Nicolelis chama programa de incentivos a data centers de “tragédia”

TaguaCei — O neurocientista Miguel Nicolelis criticou a proposta do governo federal de conceder incentivos tributários para a instalação de data centers no Brasil. Conhecido como Redata, o programa prevê benefícios para empresas que investirem em estruturas destinadas ao armazenamento e processamento de grandes volumes de dados.

Para Nicolelis, a iniciativa é uma “tragédia”. “Uma tragédia. O Redata é uma tragédia”, afirmou o cientista ao Correio Braziliense após participar de uma palestra em um evento do Sebrae, em Florianópolis.

Embora não tenha detalhado os motivos da avaliação durante a conversa, a crítica está relacionada às preocupações do neurocientista com a expansão de grandes centros de processamento de dados, principalmente pelos impactos ambientais provocados pelo elevado consumo de energia e água dessas estruturas.

A declaração ocorreu na mesma semana em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para tratar de projetos de interesse do governo em tramitação na Casa. Entre os assuntos discutidos esteve o programa de incentivos para data centers.

Críticas à inteligência artificial

Durante a palestra “IA — nem inteligente e nem artificial”, realizada no Startup Summit, Nicolelis também questionou a ideia de que a inteligência artificial será determinante para o futuro tecnológico.

Segundo o neurocientista, os sistemas atuais trabalham principalmente com padrões e conteúdos produzidos anteriormente pelos seres humanos. Para ele, essa característica pode limitar a capacidade da tecnologia de produzir algo genuinamente novo.

“O que eu chamo de um futuro sem futuro. Se nós focarmos a nossa vida futura baseado no LLM (modelos de linguagem de grande escala) que estuda tudo aquilo que nós já produzimos, nós nunca mais vamos produzir nada novo”, afirmou.

Nicolelis utilizou a produção artística para exemplificar seu argumento. Segundo ele, sistemas que utilizam estatísticas de obras já existentes podem reproduzir determinados padrões, mas não necessariamente gerar manifestações artísticas originais.

“Se você pegar um programa que pinta quadros com a estatística ou compõe sinfonias com a estatística de Mozart, você nunca vai tirar uma Tarsila do Amaral e nunca vai tirar um Elton John”, disse.

“Lucidez” diante da tecnologia

Em outro momento da palestra, o neurocientista defendeu que a sociedade busque “lucidez” diante da valorização da rapidez proporcionada pelas ferramentas de inteligência artificial.

Nicolelis também afirmou ter ficado surpreso com elogios relacionados ao hábito de ler livros e escrever após as leituras.

“Dos elogios, o que me chocou foram as pessoas falarem o seguinte: nossa, isso ainda existe, alguém ainda lê livros de verdade, reflete e escreve depois de ler”, relatou.

Investimentos em neurociência

Médico de formação e especialista em neurologia, Nicolelis também defendeu o aumento dos investimentos em pesquisa e no tratamento de doenças neurológicas.

Segundo o neurocientista, cerca de 3,4 bilhões de pessoas no mundo convivem com alguma das 37 doenças neurológicas identificadas.

“O mundo tem 3,4 bilhões de pessoas sofrendo com uma das 37 doenças neurológicas. Isso é 43% da humanidade”, afirmou.

Para ele, a neurociência e a neurotecnologia deveriam ser tratadas como prioridades diante do avanço dos problemas relacionados às doenças cerebrais.

Fonte: Correio Braziliense

Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.

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