A vida no planeta Terra está sob renovadas ameaças, e os países precisam se unir em defesa de todas as espécies. Esse desafio inclui a vida humana, que se encontra desvalorizada no atual cenário geopolítico, em que a banalização das guerras e de ações unilaterais faz do ataque e da morte instrumentos da política.
Em seus discursos na sessão especial da 15ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro (COP 15) de Espécies Migratórias da ONU, realizada em Campo Grande (MS) na noite de domingo (22/3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, aproveitaram o encontro para conclamar o conjunto de nações em defesa de regras de convivência e da paz.
Embora a COP 15 tenha como foco principal a defesa de espécies animais silvestres, o Governo do Brasil, anfitrião do encontro, procurou deixar claro que qualquer tema de interesse global perde sentido quando o desrespeito a leis internacionais e o recurso aos ataques militares podem ocorrer sem embaraço.
Esta COP 15 ocorre em um momento de grandes tensões geopolíticas. Ações unilaterais, atentados à soberania e execuções sumárias estão se tornando a regra. Um mundo sem regras é um mundo inseguro, onde qualquer um pode ser a próxima vítima”, afirmou Lula.
“No lugar de muros e discursos de ódio, precisamos de políticas de acolhimento e de um multilateralismo forte e renovado”, disse ainda o presidente.
No mesmo trecho do discurso, ele destacou que ao longo dos anos a ONU, promotora da COP 15, foi capaz de conduzir os países à contenção de catástrofes que se previam inevitáveis, como a destruição total da camada de ozônio ou a proliferação incontida de armas químicas e biológicas. Mas que, neste momento, a organização tem se mostrado frágil diante das novas ameaças.
“Nos seus oitenta anos, a ONU teve atuação importante nos processos de descolonização, na proibição de armas químicas e biológicas, na recomposição da camada de ozônio, na erradicação da varíola, na afirmação dos direitos humanos e no amparo aos refugiados e imigrantes”, disse, para depois sublinhar: “Mas o Conselho de Segurança tem sido omisso na busca por soluções de conflitos”.
A ministra Marina Silva, cujo discurso antecedeu o de Lula, também chamou a atenção dos representantes dos países presentes ao encontro para os perigos da conjuntura internacional. Ela destacou que as vidas de todas as espécies estão conectadas.
“Em um contexto geopolítico tão desafiador como o atual, as guerras, sejam elas bélicas ou tarifárias, minam a disposição para a cooperação e cauterizam os sentimentos de solidariedade. Mas precisamos trabalhar juntos, de mãos dadas, porque esses animais silvestres nos ensinam que, tal como a natureza não reconhece fronteiras, a cooperação e a solidariedade também têm o poder de flexibilizá-las em prol do bem comum”, disse a ministra.
“Diante de tantas incertezas, a cada dia agravadas em função de medidas unilaterais, façamos desta COP 15 um verdadeiro momento de contundente defesa do multilateralismo, a única forma de resolvermos os nossos problemas”, disse ainda Marina Silva.
Lula e Marina não fizeram menção direta a qualquer país ou dirigente nacional estrangeiro. No sábado, Lula já havia feito duro discurso contra a escalada de guerras e desrespeito a leis internacionais de proteção à soberania dos países contra ataques estrangeiros.
Medidas assinadas pelo Governo do Brasil
Para o tema específico da COP 15, o Governo Federal anunciou medidas de proteção de dois importantes biomas brasileiros — Pantanal e Cerrado — com a expansão de unidades de conservação existentes e a criação de uma nova área protegida no Norte de Minas Gerais. Ao todo, são mais de 174 mil hectares sob novas medidas de proteção ambiental, reforçando a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável em regiões estratégicas do país.
▶️Assista à cobertura da participação de Lula na COP 15:
No Pantanal mato-grossense, foram ampliadas duas UCs federais, somando 104.208 hectares adicionais. A Estação Ecológica Taiamã passa de 11.554 hectares para 68.502 hectares, com a incorporação de 56.948 hectares. Já o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense teve sua área ampliada de 135.922 hectares para 183.182 hectares, com acréscimo de 47.260 hectares.
As duas unidades são de Proteção Integral e desempenham papel fundamental na preservação de áreas alagadas de alta relevância ecológica, incluindo berçários naturais que sustentam a pesca ao longo do Rio Paraguai e habitats de espécies ameaçadas, como a onça-pintada, o tatu-canastra, a ariranha e o cervo-do-pantanal. A iniciativa também fortalece a resiliência do bioma frente à mudança climática e contribui para a manutenção dos serviços ecossistêmicos que beneficiam comunidades locais e atividades econômicas sustentáveis.
Além dos ganhos ambientais, a ampliação no Pantanal impulsiona a economia regional, com benefícios para a pesca profissional, o turismo de natureza e o aumento da arrecadação municipal por meio do ICMS ecológico, especialmente em municípios como Poconé e Cáceres. A medida também reforça ações de prevenção e combate a incêndios, com ampliação de brigadas e fortalecimento do Manejo Integrado do Fogo (MIF).
Com informações do portal Gov.br
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