Guerra, petróleo, inflação: o que o mercado espera do Copom para a taxa de juros

A continuidade do impasse na guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel, que mantém a cotação do barril de petróleo próxima de US$ 100, deve reforçar a postura cautelosa do Banco Central e levar a um novo corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que terá início nesta terça-feira, 28. Isso levaria a taxa de juros para 14,5% ao ano — a decisão será anunciada na quarta-feira, 29. Este é o cenário projetado por 33 de 37 instituições de mercado consultadas pelo Projeções Broadcast.

Para as próximas reuniões, são justamente os próximos capítulos do conflito no Oriente Médio que devem ditar o ritmo de cortes na Selic, já que parte do mercado aposta em uma acomodação do confronto e, consequentemente, na moderação no preço do petróleo, o que aumentaria a margem para o BC cortar juros.

Mas este é um cenário bem diferente do que era esperado até fevereiro, quando a guerra teve início. Naquele momento, a expectativa do mercado era de dois cortes de 0,5 ponto porcentual nas reuniões de março e abril, e uma taxa Selic mais perto dos 12% ao final do ano. Agora, a expectativa é de uma taxa de 13% em dezembro.

O sócio e economista sênior da Tendências Consultoria, Silvio Campos Neto, considera que o cenário econômico não mudou desde a última reunião, em março, quando o Banco Central iniciou o processo de calibração da Selic com uma redução mínima. De lá para cá, o conflito no Oriente Médio persistiu, o barril de petróleo manteve-se perto de US$ 100 e as expectativas de inflação pioraram, com a última edição do boletim Focus apontando IPCA de 4,86% no final de 2026 e 4% no fim de 2027.

“São situações que certamente devem contribuir para o BC seguir em linha conservadora e cautelosa nesse processo de ajuste”, diz o economista. Campos Neto considera até que a chance de manutenção do juro em 14,75% segue no jogo, mas reconhece que a probabilidade não é elevada no momento. “Vemos um ajuste bem pequeno frente ao grau de aperto monetário e condizente com o processo de calibração nos juros. O mais provável é que o BC repita o corte de 0,25 ponto e ganhe tempo para as próximas decisões, que devem seguir em aberto”, observa.

O economista-chefe da Neo Investimentos, Luciano Sobral, também projeta que o BC repetirá o corte de 0,25 ponto no juro básico nesta semana. “Com o petróleo a esse preço e a piora de expectativas, tem de manter a cautela”, diz.

Em contraponto à disparada no preço do petróleo, Sobral reconhece que houve uma valorização cambial importante, já que a cotação do dólar passou a flutuar bem próxima ou abaixo de R$ 5 nos últimos dias. Esse alívio no câmbio, contudo, deve compensar apenas marginalmente os efeitos inflacionários de um petróleo mais caro. “Mesmo considerando isso, a Selic que vai levar a inflação projetada pelo modelo para a meta é maior do que antes da guerra”, diz.

O economista-chefe do Banco Bmg, Flávio Serrano, também avalia que a continuidade da guerra reforça a necessidade de cautela por parte da autoridade monetária, que por isso deverá cortar a Selic em 0,25 ponto novamente neste mês.

Ele chama a atenção, porém, para o tom da comunicação do BC após decisão, especialmente em relação ao balanço de riscos para a inflação. “Se ele mudar (para um balanço com assimetria de alta para a inflação) é possível que as projeções para Selic no boletim Focus ao final deste ano subam ainda mais, para além dos 13%”, diz. No último comunicado, embora o BC tenha reconhecido o aumento da incerteza após a guerra no Oriente Médio, o balanço de riscos não foi alterado.

Reunião de junho


Se para a reunião desta semana o consenso do mercado é de um novo corte de 0,25 ponto no juro básico, o cenário está dividido em relação ao encontro de junho do Copom. Entre as 37 instituições consultadas para o período, 18 veem um terceiro corte consecutivo de 0,25 ponto, e outras 18 projetam redução de 0,50 ponto ou mais no mês. Uma casa vê manutenção da Selic em 14,75% para o período.

Sobral, da Neo Investimentos, avalia que, até junho, o estreito de Ormuz estará efetivamente reaberto e a cotação de petróleo mais acomodada. Com isso, ele projeta aceleração no ritmo de cortes na Selic para 0,50 ponto porcentual no período e a taxa encerrando o ano em 12,5%.

