Pressão econômica, acusação criminal e o envio de força militar para a região. Mais de cinco meses após a captura de Nicolás Maduro, o governo de Donald Trump volta a repetir contra Cuba o mesmo roteiro que antecedeu a operação norte-americana na Venezuela, que resultou não só na queda do líder chavista, mas também em uma mudança na política interna venezuelana.
O que está acontecendo?
- Nos últimos meses, Trump aumentou o tom contra Cuba, e fala em tomar o controle da ilha.
- Segundo a administração norte-americana, a crise na ilha não é provocada pelo embargo econômico em vigor desde 1962. Recentemente, o chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio — que é filho de imigrantes cubanos e um duro crítico da Revolução — acusou autoridades de Cuba de enriquecer às custas da população.
- O presidente dos EUA falou, mais de uma vez, que uma ação norte-americana contra Cuba seria realizada apenas após o fim da guerra contra o Irã.
- Ainda assim, Trump aumentou a pressão e as medidas contra autoridades locais na última semana.
Atualmente, a ilha caribenha enfrenta um dos momentos mais críticos de sua história, afetando, principalmente, a população local.
Alvo de um embargo norte-americano desde a década de 1960, que isolou Cuba comercialmente, o país passa por uma grave crise energética nos últimos meses.
Tudo começou após as mudanças promovidas pelos EUA na Venezuela, que até então atuava como principal fornecedor de combustível para a ilha. Mas, com a queda de Maduro e o alinhamento do governo de Delcy Rodríguez com os interesses norte-americanos, Donald Trump bloqueou envio de petróleo venezuelano para Cuba.
Além de interromper o abastecimento de Havana vindo de Caracas, o líder norte-americano ainda ameaçou taxar países que fornecessem petróleo para Cuba. Diante da crise humanitária, Trump chegou a liberar a entrada de um navio petroleiro da Rússia na ilha, que foi suficiente apenas para algumas semanas.
Última figura do castrismo indiciada
No último dia 21/5, o ex-presidente de Cuba e irmão de Fidel Castro, Raúl Castro, foi formalmente indiciado pelos EUA por três crimes: conspiração para matar cidadãos norte-americanos, destruição de aeronaves e assassinato.
As acusações são relacionadas a um episódio que aconteceu entre os dois países há 30 anos.
Na época, Raúl Castro ocupava o cargo de ministro da Defesa de Cuba. Por isso, ele é acusado de participar, ativamente, de dois ataques contra aeronaves dos EUA em 1996.
Aos 94 anos, Raúl é a última figura influente da Revolução Cubana ainda viva. Mesmo que oficialmente aposentado de cargos de liderança no país, onde foi presidente entre 2008 e 2018, ele ainda mantém forte influência nos bastidores da política local.
No mesmo dia em que Raúl Castro foi acusado criminalmente, o Comando Sul dos EUA (Southcom) anunciou uma nova mobilização militar na região do Caribe.
Depois do porta-aviões USS Gerald R. Ford deixar a região após participar, ativamente, da operação e cerco contra a Venezuela, foi a vez do USS Nimitz ser enviado para o local.
Ao lado do porta-aviões, navios de quatro navios de guerra também foram deslocados para o Caribe.
Trump chegou a afirmar que o destacamento militar não é uma forma de intimidar Cuba, assim como fez recentemente com a Venezuela e Irã.
Ainda assim, o movimento coincide com uma ameaça velada do procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, ao anunciar o indiciamento de Raúl Castro.
Segundo ele, o objetivo do governo norte-americano é levar o ex-presidente de Cuba a julgamento no território norte-americnao. Blanche afirmou que Castro deve comparecer na Justiça dos EUA “por vontade própria ou por algum outro meio”, sem citar qual.
Com informações do portal Metrópoles
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