TaguaCei — Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao empresário Flávio Carneiro indicam que os dois negociaram a compra do Correio Braziliense por meio de uma operação que envolveria precatórios federais. Os diálogos também apontam que os empresários teriam assumido influência sobre a linha editorial do jornal antes da conclusão formal do negócio. As informações foram divulgadas pelo Brasil 247 com base em conversas extraídas de aparelhos celulares.
Segundo a publicação, a negociação previa o uso de precatórios junto à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para abater dívidas tributárias do periódico. O texto informa que os débitos inscritos em dívida ativa da União chegavam a R$ 589,4 milhões, enquanto as obrigações consolidadas do grupo Diários Associados alcançavam R$ 1,4 bilhão.
Em uma mensagem de 10 de abril de 2025, Carneiro teria enviado a Vorcaro um modelo financeiro da operação e afirmado que o grupo havia assumido o controle editorial do jornal desde o dia 1º daquele mês. De acordo com os diálogos reproduzidos na reportagem, as tratativas vinham sendo articuladas desde o início de 2024.
As conversas também indicariam tentativas de influenciar a cobertura jornalística de assuntos relacionados ao Banco Master. Em março de 2025, após o anúncio da negociação para a aquisição do banco pelo Banco de Brasília (BRB), Vorcaro teria cobrado análises favoráveis à operação no Correio Braziliense e no site Platô. Ele demonstrou insatisfação com a ausência de conteúdos que defendessem o negócio.
O Banco Central rejeitou a operação entre o Master e o BRB em 2025. As negociações e as transações financeiras entre as duas instituições passaram a integrar investigações sobre possíveis irregularidades. Entre os desdobramentos está a apuração de indícios de falsidade ideológica e fraude em negócios envolvendo o Master e o BRB.
Outras mensagens citadas na reportagem apontariam para a intenção de utilizar veículos de comunicação em disputas políticas. Em agosto de 2025, Carneiro teria mencionado uma viagem a Brasília para alinhar matérias nos veículos Correio Braziliense e Platô contra Ricardo Cappelli, ex-candidato ao governo do Distrito Federal e crítico das operações envolvendo o Master e o BRB.
A assinatura do contrato de compra do jornal teria sido comunicada por Carneiro a Vorcaro em 12 de agosto de 2025. Na mensagem, ele escreveu: “Correio assinado. Agora depende só de nós”. Questionado sobre a quem se destinava o negócio, Carneiro teria explicado que o contrato era para o veículo de comunicação que estavam montando.
Apesar da assinatura, a transferência não teria sido concluída. Mensagens posteriores indicariam pendências contratuais e a necessidade de novas conversas entre os envolvidos. Em setembro de 2025, Carneiro teria cobrado de Vorcaro providências para resolver questões que impediam o avanço do negócio.
O episódio se soma às controvérsias em torno do Banco Master. As investigações da Polícia Federal sobre o banco e suspeitas de fraudes financeiras envolvem operações com carteiras de crédito e outras transações que estão sob análise das autoridades.
A relação entre as instituições também foi tema de depoimentos prestados à Polícia Federal. Em outubro de 2026, Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foram ouvidos no inquérito que apura as operações entre os bancos, conforme reportagem sobre os depoimentos no caso Master.
As mensagens reproduzidas pelo Brasil 247 levantam questionamentos sobre a relação entre interesses empresariais e decisões editoriais. A extensão da influência exercida pelos envolvidos e as circunstâncias da negociação dependem da análise dos documentos e da apuração dos fatos.
Fonte: Brasil 247



