Taguacei — Segundo reportagem do Metrópoles, publicada pela coluna de Andreza Matais, o governo de Goiás, durante a gestão de Ronaldo Caiado, destinou ao menos R$ 209 milhões a empresas que são ou já foram controladas pelo empresário Thiago Telles Batista de Souza, investigado pela Polícia Civil de São Paulo por suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Os pagamentos ocorreram entre 2020 e 2025 e chegaram às empresas por meio do Instituto de Medicina e Estudos (IMED), organização social contratada pelo governo de Goiás para administrar unidades de saúde. Segundo os dados levantados pela reportagem, o IMED recebeu aproximadamente R$ 1,4 bilhão do Estado entre 2019 e 2025.
Dinheiro público e empresas investigadas
De acordo com a investigação citada pelo Metrópoles, empresas vinculadas a Thiago Telles receberam mais de R$ 200 milhões dos recursos que passaram pelo IMED. O montante representa mais de 10% do total recebido pela organização social do governo goiano no período analisado.
A Polícia Civil de São Paulo aponta Thiago Telles como suposto beneficiário final de um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado recursos provenientes de atividades criminosas. Ele foi alvo da Operação Falso Mercúrio, deflagrada em dezembro de 2025, e voltou a ser atingido por medidas policiais em maio de 2026, durante a operação Falsa Las Vegas.
Segundo documentos policiais citados na reportagem, o empresário teria adquirido grandes quantidades de dinheiro em espécie de intermediários ligados à facção criminosa. A suspeita é de que a movimentação em dinheiro vivo dificultaria o rastreamento dos recursos por órgãos de controle financeiro.
Como funcionava o caminho dos recursos
O modelo utilizado pelo governo de Goiás previa a contratação de organizações sociais para administrar unidades públicas de saúde. Nesse sistema, o Estado repassava recursos ao IMED, que posteriormente contratava empresas para fornecer serviços e administrar estruturas hospitalares.
A Secretaria de Saúde de Goiás afirmou ao Metrópoles que a contratação dos fornecedores é de responsabilidade da organização social gestora e não depende de autorização prévia da secretaria.
O IMED, por sua vez, declarou desconhecer as investigações policiais e afirmou que suas contratações seguem processos de seleção previstos em seu regulamento de compras, aprovado pelos órgãos de controle. A entidade também disse que sua relação com as empresas e pessoas citadas ocorreu estritamente no âmbito profissional.
Caiado diz que órgãos de controle deveriam ter alertado o governo
Procurado pela reportagem, Ronaldo Caiado afirmou que órgãos federais de controle, como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), deveriam ter informado o governo de Goiás caso existissem indícios de ligação entre fornecedores das organizações sociais e integrantes ou operadores do crime organizado.
A manifestação ocorre em um momento em que Caiado busca ampliar sua projeção nacional e se apresenta como um dos nomes da direita na disputa presidencial de 2026.
O caso, portanto, coloca sob questionamento os mecanismos de fiscalização utilizados na contratação e no acompanhamento das organizações sociais responsáveis pela administração de unidades públicas de saúde em Goiás.
Empresas tinham contratos com o poder público
As investigações da Polícia Civil de São Paulo também apontam que empresas relacionadas a Thiago Telles mantinham contratos com órgãos públicos paulistas.
Para os investigadores, a presença de empresas sob suspeita de envolvimento com lavagem de dinheiro em contratos públicos poderia representar risco para a administração pública, especialmente pela possibilidade de recursos estatais serem utilizados na circulação de valores de origem ilícita.
É importante destacar que a existência de pagamentos públicos e a investigação policial não significam, por si só, que o governo de Goiás tenha participado de qualquer esquema criminoso. As suspeitas apresentadas na reportagem são objeto de investigação pelas autoridades competentes, e os envolvidos têm direito à defesa e à presunção de inocência.

O que está em jogo
O episódio chama atenção para a necessidade de mecanismos cada vez mais rigorosos de controle sobre a utilização de recursos públicos, principalmente na área da saúde, onde organizações sociais movimentam valores elevados em contratos de gestão.
Também levanta questionamentos sobre a fiscalização dos fornecedores contratados por essas entidades e sobre a capacidade dos órgãos públicos de identificar previamente empresas que estejam sob investigação por suspeitas de crimes financeiros.
A reportagem do Metrópoles foi publicada em 29 de maio de 2026 e continua repercutindo no debate político sobre a gestão de Ronaldo Caiado e sua pré-candidatura à Presidência da República.
🖋️ Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal TaguaCei
🤖 Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com auxílio de inteligência artificial, a partir de informações publicadas pelo Metrópoles e de outras fontes consultadas.



