O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a crise enfrentada pelo Banco de Brasília (BRB) deverá ser resolvida pelo Governo do Distrito Federal (GDF), descartando qualquer possibilidade de intervenção direta da União. A declaração foi dada em entrevista à GloboNews na quarta-feira (1º), conforme noticiado pelo jornal Valor Econômico.
Durigan explicou que, embora não haja previsão de socorro federal ao banco público distrital, instituições federais como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil podem atuar na compra de ativos do BRB, dentro de uma lógica de mercado.
“[Caixa e BB] podem comprar ativos do BRB, o que não vai ter é uma intervenção federal, ou uma ajuda específica federal. O governo do DF tem que conseguir lidar com a situação do BRB, e se, eventualmente, a gente estiver com uma situação de risco sistêmico, o próprio Banco Central tem que conduzir uma conversa com o governo federal”, afirmou o ministro.
Segundo ele, essas operações podem incluir a aquisição de carteiras de crédito ou títulos, de forma semelhante ao que já é feito por bancos privados. “Caixa e Banco do Brasil podem atuar como funcionam os bancos privados. Então, podem comprar carteira, eventualmente, comprar títulos”, acrescentou.
Durigan também destacou que o Tesouro Nacional autorizou a transferência de carteiras do BRB que possuem garantia da União para outras instituições financeiras, sem que isso implique perda dessa garantia. “O Tesouro deu o aval para a cessão da carteira com garantia do Tesouro. Então, vai sair do BRB, vai para um outro banco, e o Tesouro mantém o aval. Então, o outro banco tem total condição de assumir essa carteira do BRB”, explicou.
Crise de liquidez e limites da atuação federal
O BRB enfrenta uma crise de liquidez após os desdobramentos do escândalo envolvendo o banco Master, o que elevou a pressão sobre a instituição controlada pelo governo do Distrito Federal. Ainda assim, Durigan reforçou que não há autorização do Ministério da Fazenda para discutir uma eventual federalização do banco.
“Isso é um tema que não tem um ok do Ministério da Fazenda para avançar nesse debate”, disse o ministro, ao ser questionado sobre a possibilidade de intervenção federal.
A posição do governo federal indica uma estratégia de contenção de riscos sistêmicos por meio de mecanismos de mercado, evitando o uso direto de recursos públicos da União para socorrer o banco regional.
Possível atuação do Banco Central
Durigan ponderou, no entanto, que em um cenário de agravamento da crise com risco sistêmico, o Banco Central poderá assumir papel central na coordenação de soluções, inclusive dialogando com o governo federal.
A sinalização reforça a autonomia da autoridade monetária em situações de estabilidade financeira, ao mesmo tempo em que mantém a responsabilidade primária da gestão do problema sob o GDF.
A crise do BRB segue sendo monitorada pelo mercado, enquanto o governo do Distrito Federal busca alternativas para estabilizar a instituição sem recorrer ao apoio direto da União.
Com informações do portal 247
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