Integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), parlamentares da oposição e até mesmo aliados do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmam terem sido pegos de surpresa com a decisão de Motta de pautar o PDL (projeto de decreto legislativo) que derruba o novo decreto do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), publicado pelo Executivo no início do mês.
Segundo relatos de dois líderes governistas e um auxiliar de Lula, ninguém do governo foi informado antes sobre a decisão de Motta – eles souberam pela publicação no X, antigo Twitter, do presidente da Câmara na noite desta terça-feira (24). Motta afirmou que o tema será levado ao plenário nesta quarta-feira (25).
O líder do governo, José Guimarães (PT-CE), tinha se reunido no dia anterior com Motta e não foi comunicado dessa decisão. Nem mesmo a ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), responsável pela articulação política do governo com o Congresso, foi avisada.
Na manhã desta quarta, Gleisi convocou reunião no Palácio do Planalto com líderes da base aliada para discutir o tema. De acordo com relatos, a ministra queria entender dos líderes qual será o encaminhamento de cada partido na votação do tema.
No último dia 16, já num recado ao governo federal, a Câmara aprovou o requerimento de urgência do PDL numa votação expressiva: foram 346 votos favoráveis e 97 contrários (eram necessários 257 dos 513 para aprovar a urgência). Governistas reconhecem que há votos suficientes para derrubar o decreto se ele for levado ao plenário.
A reportagem apurou que ao menos três líderes pediram a Motta que ele convocasse uma reunião com as lideranças da Câmara nesta quarta antes da sessão do plenário para discutir o tema e teriam ouvido do presidente da Casa que isso não ocorreria.
Segundo relatos de dois participantes do encontro, o clima era de surpresa com a decisão de Motta. Nas palavras de um deles, todos estão sem entender o que houve, se ocorreu alguma questão específica com o presidente da Câmara ou se é mais uma demonstração da insatisfação dos parlamentares com o governo federal. Nas últimas semanas, cresceram as queixas da cúpula do Congresso com o Executivo, sobretudo pelo atraso no pagamento das emendas parlamentares.
Um outro líder da Câmara diz que Motta acena para os parlamentares com esse gesto e tenta medir forças com o governo federal.
A estratégia, agora, de acordo com um governista, será fazer a disputa política em torno do tema, com o argumento de que o governo busca justiça social ao propor que os mais ricos e empresas poderosas paguem mais impostos para bancar políticas públicas (e que vem sendo usado por governistas nos últimos dias).
Com informações do Jornal de Brasília
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