Campos Neto, da Tendências, também espera que haverá algum alívio da tensão no Irã à frente, movimento que deve ajudar a devolver a cotação do petróleo para níveis próximos de US$ 75 o barril. Caso o cenário se confirme, o BC pode ter a confiança de avançar ainda mais no ciclo de calibração da política monetária, diz ele. O cenário da casa, por ora, é de novo corte de 0,25 ponto na Selic em junho e aceleração do ritmo de redução para 0,50 ponto apenas em agosto. A Tendências projeta Selic de 13% no fim do ano.

Com informações do Jornal de Brasília

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

  • Isenção do IR tem aprovação histórica na Câmara

    Isenção do IR tem aprovação histórica na Câmara

    Em votação unânime, deputados avalizam benefício para quem ganha até R$ 5 mil e taxa super-ricos. Texto segue agora para o Senado Depois de quase sete meses de tramitação, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil foi aprovada pelo plenário da Câmara, nesta quarta-feira à noite, por unanimidade: 493…

  • Motta aciona Itamaraty após Israel deter deputada em flotilha para Gaza

    Motta aciona Itamaraty após Israel deter deputada em flotilha para Gaza

    Luizianne Lins (PT-CE) estava com outros brasileiros em barco interceptado pela Marinha de Israel ao tentar levar ajuda humanitária para a Faixa de Gaza O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou nesta quarta-feira (1º/10) que acionou o Ministério das Relações Exteriores assim que soube da detenção da deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) pela Marinha de…

  • Governo descarta novo Concurso Unificado em 2026a

    Governo descarta novo Concurso Unificado em 2026a

    Em entrevista ao programa Bom dia, Ministra, Esther Dweck afirmou que, para o próximo ano, está prevista a convocação de excedentes de outros concursos em andamento Às vésperas da realização das provas da segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), no próximo domingo, a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck,…

  • Quem pode ser responsabilizado nos casos de intoxicação por metanol

    Quem pode ser responsabilizado nos casos de intoxicação por metanol

    Especialistas apontam que toda a cadeia de fornecimento de bebidas pode ser responsabilizada por intoxicações por metanol, com sanções cíveis e criminais que vão de indenizações a penas de prisão Casos de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas no estado de São Paulo têm gerado preocupação em todo o país. A substância…

  • Policiais penais do DF são alvo de operação que apura fraude em concurso

    Policiais penais do DF são alvo de operação que apura fraude em concurso

    Cinco pessoas foram presas na manhã desta quinta-feira (2/10) em operação da Polícia Civil do DF A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (2/10), a terceira fase da operação Reação em Cadeia, que investiga fraudes no concurso da Polícia Penal do DF. A ofensiva foi conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor)…

  • Leandro Grass, voltou a criticar a gestão de Ibaneis Rocha e Celina Leão

    Leandro Grass, voltou a criticar a gestão de Ibaneis Rocha e Celina Leão

    Antes mesmo de qualquer anúncio oficial sobre medidas para enfrentar a crise fiscal, o pré-candidato ao Governo do Distrito Federal, afirmando que o governo perdeu a credibilidade para conduzir as finanças do DF. Segundo Grass, o desequilíbrio financeiro é consequência de decisões tomadas pela própria atual administração. Em sua manifestação, ele afirmou “O Governo Celina…

  • Lula defende diversificação de mercados e reforça Plano Brasil Soberano diante de tarifaço dos EUA

    Lula defende diversificação de mercados e reforça Plano Brasil Soberano diante de tarifaço dos EUA

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil está preparado para ampliar sua presença no comércio internacional e reduzir a dependência do mercado norte-americano. Durante agenda oficial, o chefe do Executivo reforçou as diretrizes do Plano Brasil Soberano e destacou que o país buscará novos parceiros comerciais, novas moedas para transações internacionais…

  • Editorial do Estadão afirma que Flávio Bolsonaro herdou o discurso golpista do pai

    Editorial do Estadão afirma que Flávio Bolsonaro herdou o discurso golpista do pai

    Taguacei– O jornal O Estado de S. Paulo publicou nesta quinta-feira (23) um editorial em que faz duras críticas ao senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmando que o parlamentar reproduz a mesma estratégia utilizada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro de desacreditar, sem provas, o sistema eleitoral brasileiro. Segundo o editorial, Flávio…

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Artigos Relacionados:
Compartilhar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *