A moda underground inspirada na cultura hip-hop vem conquistando cada vez mais espaço no Distrito Federal, impulsionada por marcas autorais e coletivos culturais que transformam o vestuário em ferramenta de identidade, representatividade e conexão com as periferias. As informações são do Correio Braziliense.
Influenciado pelo streetwear, o estilo reúne peças como calças largas, jaquetas bomber e puffer, tênis esportivos, bonés, correntes, bandanas e outros acessórios que remetem à cultura das ruas. Na moda feminina, elementos como tranças afro, unhas com nail art e bolsas de ombro também fazem parte da estética, reforçando a valorização da identidade preta.
Em Brasília, estilistas e coletivos têm investido em marcas independentes, desfiles e eventos que unem moda, música e manifestações culturais ligadas ao trap, funk e às batalhas de rima. Um dos destaques é a Tela Ambulante, coletivo que produz peças inspiradas na realidade das periferias do DF.
Fundador da marca, o estilista Victor Hugo Soulivier afirma que o projeto nasceu de forma independente e hoje reúne mais de 70 colaboradores, além de já ter representado o Brasil na Semana de Moda de Camarões, na África.
A comunicadora Maria Luísa Antunes, fundadora do projeto Visão Periférica e produtora da Entre Quadras Studio, destaca que sua relação com a moda foi construída a partir da aproximação com a cultura hip-hop e da valorização da própria identidade. Segundo ela, esse processo fortaleceu a autoestima e influenciou sua forma de vestir e de enxergar a própria imagem.
Reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Distrito Federal desde 2023, o movimento hip-hop também inspira novas marcas da capital. Entre elas está a New, criada pelo estilista Henzo Ariel, conhecido como Atlantayo. O jovem afirma que a marca surgiu motivada pela trajetória de criadores negros que conquistaram espaço no mercado da moda.
Inspirado em nomes como Virgil Abloh, Will Cypriano e Alisson Abreu, Atlantayo defende que uma marca independente vai além da comercialização de roupas, funcionando como uma comunidade capaz de conectar pessoas por meio de um estilo de vida.
A relação entre moda e música também fortalece o movimento. Rappers, DJs, MCs e artistas do trap utilizam o vestuário como extensão da própria identidade artística. O cantor João Favilla, de Sobradinho, afirma que a maneira de se vestir comunica mensagens e faz parte da expressão cultural dos artistas.
Além das coleções, as marcas têm promovido eventos voltados à cultura urbana. Neste ano, a New realizou a festa New Listen Party, reunindo nomes do rap nacional e um público superior a duas mil pessoas. Já Favilla organiza o Baile Rari, evento que reúne artistas independentes da capital para incentivar a produção cultural local.
Especialistas avaliam que a moda produzida nas periferias exerce um papel que vai além da estética. A pesquisadora Iara Vidal afirma que esse estilo representa autoestima e afirmação para jovens historicamente marginalizados, enquanto Victor Hugo Soulivier defende que a moda se tornou um instrumento de transformação social e cultural, fortalecendo narrativas de pessoas negras, periféricas e LGBTQIA+.
Segundo Iara Vidal, os criadores do Distrito Federal incorporam elementos da realidade brasiliense às produções, construindo uma identidade própria e transformando a moda em uma forma de expressão e pertencimento.
Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.



