária do Distrito Federal, Danielle Cristina Kalkmann Araújo, embora seja “novidade” no Brasil, o aumento dos casos de gripe aviária é realidade em outros países já há alguns anos.
O problema é que o vírus também infecta aves migratórias – incluindo aquelas que cruzam entre o Hemisfério Norte e o Hemisfério Sul, ano após ano, para fugir do frio. Ao migrar, os bandos acabam espalhando a doença.
“Os Estados Unidos vêm passando por uma situação muito complicada há algum tempo. Há casos no Chile, em outros países da América do Sul, e o Brasil até agora vinha escapando”, explica Danielle.
O Brasil chegou a registrar alguns poucos casos de infecção confirmada desde 2023 – mas sempre no litoral, por onde as aves migratórias costumam passar, e nunca em uma granja comercial.
Em 2025, o cenário mudou: houve casos em Minas Gerais, no DF, no Mato Grosso… e em uma granja comercial de Montenegro (RS), em maio.
“A nossa maior preocupação é sempre com a avicultura comercial, com os embargos que o Brasil sofreu. O DF também é um grande exportador de aves. Então, todas as ações de controle são para evitar que casos em aves silvestres gerem casos em aves de subsistência ou no plantel comercial”, diz Danielle.
- 🦚 as aves silvestres são os pássaros nativos ou migratórios, de vida livre ou criadouro, que não são criados com uso comercial (para gerar carne, ovos ou penas, por exemplo);
- 🐓as aves de subsistência são aquelas criadas em pequena escala, para alimentar a própria família do criador ou para vender na feira da cidade;
- 🦃 as aves comerciais são aquelas produzidas em granjas de grande porte, que enviam a produção para outras cidades, para outros estados ou para fora do país.
O que houve no Zoo de Brasília?
O zoológico de Brasília registrou duas mortes de aves pelo H5N1
- um irerê (espécie migratória de pato), detectado em 28 de maio e confirmado em 3 de junho;
- um emu (espécie de ema da Austrália), detectado no dia 12 e confirmado em laudo no dia 16.
Um pombo também foi encontrado morto na área do parque, mas a suspeita de gripe foi descartada. O irerê provavelmente estava passando pela região e morreu no zoo; o emu fazia parte da “coleção” do zoológico.
“O recinto dos emus fica perto do laguinho, onde está sempre muito cheio de irerê e de outras aves. Ainda estamos investigando, mas pode ter acontecido algum contato com as aves, ou com fezes que tenham caído das aves em voo”, explica Danielle Kalkmann.
Qual é o risco gerado por esses casos?
Para os humanos, o risco é perto de zero.
As restrições que surgem quando um caso é confirmado existem para evitar a contaminação de grandes contingentes de aves – em granjas, por exemplo –, o que poderia levar a prejuízos econômicos e facilitar a criação de variantes mais perigosas da doença.
Segundo a subsecretária de Defesa Agropecuária do DF, há cerca de 200 casos de infecção humana pelo H5N1 já registrados em todo o mundo. Todos, de pessoas que têm contato próximo e constante com aves – tratadores ou veterinários, por exemplo.
Em resumo, não há nenhum risco para:
- quem visitou o Zoo em maio, antes da interdição: o prazo máximo de incubação já acabou, o que significa que não há chance de a infecção estar “dormente” até agora;
- quem consome frango ou ovos produzidos no DF: o vírus H5N1 não sobrevive à temperatura de cozimento desses produtos.
Já para quem cria frango ou outras aves em casa, a recomendação é simples:
- manter as aves em locais fechados, como galinheiros telados, para evitar o contato com eventuais aves migratórias infectadas ou os dejetos delas;
- não entrar em contato direto com aves sabidamente infectadas ou aves mortas de origem desconhecida.
Por que o Zoo ainda não foi reaberto?
Para entender o cuidado necessário com esses casos, Daniela traça o paralelo com outro vírus que acabou saindo de controle nos últimos anos: o SARS-CoV-2, responsável pela pandemia de Covid.
“Na época, nós falamos bastante da questão do isolamento. Estamos tomando ações de biossegurança para evitar o trânsito de animais, de pessoas, de veículos, porque tudo porque ser veículo para o vírus. Se você pisa em algum lugar contaminado, pode estar espalhando a contaminação para o restante do zoo — e até para fora do zoológico”, explica.
As medidas de restrição alcançaram inclusive a área externa do Zoológico e o trânsito dos próprios animais – a “permissão” para alguns bichos visitarem o recinto dos emus, por exemplo, está temporariamente suspensa.
O trabalho de desinfecção iniciado no fim de maio, com a detecção do primeiro caso, ainda não terminou. A rotina é repetida diversas vezes, até que haja uma segurança de que o risco foi eliminado.
“A gente só vai abrir quando for seguro para a população, mesmo considerando que o risco é baixo”, resume Daniela.
A decisão de quando reabrir o zoo será tomada pela Secretaria de Agricultura do DF, que abriga o Serviço Veterinário Oficial da capital.
Qual prazo o governo vai adotar até a reabertura?
O anúncio de “país livre da gripe aviária” foi possível nesta semana porque o Brasil conseguiu completar 28 dias sem um novo registro em granjas comerciais.
Mas por que 28 dias? A contagem, segundo Danielle, tem a ver com o período de incubação do H5N1 em aves comerciais – ou seja, o tempo máximo entre o contágio e o início dos sintomas.
“Esse período de 28 dias é usado porque a incubação do vírus varia de algumas horas até 14 dias. Por regra de segurança, a gente fala em dois períodos de incubação completos para garantir a liberação do local”, explica.
Esse prazo, no entanto, não necessariamente se aplica ao zoológico. Isso, porque cada espécie tem um prazo de incubação diferente para cada vírus, e essas combinações não foram mapeadas com precisão
“Hoje, no zoológico, ainda não é possível dizer quantos dias a gente vai aguardar. Ainda é muito recente, o emu é uma ave do plantel que teve contato com outras aves. Estamos acompanhando as aves do recinto, não há um prazo específico”, resume Daniella.
Com informações do G1-DF
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