Estudo indica que suplemento de ômega-3 não previne perda de memória associada ao envelhecimento

Um estudo publicado na revista científica eBioMedicine, do grupo The Lancet, concluiu que a suplementação com ômega-3 não melhora a memória nem retarda o envelhecimento cerebral em pessoas idosas com risco de desenvolver demência. A pesquisa mostrou que, embora o nutriente alcance o cérebro, ele não foi capaz de produzir benefícios cognitivos ao longo do período analisado. As informações são do Correio Braziliense.

Realizado por pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia (USC), o estudo acompanhou, entre 2018 e 2024, um total de 365 voluntários com idades entre 55 e 80 anos. Todos apresentavam pelo menos um fator de risco para demência e consumiam baixas quantidades de DHA, principal ácido graxo do ômega-3.

Os participantes foram divididos aleatoriamente para receber 2 gramas diárias de DHA ou placebo durante 24 meses, em um ensaio clínico duplo-cego, randomizado e controlado, considerado o padrão-ouro para avaliar tratamentos médicos.

Ao final do acompanhamento, os pesquisadores não identificaram diferenças entre os grupos em testes de memória, atenção, linguagem, velocidade de processamento ou funções executivas. Também não houve alteração na perda de volume de regiões cerebrais associadas ao desenvolvimento da doença de Alzheimer, como o hipocampo.

Para confirmar se o suplemento realmente chegava ao cérebro, parte dos voluntários foi submetida à coleta de líquido cefalorraquidiano por meio de punção lombar. Os exames demonstraram aumento dos níveis de DHA no sistema nervoso central após seis meses de suplementação, comprovando que a substância atingiu seu alvo biológico. Ainda assim, esse aumento não resultou em melhora das funções cognitivas.

Segundo o coordenador da pesquisa, Hussein Naji Yassine, os resultados não apoiam o uso de suplementos de óleo de peixe como estratégia para prevenir o Alzheimer. O pesquisador ressaltou, porém, que o DHA continua sendo um componente importante para o funcionamento dos neurônios e para a comunicação entre as células do cérebro.

Os autores destacam que os resultados não diminuem a importância de uma alimentação rica em peixes, como salmão, sardinha e atum. Estudos epidemiológicos continuam associando dietas com alimentos naturalmente ricos em ômega-3 à melhor saúde cardiovascular e cerebral. A diferença, segundo os pesquisadores, é que iniciar a suplementação apenas na idade avançada não produz necessariamente os mesmos efeitos de uma alimentação equilibrada mantida ao longo da vida.

Especialistas também reforçam que a suplementação deve ser indicada apenas quando houver deficiência nutricional ou condições clínicas específicas, sempre com orientação de médico ou nutricionista. Além disso, hábitos como prática regular de exercícios, sono adequado e alimentação saudável continuam sendo as principais estratégias para reduzir o risco de declínio cognitivo e de doenças neurodegenerativas.

Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.

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