TaguaCei — A paralisação nacional dos entregadores por aplicativo, realizada na terça-feira (1º/9), foi marcada por episódios de conflito entre trabalhadores no Distrito Federal. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram discussões e abordagens envolvendo motociclistas que aderiram ao movimento e outros que decidiram continuar trabalhando durante o chamado Breque Geral dos Apps.
A mobilização ocorreu em diferentes cidades brasileiras e teve como objetivo pressionar empresas e autoridades por melhorias nas condições de trabalho. Entre as principais reivindicações estão o aumento dos valores pagos por corrida, mais transparência nos critérios utilizados para bloqueio de contas e a definição de uma remuneração mínima para os trabalhadores.
No Distrito Federal, entretanto, alguns episódios de tensão chamaram a atenção. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram entregadores discutindo em frente a estabelecimentos comerciais e tentando impedir colegas de retirarem pedidos.
Em um dos casos, um motociclista foi abordado enquanto buscava uma encomenda em um estabelecimento de uma rede de bolos caseiros. Segundo as imagens divulgadas, o trabalhador foi impedido de seguir com a entrega.
Também houve registro de conflito no Riacho Fundo I. Um entregador que não havia aderido à paralisação foi cercado por outros motociclistas logo após retirar uma encomenda. Durante a confusão, o pedido acabou caindo no chão.
Polícia Militar foi acionada
A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) informou que foi chamada para atender uma ocorrência nas proximidades de uma lanchonete. Os policiais conversaram com o proprietário do estabelecimento e analisaram imagens do circuito interno de segurança.
Com base nas imagens, os envolvidos foram identificados, localizados e abordados pela equipe policial. De acordo com a PMDF, todos foram ouvidos e apresentaram suas versões sobre o ocorrido.
A corporação informou ainda que nenhum dos envolvidos demonstrou interesse em registrar a ocorrência em uma delegacia. Por esse motivo, o caso foi encerrado sem a abertura de procedimento policial.
Sindicato critica conflitos, mas apoia reivindicações
O presidente do Sindicato dos Motociclistas Profissionais do Distrito Federal (Sindmoto-DF), Luiz Carlos Garcia, lamentou os episódios de violência e afirmou que a entidade não participou da organização da paralisação.
Segundo ele, apesar dos conflitos, a mobilização representa uma insatisfação crescente entre os profissionais que trabalham para plataformas de entrega.
“Essa mobilização nasceu da vontade das ruas, mas somos a favor da luta dos trabalhadores da categoria”, afirmou.
Luiz Carlos disse que as reivindicações envolvem trabalhadores de plataformas como iFood, Uber e 99 e defendeu medidas para melhorar a remuneração e a segurança dos entregadores.
O dirigente também criticou as condições de trabalho e afirmou que muitos acidentes envolvendo motociclistas acabam sendo tratados apenas como ocorrências de trânsito, sem considerar a relação com a atividade profissional.
Outro ponto questionado pelo sindicalista é o modelo de trabalho adotado pelas plataformas. Para ele, embora as empresas apresentem os entregadores como profissionais autônomos, os trabalhadores não teriam plena autonomia sobre sua atividade.
Reivindicações dos entregadores
Organizado principalmente por meio das redes sociais e de grupos de mensagens, o Breque Geral dos Apps orientou os trabalhadores a permanecerem desconectados dos aplicativos durante o período de mobilização.
Em algumas cidades, a paralisação também foi acompanhada por buzinaços, carreatas e manifestações.
Entre as reivindicações apresentadas estão o pagamento mínimo de R$ 10 para corridas de até quatro quilômetros e uma remuneração de R$ 2,50 por quilômetro percorrido. Os entregadores também cobram mais transparência nos critérios utilizados pelas plataformas para suspender ou bloquear contas.
A categoria reivindica ainda mecanismos de proteção social e previdenciária e regras que proporcionem maior previsibilidade aos ganhos dos trabalhadores.
Apesar dos conflitos registrados no Distrito Federal, representantes dos entregadores afirmam que o objetivo principal do movimento continua sendo pressionar empresas e autoridades por mudanças nas condições de trabalho e ampliar o diálogo sobre as reivindicações da categoria.
Fonte: Correio Braziliense
Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.



