TaguaCei — A carne bovina brasileira passou a pagar uma tarifa total de 67% para entrar no mercado chinês a partir desta quinta-feira (1º). Uma sobretaxa de 55% foi acrescentada à tarifa regular de 12% depois que o Brasil atingiu a cota anual de exportação estabelecida pela China.
O Brasil alcançou o limite de 1,106 milhão de toneladas previsto para 2026. Para 2027, a cota será elevada para 1,128 milhão de toneladas, mas representantes do setor estimam que esse volume possa ser novamente atingido já em março ou abril do próximo ano.
A mudança preocupa frigoríficos e pecuaristas, que avaliam antecipar abates e embarques para aproveitar o limite de exportação de 2027.
China é principal destino da carne brasileira
A China se tornou o principal destino da carne brasileira e ganhou espaço significativo nas exportações do setor na última década.
Entre 2016 e 2025, o Brasil enviou 8,2 milhões de toneladas de carne bovina ao mercado chinês, movimentando US$ 42,3 bilhões.
O volume exportado passou de 164,9 mil toneladas em 2016 para 1,6 milhão de toneladas em 2025. A forte concentração das vendas na China aumenta a preocupação do setor com os efeitos da sobretaxa sobre os frigoríficos.
Setor estuda antecipar embarques de 2027
Diante da possibilidade de a próxima cota ser novamente esgotada rapidamente, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) discute estratégias para antecipar a produção e os embarques.
A previsão é que os abates possam ser realizados ainda em outubro, enquanto os embarques ocorreriam em novembro. Como a viagem marítima entre Brasil e China leva entre 40 e 45 dias, a expectativa é que a carne chegue ao mercado chinês em janeiro de 2027.
A estratégia permitiria utilizar parte da cota do próximo ano logo no início de sua vigência. O ritmo das compras chinesas, no entanto, também será determinante para o desempenho das exportações.
Frigoríficos buscam outros mercados
Segundo a Abiec, os efeitos da restrição começaram antes mesmo do esgotamento oficial da cota. Nos últimos meses, frigoríficos reduziram as vendas para a China e passaram a buscar compradores em outros mercados.
A entidade também voltou a discutir com o governo uma divisão da cota de 2027 entre os frigoríficos. A proposta pretende distribuir os embarques durante o ano e evitar que poucas empresas concentrem o volume disponível.
Na terça-feira (29), a China autorizou mais duas unidades brasileiras a exportar carne bovina, sendo uma localizada em Minas Gerais e outra em Pernambuco.
China adota sistema de cotas
A China implementou o sistema de cotas como uma medida de proteção ao mercado interno diante do aumento das importações. A sobretaxa não atinge exclusivamente o Brasil e também afeta outros fornecedores.
O mercado chinês enfrenta um cenário de preços mais baixos da carne bovina e aumento da oferta doméstica. As importações do produto pelo país passaram de menos de 1,5 milhão de toneladas em 2018 para aproximadamente 2,8 milhões de toneladas nos últimos anos.
O Brasil atualmente responde por mais de 40% do volume de carne bovina importado pela China.
A mudança ocorre em um momento de atenção do setor brasileiro às condições de acesso ao mercado chinês. A Abiec estima que as exportações totais de carne bovina do Brasil recuem cerca de 10% em 2026 na comparação com 2025, em um cenário que também inclui restrições adotadas pela União Europeia.
Fonte: Agência Brasil



