Ministro da Fazenda afirma que medida atinge também consumidores norte-americanos; café brasileiro está entre os produtos taxados
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou, nesta quinta-feira (31/7), que a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos terá impacto direto também no mercado consumidor norte-americano. “O café da manhã dos americanos vai ficar mais caro”, disse o chefe da equipe econômica a jornalistas em frente ao ministério, em Brasília.
A declaração faz referência à inclusão do café brasileiro na lista de produtos atingidos pela nova política tarifária assinada pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Apesar disso, alguns itens relevantes para a balança comercial foram poupados do aumento, como suco de laranja, aviões civis, castanhas, carne de frango in natura, celulose e determinados insumos agrícolas.
Segundo Haddad, a maior preocupação inicial recaía sobre o suco de laranja, cuja cadeia produtiva é altamente integrada com os Estados Unidos, embora o envase ocorra fora do Brasil.
O chamado “tarifaço”, que passa a valer em 6 de agosto, foi anunciado como parte de uma agenda protecionista e em retaliação ao que Trump chamou de “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em referência a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). O pacote atinge setores estratégicos da economia brasileira, como aço, carne bovina, alumínio e máquinas agrícolas. A decisão foi adiada em uma semana após pressão de empresários norte-americanos e articulação da diplomacia brasileira.
Apesar da lista de exceções divulgada pela Casa Branca, a avaliação dentro do governo federal é de que a medida tem forte cunho político. Integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty veem o gesto como resposta à aproximação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com países como China e Rússia, além do papel do STF em pautas sensíveis ao conservadorismo americano.
Lei Magnitsky
Além das tarifas, o republicano Trump também assinou um decreto que impõe sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, com base na chamada Lei Magnitsky, norma que permite aos EUA punirem estrangeiros acusados de violar direitos humanos. A alegação do governo norte-americano envolve supostos abusos contra cidadãos americanos, em investigações conduzidas pelo magistrado.
Fernando Haddad criticou a decisão e defendeu o ministro. “A perseguição ao ministro Moraes não é o caminho”, declarou o titular da Fazenda. A medida gerou reações imediatas em Brasília. A Advocacia-Geral da União (AGU) classificou as sanções como “injustificáveis”, enquanto parlamentares e autoridades manifestaram solidariedade ao magistrado.
*Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro
Com informações do Correio Braziliense
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