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Sob pressão, BRB busca saída para crise um ano após tentar comprar Banco Master

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Em um intervalo de apenas um ano, a ambição de expansão nacional do BRB (Banco de Brasília) se transformou em uma luta pela sobrevivência. Com seu futuro em risco, a instituição do Distrito Federal busca uma solução para cobrir o rombo deixado pela operação com Banco Master, de Daniel Vorcaro.

A real extensão do prejuízo ainda é uma incógnita, uma vez que o último resultado apresentado pelo BRB foi o do segundo trimestre do ano passado. O banco tem até a próxima terça (31) para divulgar o balanço consolidado de 2025, sob risco de multa.

Uma multa diária é aplicada em caso de descumprimento de determinação do Banco Central. Trata-se de uma medida de coerção, pelo prazo máximo de 60 dias. O valor a ser pago varia conforme o porte da instituição. No caso do BRB, a cobrança seria de até R$ 50 mil.

O plano inicial do BRB era divulgar também no dia 31 como pretende equalizar a crise e já apresentar números preliminares do primeiro trimestre deste ano. Mas o BRB enfrenta impasses para cumprir a data-limite, e o Banco Central resiste a conceder tempo extra.

Uma nova falha na entrega dos resultados pode agravar a já delicada situação financeira do BRB. Se não for socorrido a tempo pelo acionista controlador, o governo do Distrito Federal, o banco estatal enfrenta risco concreto de sofrer medidas mais drásticas por parte do BC.

No mapa de possibilidades do órgão regulador está a adoção de Raet (regime de administração especial temporário). Nesse modelo, as atividades da instituição seguem em operação, mas os dirigentes são substituídos por pessoa jurídica especializada indicada pelo BC, com plenos poderes de gestão.

Como mostrou a Folha de S. Paulo, esse risco entrou no radar com a resistência do governo de Ibaneis Rocha (MDB) a assumir um compromisso firme junto ao BC para a capitalização do BRB. A aplicação de Raet no caso do BRB pode abrir caminho para privatização do banco estatal.

O BRB também afirmou que havia ameaça de intervenção ou liquidação extrajudicial por parte do BC, caso não fosse aprovado o plano de socorro à instituição na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

No caso de intervenção, as atividades são suspensas temporariamente (até 12 meses). Esse regime é adotado quando se vê possibilidade de recuperação. Já no caso da liquidação extrajudicial, há retirada da instituição do sistema financeiro nacional. Essa opção é adotada pelo BC quando a situação de insolvência é irrecuperável.

O montante necessário para provisionamento (reserva financeira) é de R$ 8,8 bilhões, de acordo com o presidente do BRB, Nelson de Souza. Mas o valor pode ser ainda maior.

A relação entre o Master e o BRB teve início em 2024. Naquele ano, Daniel Vorcaro se tornou acionista do banco de forma oculta, por trás de fundos de investimento. Auditoria instalada no BRB suspeita que a expansão do patrimônio do BRB via oferta de ações tinha como objetivo final ampliar a capacidade da instituição de fazer negócios com o Master.

Em 28 de março, o BRB fez uma oferta para comprar 58% do capital do Master. Ao longo das tratativas, o BC relatou em um documento sigiloso que foram feitas modificações relevantes na configuração original do pedido, relacionadas ao perímetro da transação.

“Os novos documentos também foram apresentados com inconsistências de dados, problemas nas projeções e incongruências em relação a valores que seriam mantidos ou excluídos da transação, além da ausência de informações e de elementos mínimos indispensáveis ao prosseguimento do exame”, disse o órgão.

Em 3 de setembro, o BC rejeitou a operação de compra do Master pelo BRB. Em 18 de novembro, o conglomerado de Vorcaro foi liquidado.

Ao analisar a atuação do BC no caso, a área técnica do TCU (Tribunal de Contas da União) disse ter visto indícios de que o BRB tenha agido de maneira temerária e cometido erros primários ao insistir na compra do Master, mesmo após o regulador ter identificado suspeitas de fraudes na cessão de carteiras de crédito entre as duas instituições. O banco não comentou as conclusões da AudBancos.

De acordo com as investigações, o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em créditos fraudulentos do banco de Vorcaro. Apenas uma parcela desse prejuízo foi recuperada pelo banco.

Uma semana antes do prazo final para apresentação do balanço do BRB, o governo do Distrito Federal deu um passo importante para a capitalização do banco ao formalizar um pedido de empréstimo de R$ 4 bilhões para o FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

No último dia 10, foi sancionada a lei que autoriza o governo do Distrito Federal a executar ações para socorrer o banco, como a contratação de até R$ 6,6 bilhões em operações de crédito com o FGC ou instituições financeiras.

A administração de Ibaneis recorreu ao FGC por não ter recursos suficientes em caixa depois de ter fechado 2025 com um rombo de R$ 1 bilhão.

A situação financeira do Distrito Federal é tão delicada que ele não tem hoje capacidade de pagamento suficiente para receber garantia do Tesouro Nacional, o que facilitaria a contratação desse crédito e daria condições mais benéficas para a operação, como uma taxa de juros menor.

Como garantias para o empréstimo, a gestão de Ibaneis apresentou participações acionárias de empresas públicas, como Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal), CEB (Companhia Energética de Brasília) e o próprio BRB, além de nove imóveis que pertencem ao Distrito Federal.

No entanto, existem ressalvas com relação às propriedades selecionadas pelo DF. No centro da polêmica está uma área de 716 hectares, conhecida como Serrinha do Paranoá. Segundo ambientalistas, trata-se de um importante manancial hídrico da região. Outra propriedade contestada é o Centrad (Centro Administrativo do Distrito Federal), complexo que está há 12 anos sem uso e passa por um impasse jurídico.

O vaivém de decisões judiciais sobre o uso desses imóveis atrapalhou a estratégia traçada pelo presidente do BRB na constituição de um fundo de investimento imobiliário -opção para completar o valor total do aporte.

Outras alternativas são a venda da Financeira BRB, pela qual o banco avalia poder obter mais de R$ 1 bilhão, além da constituição de um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) com ativos do Master.

Com informações do Jornal de Brasília

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