TaguaCei — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá de ampliar sua base política e eleitoral para tentar reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, na avaliação de Felipe Nunes, diretor da Quaest. Para o pesquisador, a construção de uma frente ampla, a busca por eleitores que se afastaram do governo e a mobilização de quem não votou no primeiro turno serão alguns dos principais desafios da nova etapa da disputa.
A análise foi publicada pelo Brasil 247 com base em entrevista concedida por Nunes ao jornal O Globo. O pesquisador considera que Flávio chega ao segundo turno em uma posição inicialmente favorável, levando em conta o histórico das eleições presidenciais brasileiras, nas quais o candidato que terminou o primeiro turno na liderança conseguiu vencer a etapa seguinte.
Voto útil favoreceu Flávio
Segundo Felipe Nunes, um dos movimentos importantes da reta final do primeiro turno foi a concentração do chamado voto útil entre candidaturas de direita.
Na avaliação do diretor da Quaest, parte dos eleitores que inicialmente apoiavam outras opções migrou para Flávio Bolsonaro, contribuindo para o crescimento da candidatura.
Nunes também aponta uma mudança no comportamento eleitoral brasileiro. Segundo ele, a identificação dos eleitores com a esquerda, a direita ou o centro passou a ter um peso maior nas decisões de voto, enquanto diminuiu a parcela de pessoas que não se identificam com nenhum desses campos.
Insatisfação com o governo
Outro fator apontado pelo pesquisador é a insatisfação de parte do eleitorado com o governo Lula.
Nunes relaciona esse cenário à avaliação negativa da administração, à percepção de que houve dificuldade para produzir uma melhora mais disseminada nas condições de vida e à insatisfação com algumas das principais questões enfrentadas pela população.
Na análise, o diretor da Quaest também menciona o impacto de crises e episódios políticos sobre a percepção de parte do eleitorado. Segundo ele, alguns desses eleitores passaram a associar os problemas ao próprio sistema político.
Frente ampla é apontada como caminho
Para Felipe Nunes, um dos principais desafios de Lula será reconstruir uma frente ampla capaz de reunir setores que estiveram próximos do presidente em outros momentos, mas que se afastaram ou optaram por outras candidaturas no primeiro turno.
Entre os grupos citados estão eleitores de perfil liberal e segmentos que, segundo a análise, demonstraram insatisfação com o atual governo.
Os votos recebidos pelos candidatos que não avançaram para o segundo turno também são considerados relevantes. Juntos, eles representam uma parcela expressiva do eleitorado e podem ser disputados pelos dois finalistas.
Ao mesmo tempo, Nunes ressalta que parte desse eleitorado rejeita tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro, o que dificulta a transferência automática desses votos para qualquer um dos candidatos.
Abstenção também entra no cálculo
A mobilização dos eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno é outro elemento destacado pelo diretor da Quaest.
A redução da abstenção poderá alterar a composição do eleitorado que participará da votação de 25 de outubro, tornando esse grupo um dos focos das campanhas.
A participação eleitoral ganhou importância ainda maior diante da diferença relativamente pequena registrada entre Lula e Flávio no primeiro turno.
Debates podem ganhar importância
Nunes também considera que os debates terão papel relevante no segundo turno. Com apenas dois candidatos, Lula e Flávio Bolsonaro terão mais oportunidades de confrontar diretamente suas propostas e tentar alcançar eleitores indecisos ou que ainda rejeitam as duas candidaturas.
A nova fase da campanha também deverá ser marcada pela disputa pelos votos dos candidatos eliminados no primeiro turno e pela tentativa de ampliar alianças políticas.
Para o diretor da Quaest, a possibilidade de Lula alterar o cenário passa, portanto, por uma combinação de fatores: reconstrução de uma frente ampla, recuperação de eleitores decepcionados, disputa pelos votos das demais candidaturas e mobilização dos brasileiros que não participaram da primeira votação.
A eleição presidencial terá o segundo turno em 25 de outubro.
Fonte: Brasil 247



