TaguaCei — O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viajou aos Estados Unidos após ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais brasileiras. A viagem ocorreu depois de uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que o proibia de deixar o país e exigia a entrega de seus passaportes à Polícia Federal (PF). O episódio também se relaciona às investigações sobre a possível saída do parlamentar do Brasil, que levaram a PF a buscar informações junto às autoridades argentinas.
A viagem acontece em um momento delicado para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que enfrenta desgaste de popularidade e a disputa pelas maiorias no Congresso americano nas eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.
Na terça-feira (27/10), o Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou que emitirá vistos para Flávio e seus familiares. A manifestação, porém, não comprova a concessão de asilo político ao senador, benefício diferente da autorização de entrada no território americano.
Passaportes foram cancelados pela Polícia Federal
Na segunda-feira (26/10), o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou que Flávio entregasse seus passaportes comum e diplomático à Polícia Federal em até 24 horas. A decisão também o proibia de sair do Brasil.
Como os documentos não foram apresentados dentro do prazo, a PF cancelou os passaportes na terça-feira. Segundo as informações divulgadas, não havia mandado de prisão contra o senador naquele momento.
Flávio é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro em um inquérito que envolve o advogado Willer Tomaz. O parlamentar nega irregularidades.
Governo americano confirma vistos, mas não asilo
A viagem ganhou repercussão depois que o advogado mexicano Simón Levy, que se apresenta como aliado de Trump, afirmou que o governo americano teria organizado uma operação para proteger o senador e autorizado seu asilo político.
As declarações não foram acompanhadas de provas. Até o momento, a manifestação oficial do Departamento de Estado confirmou apenas a emissão de vistos para Flávio e seus familiares, sem comprovar a concessão de asilo ou a existência da suposta operação.
O episódio ocorre em meio ao histórico de tensões entre Brasília e Washington. As relações entre os dois países já haviam sido afetadas por medidas comerciais e diplomáticas do governo Trump, incluindo o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros. A disputa foi abordada na reportagem sobre a tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos.
Eleições legislativas aumentam pressão sobre Trump
Os Estados Unidos realizam, em 3 de novembro, as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. A votação renovará as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado, além de cargos estaduais.
O resultado será um teste para a administração Trump, que enfrenta críticas relacionadas ao custo de vida, à inflação e à condução da economia. Pesquisas divulgadas em outubro indicam que os democratas têm chances de conquistar a maioria na Câmara dos Representantes.
Nesse contexto, a concessão de vistos a um político estrangeiro envolvido em uma disputa com o Judiciário de seu país pode gerar questionamentos políticos nos Estados Unidos, especialmente se a oposição considerar que houve favorecimento a aliados ideológicos.
Trump volta a questionar resultado eleitoral brasileiro
A chegada de Flávio aos Estados Unidos coincidiu com novas declarações de Trump sobre as eleições brasileiras. Durante um comício no Texas, na terça-feira, o presidente americano afirmou que não gostou do processo eleitoral que resultou na vitória de Lula.
Na segunda-feira, Trump já havia classificado o resultado da disputa como semelhante a uma eleição fraudulenta, sem apresentar provas que sustentassem a alegação. Ele também questionou a prorrogação do horário de votação determinada pela Justiça brasileira em razão de dificuldades relacionadas ao transporte público e às condições climáticas.
As declarações ampliam o atrito diplomático entre os dois governos. Apesar das críticas ao processo eleitoral brasileiro, Trump afirmou manter uma boa relação com Lula.
Viagem provoca desconforto no PL
A saída de Flávio também provocou reações dentro do Partido Liberal (PL). A legenda convocou uma reunião de emergência em Brasília para discutir a situação, já que, segundo informações do Metrópoles, nem todos os integrantes do partido tinham conhecimento da viagem.
Participaram das articulações o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio.
A viagem ocorreu dois dias depois da derrota do senador para Lula no segundo turno, por uma diferença superior a 4,4 milhões de votos. Após o resultado, Flávio questionou a eleição e anunciou que pediria sua anulação, embora o PL tenha reconhecido a vitória do petista.
Fonte: Metrópoles



