TaguaCei — A creatina é um dos suplementos mais estudados pela ciência esportiva e pode contribuir para o aumento da força, o desempenho físico e a manutenção da massa muscular. Segundo especialistas e evidências científicas, o consumo nas doses recomendadas não provoca danos renais em pessoas saudáveis. Ainda assim, o uso exige atenção, especialmente entre pessoas com doenças preexistentes. O tema também está relacionado ao debate sobre a necessidade e os cuidados no consumo de suplementos alimentares.
A substância atua no fornecimento rápido de energia para as células musculares. De acordo com o professor de educação física Wilson Brasil, da D’stak Academia, a creatina fica armazenada nos músculos e participa da regeneração do trifosfato de adenosina (ATP), molécula responsável por fornecer energia para a contração muscular.
O processo ajuda a manter a força e a potência durante atividades físicas de alta intensidade e curta duração. A creatina também provoca aumento da água dentro das células musculares, o que pode ampliar o volume dos músculos. Esse mecanismo é diferente da retenção de líquido sob a pele.
Creatina e saúde dos rins
Uma das principais preocupações relacionadas ao suplemento é a possibilidade de danos renais. A dúvida ocorre porque a creatina é convertida naturalmente em creatinina, substância eliminada pelos rins e utilizada como marcador em exames de sangue.
Segundo o médico nutrólogo Alexandre Duarte, especialista em fisiologia metabólica do Instituto Avantgarde, o aumento da creatinina nos exames de pessoas que utilizam o suplemento não significa necessariamente que exista uma lesão nos rins.
O especialista cita uma revisão científica publicada em 2026, que reuniu 26 estudos e 1.036 participantes. Os resultados identificaram aumento da creatinina no sangue, mas não apontaram redução significativa da taxa de filtração renal quando avaliada por um método independente desse marcador.
A ressalva é que pessoas com doenças renais diagnosticadas não devem iniciar a suplementação por conta própria. Nesses casos, a decisão depende da condição clínica, da função dos rins e dos medicamentos utilizados.
Benefícios para idosos e funções cognitivas
A creatina também tem sido estudada como aliada na preservação da saúde muscular durante o envelhecimento. A combinação do suplemento com exercícios de resistência pode contribuir para combater a sarcopenia, caracterizada pela perda progressiva de massa e força muscular.
Uma revisão de oito ensaios clínicos identificou ganhos adicionais de massa magra e força entre idosos que combinaram a suplementação com atividades físicas.
Na área cognitiva, pesquisas recentes investigam a participação da creatina no metabolismo energético das células cerebrais. Alguns estudos observaram melhora em testes de memória entre adultos de até 60 anos. No entanto, ainda são necessárias pesquisas adicionais para confirmar possíveis efeitos preventivos contra doenças neurodegenerativas em pessoas mais velhas.
Qual quantidade é recomendada?
Os especialistas citados na reportagem indicam o consumo diário de 3 a 5 gramas de creatina monohidratada, forma mais utilizada nos estudos científicos. A regularidade do consumo é importante para alcançar os resultados observados nas pesquisas.
Outras versões comercializadas, geralmente mais caras, não demonstraram superioridade consistente em eficácia ou absorção.
Apesar dos benefícios, a suplementação não substitui alimentação equilibrada, exercícios físicos e acompanhamento profissional. Pessoas com problemas renais ou outras condições de saúde devem buscar orientação médica antes de iniciar o consumo.
Fonte: Metrópoles



