O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez, neste domingo, um discurso durante encontro de grupos de extrema-direita em Buenos Aires no qual deixou explícito o projeto internacional que pretende implementar caso chegue à Presidência da República. Segundo informações publicadas pela revista Veja, o parlamentar afirmou que, a partir de 2027, o Brasil será “irmão de Israel” e voltará a se alinhar politicamente à Argentina governada por Javier Milei, cuja gestão se tornou símbolo de destruição econômica, arrocho social e submissão aos interesses da extrema direita internacional.
As declarações revelam uma plataforma que combina alinhamento automático ao governo israelense, em meio ao genocídio em Gaza, e aproximação com governos da extrema direita latino-americana. Israel continua conduzindo uma ofensiva militar que devastou a Faixa de Gaza, provocou dezenas de milhares de mortes e mergulhou a população palestina em uma catástrofe humanitária. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e outras autoridades israelenses estão na mira do Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
Em sua fala, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende alterar radicalmente a política externa brasileira. “A partir de 2027, o Brasil voltará a ser mais irmão do que nunca da Argentina e de todos os nossos vizinhos. E será também, com orgulho e sem o menor medo de dizer isso, irmão de Israel.”
A referência à Argentina também chama atenção pelo momento dramático vivido pelo país. Desde a posse de Javier Milei, a economia argentina passou por uma política de choque ultraliberal, com cortes brutais de gastos públicos, retração da atividade econômica, perda de renda, aumento da pobreza e destruição de políticas sociais. Ao apresentar esse governo como referência, Flávio Bolsonaro sinaliza que pretende importar para o Brasil uma agenda de devastação social travestida de combate ao Estado.
Durante o evento, o senador citou uma lista de lideranças de extrema direita nas Américas, entre elas Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, Javier Milei, na Argentina, Daniel Noboa, no Equador, Santiago Peña, no Paraguai, Nayib Bukele, em El Salvador, e Luis Abinader, na República Dominicana. Flávio apresentou esse bloco como uma espécie de mapa político a ser completado pelo Brasil.
O modelo de Bukele também foi exaltado pelo senador como exemplo de enfrentamento ao crime. Segundo Flávio, o presidente salvadorenho provou que “é, sim, possível derrotar o crime e devolver a paz às ruas”. A experiência de El Salvador, no entanto, é marcada por prisões em massa, denúncias de violações de direitos humanos e presídios de segurança máxima que se tornaram símbolo de um Estado penal extremo.
Ao final da fala, Flávio Bolsonaro procurou transformar o evento em palanque eleitoral. “E vou confessar a vocês um sentimento muito sincero. Nós, brasileiros, olhamos esse mapa hoje com um pouco de inveja. Porque, enquanto nossos vizinhos, um a um, escolhem a liberdade e a ordem, o Brasil ainda continua preso ao passado. Nós somos a peça que falta nesse mapa. E venho aqui dizer, em alto e bom som: em outubro, isso muda! Em outubro, o Brasil entra nessa onda. O Brasil será o próximo — pois eu serei o novo presidente do Brasil!”
A declaração sintetiza o conteúdo político de sua intervenção: um projeto de poder que busca arrastar o Brasil para a órbita da extrema direita internacional, tendo como referências a catástrofe social argentina, o Estado penal de Bukele, o trumpismo nos Estados Unidos e o alinhamento incondicional ao governo de Israel em plena destruição de Gaza.
Com informações do portal 247



