Presidente afirma que pretende ampliar a atuação do governo federal no combate ao crime organizado e defende criação do Ministério da Segurança Pública
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante ato político realizado no sábado (22), em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, que pretende fortalecer a atuação do governo federal na segurança pública e enfrentar a presença de organizações criminosas em territórios dominados pelo tráfico e por milícias.
Diante de um público que participou do comício realizado no Estádio do Bangu, Lula reforçou que o objetivo é retirar o controle das áreas das mãos do crime organizado e devolver esses espaços à população.
“Vamos tirar os bandidos dos territórios e vamos devolver os territórios ao povo do Rio de Janeiro”, afirmou o presidente.
Segundo Lula, a segurança pública precisa contar com uma participação mais efetiva da União. Ele lembrou que a Constituição de 1988 transferiu a responsabilidade principal pela segurança para os estados, reduzindo a atuação direta do governo federal nessa área.
Ministério da Segurança Pública
Durante o discurso, Lula voltou a defender a criação de um Ministério da Segurança Pública. A medida, segundo ele, será adotada caso o Senado aprove a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que já passou pela Câmara dos Deputados.
A proposta busca ampliar a coordenação entre União, estados e municípios no enfrentamento à criminalidade e fortalecer a participação federal nas políticas de segurança.
O presidente também afirmou que o combate ao crime precisa ser realizado com firmeza, mas sem ações que transformem a violência em espetáculo.
A declaração ocorre em meio ao debate eleitoral sobre os caminhos para enfrentar o avanço das organizações criminosas no Rio de Janeiro. Em discurso citado pela imprensa, Lula defendeu uma política baseada na retirada dos criminosos dos territórios e na retomada desses espaços pelo poder público e pela população.
Segurança, defesa e soberania
Além da segurança pública, Lula também destacou a necessidade de investimentos na área de defesa nacional. O presidente afirmou que o Brasil precisa desenvolver uma indústria de defesa forte e estar preparado para proteger sua soberania.
Segundo ele, o objetivo não é buscar conflitos, mas garantir que o país tenha capacidade de se defender e seja respeitado internacionalmente.
“Não queremos guerra”, afirmou Lula, ao defender investimentos e o fortalecimento da indústria nacional de defesa.
Educação como parte da transformação social
O presidente também relacionou segurança pública a investimentos sociais, especialmente na educação. Durante o evento, Lula defendeu a ampliação das escolas em tempo integral e destacou a importância de oferecer oportunidades para crianças e jovens.
A avaliação apresentada pelo presidente é que o enfrentamento à criminalidade não deve se limitar à ação policial, mas também envolver políticas públicas capazes de ampliar oportunidades e melhorar as condições de vida da população.
Aliança política no Rio
O ato em Bangu reuniu aliados políticos e lideranças que participam das articulações eleitorais no estado. Estiveram presentes o candidato ao governo do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) e os candidatos ao Senado Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD), além de outras lideranças políticas e sociais.
Lula também elogiou o trabalho realizado pelo governador interino Ricardo Couto na área administrativa e de segurança e afirmou que a futura gestão estadual deverá dar continuidade às ações de reorganização do governo.
Para o presidente, o desafio do Rio é recuperar a presença do Estado nos territórios onde o crime organizado passou a exercer influência.
A fala de Lula coloca a segurança pública entre os principais temas da disputa política no Rio de Janeiro e reforça sua defesa de uma maior participação do governo federal no enfrentamento ao crime organizado.
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