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A cada 63h, um profissional de saúde sofre violência na rede pública

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A cada 63 horas, em média, um profissional de saúde é vítima de violência na rede pública do Distrito Federal.

Segundo levantamento da Polícia Civil (PCDF), entre 1º de janeiro de 2022 e 31 de maio de 2025, foram registradas 475 ameaças e agressões contra servidores públicos responsáveis por salvar vidas.

O levantamento mapeou os casos de vias de fato, lesão corporal, dano ao patrimônio e ameaça na rede pública.

Em média, houve o registro de um crime violento a cada 2,6 dias contra médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e demais profissionais de hospitais, unidades de pronto atendimento (UPAs) e demais pontos.

Em 2022, houve registro de 109 crimes contra profissionais de saúde. Ao longo de 2024, o número saltou para 159. Ou seja, percentualmente, houve crescimento de 45%. Entre janeiro e maio de 2025, houve registro de 67 casos. No mesmo período do ano anterior, foram 72.

O Sindicato dos Enfermeiros (SindEnfermeiro-DF) avalia com preocupação o aumento dos casos de violência contra os enfermeiros nas unidades públicas de saúde.

“Infelizmente, esse cenário está se agravando a cada dia. Enfermeiros e enfermeiras estão sendo agredidos física e verbalmente no exercício do trabalho, muitas vezes por pacientes ou familiares em situação de desespero”, disse o presidente do sindicato, Jorge Henrique.

“Mas é fundamental deixar claro: a culpa não é do povo, é da falta de investimento em saúde pública”, pontuou.

Segundo o sindicato, as causas da violência estão diretamente ligadas ao colapso no atendimento: faltam profissionais nas unidades, faltam leitos, insumos, medicamentos e infraestrutura.

A população enfrenta filas enormes, espera por horas e, muitas vezes, sai sem atendimento. “Isso gera frustração e revolta. E quem está na linha de frente do cuidado acaba pagando essa conta”, alertou.

Demora e UPAs

Pelo diagnóstico do presidente em exercício do Sindicato dos Médicos (SindMédicos), Carlos Fernando Silva, o contingente de profissionais de saúde está muito abaixo do necessário para atender com qualidade a demanda da população.

O déficit culmina na demora em todo processo no atendimento. “A UPA era para ser o local onde ficaria no máximo 24 horas. Ou ele deveria ir para casa, com a medicação encaminhada, ou deveria ir para o posto de saúde para a continuidade do tratamento”, afirmou.

“E as UPAs estão virando hospitais. Tem gente lá por uma semana, 10, 15 dias na necessidade vagas de leitos. A UPA seria um filtro da porta da emergência, mas virou um hospital”, alertou.

Na teoria, quando as equipes do Saúde da Família da Atenção Primária conseguem cumprir o seu papel, grande parte da população adoece menos e não precisa recorrer as unidades da rede pública.

“Quando pessoa precisa ir ao centro de saúde para marcar a consulta, para ser atendido e fazer exames, e esse processo está engarrafado, o que ela faz? Corre para porta do hospital. Isso se chama fenômeno hospitalocêntrico. Mais de 70% dos pacientes que vão para a porta do hospital não são de emergência. A pessoa está com uma febre ou doença que poderia ser resolvida lá na ponta”, explicou.

Neste cenário, famílias são submetidas a horas de espera pelo primeiro atendimento, enquanto profissionais de saúde são sobrecarregados. Frequentemente, médicos não pode fazer o acolhimento dos pacientes, porque precisam estar no centro cirúrgico operando outros.

“Quando você soma todos esses fatores o vetor resultante é a agressão. O cara enlouquece. Imagine se você passou o dia trabalhando levou seu filho doente às 19h para o pronto-socorro. Teoricamente era para sair em 30 minutos. Mas às 4 horas da manhã ainda não foi atendido. O resultado é a descompensação, o desrespeito e o sofrimento”, disse.

Soluções propostas por enfermeiros e médicos:

  •  Nomear mais profissionais de saúde por concurso público;
  •  Construir novas unidades de saúde, especialmente UBSs e hospitais regionais;
  •  Ampliar o número de leitos de retaguarda;
  • Investir em insumos, estrutura física e segurança nas unidades;
  • Reestruturar carreiras com recomposição salarial;
  • Melhoria das condições e dos protocolos de trabalho;
  • Parar de terceirizar a saúde pública e fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) de forma integral.

Além disso, segundo o Sindicato dos Vigilantes, o atual número de profissionais de segurança na rede pública está abaixo do necessário, principalmente nas UPAs e no Hospital de Base de Brasília.

12 mil câmeras

A Secretaria de Saúde (SES) informou que, atualmente, a rede pública de saúde conta com 2.428 vigilantes ativos, distribuídos entre unidades assistenciais e administrativas, com o objetivo de garantir a segurança patrimonial.

Para aprimorar a segurança institucional, pasta está formalizando termos aditivos contratuais para o acréscimo médio de 167 novos postos de vigilância.

Adicionalmente, segundo a pasta, está em fase de implantação uma estrutura de vigilância eletrônica composta por, aproximadamente, 12.108 câmeras de monitoramento, além de 5.894 outros dispositivos de controle de acesso, como leitores biométricos (facial e digital), detectores de metal e cancelas automatizadas.

“A SES repudia veementemente qualquer ato de violência contra os profissionais de saúde, que diariamente se dedicam ao cuidado e bem-estar da população”, ressaltou a pasta.

Salientamos que a SES disponibiliza para a população um canal institucional para dúvidas, reclamações e sugestões – a Ouvidoria:

  • Participa DF;
  • ⁠Central 162: de segunda a sexta-feira das 7h às 21h. Sábado, domingo e feriado das 8h às 18h. Ligação gratuita para telefone fixo e celular;
    Hospitais;
  • ⁠Atendimento presencial: Cada órgão público do GDF conta com uma Ouvidoria Especializada.

Iges-DF

O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges-DF) argumentou que tem intensificado os esforços da área técnica de segurança. “Como resultado, tem sido percebido um aumento da sensação de segurança entre profissionais e pacientes”, afirmou.

Entre as ações implementadas, estão a instalação de câmeras de vigilância e o uso de detectores de metais nas entradas das unidades.

Outra medida adotada é o uso do sistema GLPI Segurança, que, segundo o órgão, permite o registro e a comunicação de ocorrências em tempo real, fortalecendo a atuação das equipes de segurança nas unidades.

Vigilantes

O instituto disse ainda que tem investido continuamente na capacitação dos profissionais da área, promovendo treinamentos e atualizações periódicas sobre protocolos de abordagem, com foco na prevenção de conflitos, no diálogo e na condução respeitosa dos atendimentos.

“De forma estratégica e gradativa, o Iges-DF está ampliando seu efetivo de vigilantes, sempre considerando o equilíbrio econômico e a demanda de cada unidade”, completou. Atualmente, o instituto conta com 619 vigilantes.

“O Iges-DF reafirma seu compromisso com a segurança, a integridade e o bem-estar de todos os que acessam os serviços de saúde no DF”, finalizou.

Com informações da portal Metrópoles

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