As gravações relatam supostos pedidos de suborno e envolvem Karina e o subsecretário de Gestão, Eduardo Menem
A Justiça fez 16 buscas para reunir provas em uma investigação por um suposto caso de corrupção na Agência Nacional da Pessoa com Deficiência envolvendo a irmã do presidente Javier Milei, informaram fontes judiciais à agência France-Presse (AFP). A investigação teve início depois da divulgação de supostos áudios do ex-dirigente da agência Diego Spagnuolo, removido do cargo na quinta-feira, nos quais faz referência a subornos e menciona Karina Milei, secretária da Presidência, entre outros funcionários de alto escalão.
A veracidade dos áudios não foi comprovada pela Justiça, embora fontes do caso sob anonimato tenham afirmado que, até o momento, eles não foram desmentidos. As gravações relatam supostos pedidos de suborno e envolvem Karina e o subsecretário de Gestão, Eduardo Menem. “Estão roubando, você pode fingir que não sabe, mas não joguem esse problema para mim. Tenho todos os WhatsApps de Karina”, escuta-se na voz atribuída a Spagnuolo no áudio.
A denúncia foi apresentada pelo advogado Gregorio Dalbón e ocorre no momento em que o Congresso acaba de deixar sem efeito um veto de Milei a uma norma que declara emergência na área de Deficiência e destina mais fundos ao setor. Também coincide com a campanha eleitoral para as eleições legislativas de 26 de outubro, nas quais será avaliado o apoio à gestão do presidente ultraliberal.
Buscas
As buscas incluíram uma farmácia, cujo dono teve US$ 266 mil (R$ 1,5 milhão) apreendidos. Os áudios citam o estabelecimento, um dos principais fornecedores de medicamentos à Agência Nacional da Pessoa com Deficiência, como um dos pagadores dos supostos subornos.
Também apreenderam celulares, computadores, documentos sobre compras e licitações de medicamentos, além de dispositivos eletrônicos para análise da Procuradoria, que conduz a investigação liderada por um juiz federal. A Justiça não ordenou nenhuma prisão nem foram divulgadas acusações. O caso é mantido em sigilo.
Segundo a denúncia publicada na imprensa, os áudios sugerem que Karina Milei e Menem “teriam participado em um esquema de cobranças e pagamento de propinas ligados à compra e fornecimento de medicamentos com impacto direto nos fundos públicos”.
Com informações da Agência Brasil
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