Lideranças dos dois países sul-americanos assinaram acordos em temas como infraestrutura, defesa, segurança pública, ciência e tecnologia, políticas sociais e desenvolvimento sustentável, durante visita da presidenta surinamesa ao Brasil.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, no Palácio do Planalto, em Brasília, nesta quinta-feira, 28 de maio, a presidenta da República do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons. A agenda contou com a assinatura de atos bilaterais e celebrou um novo momento de aproximação entre os dois países, que celebram 50 anos de relações diplomáticas e vêm intensificando o diálogo político e a cooperação bilateral.
Tem sido uma das prioridades do Governo do Brasil ampliar os resultados concretos da parceria bilateral. Um encontro ampliado com as delegações dos dois países antecedeu a cerimônia de assinatura de atos. Em seguida, Lula e Geerlings-Simons fizeram uma declaração conjunta à imprensa.
Lula afirmou que o encontro com Geerlings-Simons representa uma oportunidade para aproximar os dois países vizinhos, que compartilham mais de 600 quilômetros de fronteira e estão ligados por uma das maiores áreas contínuas de floresta tropical do planeta.
“Somos democracias sul-americanas que acreditam na cooperação, no multilateralismo e na integração regional como caminhos para a paz e o desenvolvimento. Completamos este ano meio século de relações diplomáticas”, comemorou. Durante a visita, o presidente Lula, a líder do país sul-americano e ministros de ambas as nações assinaram termos de referência para ampliar o acordo comercial vigente e estimular novas oportunidades de negócios.
“O Suriname vive um momento promissor”, exaltou Lula. “Passados cinquenta anos de sua independência, elegeu pela primeira vez uma mulher para liderar o país. A presidenta Simons é símbolo da força das mulheres em nossa região e no mundo. O Brasil acompanha com entusiasmo o novo ciclo de crescimento do Suriname. Assinamos, no contexto desta visita, acordos em temas como infraestrutura, defesa, segurança pública, ciência e tecnologia, políticas sociais e desenvolvimento sustentável”, completou.
INTERCÂMBIO — A agenda da visita inclui uma série de atividades voltadas à cooperação social e ao intercâmbio de políticas públicas. A presidenta surinamesa manifestou interesse em conhecer programas brasileiros nas áreas de assistência social, habitação, saúde e agricultura.
A presidenta do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons, afirmou que é uma prioridade para seu país reduzir os custos dos alimentos, promover a segurança alimentar e enxerga no Brasil um aliado estratégico para alcançar essas metas e as políticas públicas brasileiras como uma inspiração.
“Concordamos que a principal tarefa de todo político é assegurar que as pessoas possam alcançar um nível mais elevado de vida e bem-estar. Discutimos questões de desenvolvimento regional e reafirmamos nosso compromisso compartilhado de assegurar a democracia e a integração regional”, declarou Geerlings-Simons durante a declaração à imprensa.
EXEMPLO – O presidente Lula relembrou que, durante o primeiro encontro entre eles, em Belém, no contexto da realização da COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025), a presidenta Jennifer Geerlings-Simons demonstrou grande interesse em conhecer a experiência brasileira em políticas sociais, objetivo que se torna possível com a nova visita dela ao Brasil.
Ele rememorou que o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome da FAO, no ano passado, enquanto, nesta semana, a ONU divulgou que o país alcançou o seu maior índice de desenvolvimento humano (IDH) da história, tornando o país parte do grupo de nações no patamar mais elevado da escala. “Nos enche de orgulho poder compartilhar com outros países as políticas públicas que tiraram milhões de pessoas da fome e da pobreza, ampliaram o acesso à saúde, à educação e à habitação, e reduziram a desigualdade social”, emendou.
O presidente também destacou as iniciativas do Governo do Brasil para garantir que trabalhadores e trabalhadoras tenham mais dignidade e mais tempo com a família, com destaque para os avanços na conquista de uma jornada de trabalho mais justa para os trabalhadores brasileiros. “Com o apoio do Congresso Nacional, meu governo está colocando fim à escala 6×1, com o fim da jornada de 44 para 40 horas semanais”, afirmou. Lula acrescentou ainda os esforços federais para combater a violência contra as mulheres e os crimes de feminicídio.
“Assinei, na semana passada, um conjunto de medidas que vão ampliar a proteção das mulheres, fortalecer mecanismos de responsabilização de agressores e reforçar a segurança digital. É inaceitável que mulheres continuem sendo atacadas na internet sem nenhuma consequência aos perpetradores, ou sendo assassinadas pelo simples fato de serem mulheres”, enfatizou.
