Casa DF Governo do DF fala em vender dívida ativa de R$ 52 bilhões para reforçar o caixa; entenda
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Governo do DF fala em vender dívida ativa de R$ 52 bilhões para reforçar o caixa; entenda

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O governo do Distrito Federal afirmou nesta quarta-feira (22), em nota à imprensa, que quer estruturar um fundo de investimentos para securitizar a dívida ativa, estimada em cerca de R$ 52 bilhões.

Em português comum, isso significa que:

  • O DF estima ter R$ 52 bilhões em valores a receber na chamada dívida ativa: impostos, multas, transferências ou ganhos na Justiça que não foram pagos ao governo no prazo e já estão registrados como vencidos;
  • Em vez de esperar ou cobrar essas , o governo quer transferir esses direitos para o fundo de investimentos e receber o dinheiro logo – com um desconto, claro, que vai depender da modelagem do negócio.
  • Já os investidores que comprarem os títulos desse fundo passam a lucrar com a quitação e com os juros da dívida que, antes, era de responsabilidade do GDF.

Segundo o governo do DF, a operação será conduzida pelo Banco de Brasília (BRB) – banco que vive a maior crise de sua história desde as transações malsucedidas (e sob fortes suspeitas de fraudes) para tentar comprar o Banco Master.

➡️ O governo do DF é acionista controlador do BRB e, por isso, tem a “missão” de salvar o balanço patrimonial do banco.

BRB aprova aumento de capital social do banco

Como o g1 vem mostrando há meses, no entanto, as contas do próprio governo estão ruins. O Palácio do Buriti está, inclusive, impedido de recorrer à garantia da União caso decida pegar um empréstimo no mercado financeiro para repassar valores ao BRB.

➡️ Na prática, a securitização seria um socorro ao BRB em duas etapas: primeiro, o governo do DF recebe um aporte bilionário e melhora o próprio orçamento distrital. Depois, com a “casa arrumada”, ganha maior liberdade para aportar recursos no banco sem infringir a legislação fiscal, por exemplo.

“A operação será conduzida pelo Banco de Brasília (BRB) e, deve contribuir para equilibrar as contas públicas, melhorando a liquidez e permitindo a realização de investimentos imediatos”, diz a nota do governo.

Governo tenta série de medidas

Desde que a primeira fase da operação Compliance Zero revelou os indícios de fraudes em uma série de operações envolvendo o BRB e o Banco Master, em novembro de 2025, o governo do DF já elencou mais de uma dezena de possíveis medidas para restaurar o patrimônio do BRB.

Algumas das ações já foram implementadas, mas o BRB e o GDF nunca divulgaram números precisos sobre o tamanho do rombo no patrimônio do banco e quanto já foi recuperado.

Entre as medidas ainda pendentes de implementação, além da securitização da dívida, estão:

  • a criação de um fundo de investimento imobiliário, com lotes públicos do DF cedidos ao BRB, para arrecadar recursos no mercado;
  • um acordo para vender, ao grupo Quadra Capital, cerca de R$ 15 bilhões em ativos de boa qualidade do Banco Master;
  • a tomada de um empréstimo de pelo menos R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) pelo governo do DF – dinheiro que seria repassado ao BRB;
  • a cobrança, na Justiça, do ressarcimento dos créditos podres que o BRB comprou do Banco Master – transações investigadas por haver fortes indícios de fraude;
  • a emissão de até R$ 8,8 bilhões em novas ações ordinárias e preferenciais na Bolsa de Valores – já aprovada pela assembleia de acionistas do BRB, mas ainda sem data.

Efeito do caso Master

BRB entrou em crise após adquirir cerca de R$ 12 bilhões em ativos do Banco Master, instituição que acabou sendo liquidada pelo Banco Central após investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero.

As operações comprometeram o capital mínimo prudencial do BRB, indicador exigido pelas regras de solidez do sistema financeiro.

Diante desse cenário, o Banco Central barrou a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB e passou a intensificar o acompanhamento da situação financeira e da governança do banco.

Com o balanço pressionado, o BRB passou a buscar alternativas para reduzir o impacto dos ativos problemáticos e atender às exigências regulatórias.

Com informações do G1-DF

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