TaguaCei — Parlamentares da oposição argentina intensificaram a pressão sobre o governo do presidente Javier Milei para esclarecer a passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) pelo país antes de sua chegada aos Estados Unidos, na quarta-feira (28/10). Ao menos seis iniciativas parlamentares e judiciais foram apresentadas para investigar se autoridades argentinas facilitaram a saída do brasileiro, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.
Segundo informações divulgadas pela imprensa argentina, Flávio entrou no país vizinho na noite de terça-feira (27/10), utilizando um passaporte italiano. Em seguida, embarcou em um jato particular em Puerto Iguazú, fez uma escala em Guayaquil, no Equador, e chegou a Miami, nos Estados Unidos, na manhã seguinte.
A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar, na segunda-feira (26/10), que o senador entregasse os passaportes e não deixasse o Brasil. Flávio, que é investigado em três inquéritos, deixou o território brasileiro acompanhado da esposa, Fernanda, e das filhas.
O episódio também motivou questionamentos sobre o cumprimento das determinações judiciais brasileiras. A Polícia Federal acionou autoridades argentinas para apurar a saída do senador, conforme informações sobre a investigação da possível saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.
Oposição cobra explicações de ministros
O bloco União pela Pátria, principal força de oposição na Câmara dos Deputados argentina, apresentou pedidos para que o governo esclareça as circunstâncias da viagem. Os parlamentares também solicitaram o comparecimento do chefe de Gabinete, do chanceler Pablo Quirno e da ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, para prestar esclarecimentos.
O líder do bloco, Germán Martínez, ainda cobrou que o governo argentino reconheça oficialmente a vitória de Lula. Segundo a reportagem do Metrópoles, a Argentina era o único país da América Latina que ainda não havia reconhecido o resultado eleitoral brasileiro.
O deputado socialista Esteban Paulón apresentou duas iniciativas relacionadas ao caso. Uma delas solicita informações sobre os registros de entrada e saída de Flávio e de seus familiares, além de dados sobre a movimentação da aeronave utilizada no trajeto até Miami.
Paulón também apresentou uma denúncia contra Javier Milei, Pablo Quirno, Alejandra Monteoliva e o assessor presidencial Santiago Caputo. A acusação levanta a suspeita de possível encobrimento e de eventual auxílio para evitar a atuação das autoridades brasileiras. As alegações ainda precisam ser apuradas e não representam comprovação de participação dos citados.
O parlamentar questionou a ausência de controles preventivos, considerando que a determinação judicial brasileira para impedir a saída do senador já havia sido divulgada publicamente.
Flávio agradece a Milei e contesta eleições
Após chegar aos Estados Unidos, Flávio divulgou uma carta na qual agradeceu a Milei pela “coragem, senso de justiça e legalidade”. No documento, o senador afirmou ter deixado o Brasil por considerar que vive sob um “regime de exceção”.
Na primeira versão da carta, Flávio se apresentou como o “verdadeiro presidente eleito”, mas alterou o texto posteriormente. Ele também contestou o resultado eleitoral e acusou integrantes do STF de perseguição política contra ele e sua família, sem apresentar provas que sustentassem as alegações.
Lula venceu o segundo turno com 51,79% dos votos válidos, o equivalente a 64.256.232 votos. Flávio recebeu 48,21%, totalizando 59.826.041 votos. A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos.
A pressão da oposição argentina amplia a repercussão internacional do caso e pode provocar novos questionamentos diplomáticos entre Buenos Aires e Brasília. O andamento das iniciativas parlamentares e judiciais deverá esclarecer se houve falhas nos procedimentos de controle ou participação de autoridades argentinas na viagem do senador.
Fonte: Metrópoles



