TaguaCei — A jornalista e ex-deputada federal Joice Hasselmann afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) poderá ser preso em razão de suspeitas de corrupção e irregularidades financeiras. Em entrevista à TV 247, publicada nesta sexta-feira (23), ela fez críticas ao patrimônio do parlamentar, questionou a origem dos recursos utilizados para manter seu padrão de vida e declarou que acredita que ele enfrentará consequências judiciais.
“Ele vai ser preso mais cedo ou mais tarde”, afirmou Joice durante a entrevista. A ex-parlamentar mencionou suspeitas de desvio de dinheiro público, lavagem de dinheiro e corrupção ao justificar sua previsão. As declarações representam as acusações e opiniões da entrevistada e não constituem, por si só, comprovação de crimes.
Joice relata desconfiança desde 2018
A ex-deputada contou que suas desconfianças em relação à família Bolsonaro começaram em 2018, antes da eleição presidencial daquele ano. Segundo seu relato, ela visitou o apartamento de Flávio no Rio de Janeiro para conversar sobre a formação da chapa presidencial e a possibilidade de concorrer à Vice-Presidência.
Joice afirmou que ficou impressionada com o padrão de luxo do imóvel e considerou que os gastos aparentes eram incompatíveis com os rendimentos que atribuía à família. Ela disse que a experiência contribuiu para sua decisão de não aceitar a possibilidade de integrar a chapa.
Durante a entrevista, a jornalista também relembrou seu afastamento político do grupo bolsonarista e afirmou que não pretendia defender pessoas que considerava envolvidas em irregularidades.
Patrimônio e negócios de Flávio Bolsonaro
Ao comentar o patrimônio do senador, Joice utilizou a expressão “boca de tubarão para dinheiro” para criticar o que considera uma busca excessiva por recursos financeiros.
Ela mencionou o caso conhecido como das “rachadinhas”, relacionado a suspeitas de apropriação de parte dos salários de assessores durante o período em que Flávio Bolsonaro foi deputado estadual no Rio de Janeiro. Também questionou as negociações imobiliárias atribuídas ao senador e a compra de uma mansão em Brasília.
A ex-deputada argumentou que os rendimentos de um parlamentar precisariam ser comparados aos custos de aquisição e manutenção de imóveis de alto padrão. No entanto, as suspeitas citadas na entrevista devem ser distinguidas de fatos comprovados judicialmente, e as declarações de Joice não equivalem a uma condenação.
O tema do patrimônio e das relações empresariais de pessoas próximas à família Bolsonaro também aparece em outras discussões políticas. O TaguaCei abordou questionamentos envolvendo negócios e movimentações financeiras ligados ao círculo do senador na reportagem sobre os negócios de Willer Tomaz e sua relação com Flávio Bolsonaro.
Ex-deputada fala sobre ataques e Gabinete do Ódio
Joice também relatou episódios de perseguição política e ataques digitais que, segundo ela, ocorreram após seu rompimento com o bolsonarismo. A ex-parlamentar afirmou ter contribuído com informações sobre o funcionamento do chamado Gabinete do Ódio, estrutura apontada em investigações e debates públicos como responsável pela disseminação coordenada de ataques e desinformação contra adversários políticos.
Na entrevista, ela ainda fez acusações graves sobre uma suposta agressão que teria sofrido e atribuiu responsabilidade a Jair Bolsonaro. Essas afirmações são de responsabilidade da entrevistada e exigem apuração independente para que possam ser tratadas como fatos comprovados.
Joice declara voto em Lula
Apesar de ter construído sua trajetória política como uma das principais vozes do antipetismo, Joice Hasselmann declarou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial.
Ela justificou a decisão como uma escolha em defesa da democracia e contra o que considera riscos associados à permanência do grupo político de Jair Bolsonaro no poder. A ex-deputada acrescentou que pretende continuar na oposição após a eleição, independentemente do resultado.
A entrevista foi divulgada pela TV 247 em um momento de intensa disputa política entre Lula e Flávio Bolsonaro, com acusações, debates sobre patrimônio e estratégias de mobilização ocupando espaço na reta final da campanha.
Fonte: Brasil 247.



