TaguaCei — Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam pedir o fim do sigilo das investigações do caso “Dark Horse” após a divulgação de novos diálogos envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A estratégia busca deslocar o foco da crise para as suspeitas envolvendo Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, integrantes da campanha de Lula tentaram, na terça-feira (1º), reduzir os possíveis impactos políticos das mensagens envolvendo Moraes e sustentar que os desdobramentos das investigações podem atingir principalmente Flávio Bolsonaro, apontado como um dos principais adversários de Lula na disputa eleitoral.
O caso “Dark Horse” envolve investigações sobre a relação entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro. Para aliados do presidente, as novas revelações reforçam a necessidade de tornar públicos os conteúdos que permanecem sob sigilo.
Negociação envolvendo filme
A pressão pelo fim do sigilo aumentou após a revista piauí divulgar detalhes de uma negociação entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro relacionada a um suposto financiamento de um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com a publicação, Vorcaro teria realizado um repasse adicional de US$ 1,6 milhão, equivalente a cerca de R$ 8,5 milhões na cotação da época, ao fundo responsável pela administração dos recursos do longa.
Lula deve cobrar explicações
Segundo pessoas próximas ao presidente ouvidas pela reportagem original, Lula tende a buscar explicações sobre o episódio e preservar distância em relação a Moraes. A avaliação dentro do grupo é que o presidente pode adotar postura semelhante à utilizada quando surgiram acusações envolvendo seu filho, Luiz Inácio Lula da Silva, o Lulinha.
Lula também já havia criticado a participação de Moraes em decisões relacionadas ao caso Banco Master. Em abril, o presidente afirmou ter aconselhado o ministro a se declarar impedido.
Na ocasião, Lula declarou que Moraes havia construído uma “biografia histórica” com o julgamento dos atos de 8 de janeiro e não deveria permitir que o caso envolvendo Vorcaro comprometesse sua trajetória.
O presidente também lembrou que Moraes integrou o governo de Michel Temer (MDB), em uma tentativa de afastar a ideia de que o ministro teria alinhamento automático com seu governo.
Relação com Vorcaro gera pressão sobre Moraes
As novas informações, no entanto, também aumentaram a pressão política sobre Alexandre de Moraes. Uma das revelações indica que Vorcaro teria perguntado ao ministro, dois dias antes de ser preso, se deveria deixar o país.
Também foi divulgado que Moraes teria editado um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master.
Moraes é relator de investigações relacionadas ao Banco Master e também de processos envolvendo desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O ministro foi indicado ao STF durante o governo Jair Bolsonaro.
Cautela entre aliados
Apesar da estratégia de tentar concentrar o debate nas relações entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro, outros aliados de Lula demonstram cautela. O grupo avalia que ainda existem questões sem esclarecimento envolvendo Moraes e Vorcaro e que não é possível dimensionar o impacto da crise dentro do Supremo ou sobre a disputa eleitoral.
A preocupação é que parte do eleitorado associe politicamente Lula a Moraes. Aliados também reconhecem que crises institucionais podem acabar sendo atribuídas ao governo em exercício, mesmo quando o presidente não tem participação direta nos fatos investigados.
O episódio também pode fortalecer candidatos ao Senado ligados à extrema direita que defendem o impeachment de Moraes. Após as novas revelações, Flávio Bolsonaro afirmou que o ministro não teria condições de permanecer no STF.
Petistas avaliam ainda que a crise pode ser explorada por setores bolsonaristas para reforçar questionamentos sobre as urnas eletrônicas e a eleição de Lula. A preocupação é que uma escalada do conflito institucional ocorra justamente durante o período eleitoral.
A reação de Lula, segundo aliados, deverá depender da repercussão das novas revelações entre os eleitores. Uma pessoa próxima ao presidente chegou a avaliar que uma eventual saída de Moraes poderia abrir espaço, caso Lula seja reeleito, para que o petista indique outro ministro para o Supremo.
Fonte: Brasil 247, com informações atribuídas à Folha de S.Paulo e à revista piauí.
Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.