Recebi nesta quinta, em Brasília, a presidenta Jennifer Simons, do Suriname, e sua delegação. Uma oportunidade para aproximar dois países que compartilham mais do que 600 quilômetros de fronteira: somos democracias que apostam na cooperação, no multilateralismo e na integração.… pic.twitter.com/55awml5lFH— Lula (@LulaOficial) May 28, 2026
PROJETOS DE COOPERAÇÃO — A presidenta surinamesa desembarcou no Brasil na companhia de cinco ministros, nas áreas de Relações Exteriores; Defesa; Agricultura, Pecuária e Pesca; Assuntos Sociais e Habitação; Transportes, Comunicações e Turismo. Antes da visita presidencial, os ministros participaram, ao longo da semana, de reuniões técnicas com suas contrapartes brasileiras para avançar em acordos e projetos de cooperação.
Um dos principais focos da missão do governo surinames é a ampliação da cooperação econômica e energética. Durante um briefing à imprensa , no Palácio do Itamaraty, nesta terça-feira, 27 de maio, a secretária de América Latina e Caribe, embaixadora Gisela Maria Figueiredo Padovan, explicou que o Suriname vive um momento de previsão do crescimento econômico após a descoberta de grandes reservas de petróleo e gás. Estimativas apontam reservas entre 4 bilhões e 6 bilhões de barris de petróleo e de importantes reservas de gás natural.
Para o presidente Lula, o país é considerado a porta de entrada do Brasil para os países caribenhos, visão reforçada na ocasião da Cúpula Brasil-Caribe, em Brasília no ano passado, cuja realização explicitou a intenção brasileira em transformar a aproximação em política duradoura. “Vivemos um período de fragmentação regional e de crescente dificuldade para construir consensos. Os mecanismos de integração que construímos ao longo de décadas estão cada vez mais enfraquecidos. Por isso, o diálogo entre países que acreditam na cooperação, no respeito à soberania e na convivência democrática torna-se ainda mais importante”, alertou.
EMPRESARIADO — A programação da delegação do Suriname em Brasília inclui ainda uma reunião empresarial com representantes de entidades brasileiras, empresas e representantes do setor produtivo surinamês das áreas de energia, logística, transporte, agropecuária e comunicações.
Lula também celebrou que a visita tenha viabilizado a aprovação de termos de referência para aumentar os fluxos entre Brasil e Suriname. “Nosso comércio ainda é muito pequeno e concentrado em poucos produtos. Em 2025, foi de apenas 55 milhões de dólares, ou seja, quase nada. O único acordo comercial que temos é extremamente restrito. Com esta visita, conseguimos aprovar termos de referência para aumentar os fluxos entre Brasil e Suriname”, indicou. “As negociações vão começar no segundo semestre e devem ampliar as medidas de facilitação do comércio e incluir novos setores. O Brasil pode contribuir muito para a segurança alimentar e nutricional dos surinameses, com o fornecimento de carne bovina, suína e de aves, e outros gêneros alimentícios”, antecipou Lula.
Ainda de acordo com o presidente, na tarde desta quarta-feira, será realizado um encontro empresarial Brasil-Suriname, com a presença de representantes de ambos os países. Já em junho, a ApexBrasil planeja uma missão a Paramaribo. Também será aprofundada a cooperação no setor energético, conforme reforçou o presidente brasileiro.
“A Petrobras estabeleceu, em 2024, uma parceria com a estatal surinamesa Staatsolie, para intercâmbios sobre petróleo, energias renováveis e segurança nas atividades de exploração de hidrocarbonetos. Assim como o Brasil, o Suriname também se sobressai pelo potencial em minerais críticos. Temos a oportunidade de cooperar em mineração sustentável, industrialização local e agregação de valor, contribuindo para superar modelos históricos baseados apenas na exportação de matérias-primas.”
VISITAS — Na sexta-feira, 29 de maio, Jennifer Geerlings-Simons visitará uma unidade do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), porta de entrada dos programas sociais do governo brasileiro, um empreendimento do programa Minha Casa, Minha Vida e a Embrapa Cerrados. Para o presidente Lula, as visitas também serão oportunidade para a presidenta constatar como o Brasil pode apoiar o Suriname na construção de capacidades em agricultura familiar, segurança alimentar e sistemas agroflorestais sustentáveis.
ACORDOS MULTITEMÁTICOS — Os acordos assinados tratam de iniciativas de cooperação técnica em políticas sociais, universalização do acesso à saúde pública, manejo integrado do fogo, segurança de barragens hidrelétricas e enfrentamento ao tráfico de pessoas. Os dois países também se comprometeram a ampliar a cooperação em defesa, segurança pública e proteção da Amazônia.
Entre os atos estão acordos sobre segurança cibernética, cooperação policial, combate ao tráfico de pessoas e operações militares coordenadas na faixa de fronteira amazônica. Também fazem parte as pactuações sobre segurança cibernética e o convite ao Suriname para atuar como observador no Exercício Guardião Cibernético, principal treinamento de defesa digital do Brasil.
Confira todos os atos assinados por ocasião da visita da Presidenta do Suriname.
AMAZÔNIA — Em relação à proteção da floresta amazônica, Lula observou que o bioma ocupa 95% do território surinamês e a metade do brasileiro. “Dados divulgados ontem pelo MapBiomas indicam que, em 2025, o desmatamento no Brasil, em seus 6 biomas atingiu o menor nível em 7 anos. Trabalhamos para o fortalecimento da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica. A adesão do Suriname ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) é testemunho da valorização de nosso patrimônio”, exultou. “Cooperamos no compartilhamento de imagens de satélite para monitoramento do desmatamento e da ação de garimpos em tempo real”, completou.
SEGURANÇA PÚBLICA — Lula agradeceu à presidenta pela participação do Suriname no Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, ressaltando a ampliação da união nos esforços regionais no enfrentamento ao narcotráfico, ao tráfico de drogas, pessoas e armas de fogo.
“O novo acordo com a Polícia Federal vai ampliar nossa cooperação no combate a ilícitos transnacionais, com destaque aos crimes ambientais e de mineração. Convidei o Suriname a se unir ao programa ‘Ouro-Alvo’, da Polícia Federal, que permitirá rastrear com precisão a origem dos minérios e mapear as redes de contrabando ilegal”, revelou.
DEFESA — Na área de defesa, os dois países avançaram na atualização do Acordo de Cooperação em Matéria de Defesa, considerado a base jurídica da cooperação bilateral no setor. O instrumento havia ficado desatualizado após a entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação (LAI) no Brasil, o que impedia sua promulgação integral devido à necessidade de adequação de dispositivos relacionados ao compartilhamento de informações.
“A tradicional cooperação em defesa entre Suriname e Brasil é construída com base em uma visão compartilhada de proteção da Amazônia e do espaço sul-americano. Mais de 450 militares surinameses se formaram em instituições brasileiras. Queremos aprofundar essa parceria. A criação da Adidância de Defesa do Suriname em Brasília contribuirá para isso. Nosso diálogo avança em áreas estratégicas, como ações conjuntas de patrulhamento de fronteiras e treinamentos de controle do tráfego aéreo”, frisou Lula.
INTEGRAÇÃO — O presidente brasileiro e sua homóloga surinamesa também abordaram medidas para ampliar as conexões marítimas e aéreas entre os países e avançar no chamado “Anel das Guianas”, projeto de integração que conecta o Norte do Brasil à Guiana, ao Suriname e à Guiana Francesa, facilitando o acesso ao mercado caribenho e fortalecendo a infraestrutura regional.
“Concordamos que Suriname e Brasil têm enorme espaço para avançar em conectividade. O eixo 1 do projeto Rotas de Integração Sul-Americana prevê a modernização e pavimentação de estradas que ligam nossos países. A presidenta Simons me relatou o estágio em que se encontra a construção da ponte sobre o rio Corentine, entre a Guiana e o Suriname. Ela será fundamental para integrar todo o espaço regional e conectá-lo aos mercados caribenhos”, finalizou.
AJUDA HUMANITÁRIA — O governo brasileiro também disponibilizou uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) para o deslocamento da presidente Jennifer Geerlings-Simons ao Brasil, diante das limitações de conectividade aérea entre os dois países. Aproveitando o voo, o Brasil enviou ao Suriname uma carga de cooperação humanitária com vacinas pneumocócicas, testes de Covid-19 e medicamentos para o tratamento da tuberculose.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), a iniciativa integra a política brasileira de apoio humanitário aos países da região, especialmente em ações voltadas à saúde pública, resposta a desastres naturais e enfrentamento de emergências.
Agência Gov
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