Para a deputada federal Érika Kokay (PT-DF), o possível rombo de R$ 12,5 bilhões nas contas do Banco de Brasília (BRB), em razão das negociações realizadas com o Banco Master — que foi liquidado extrajudicialmente —, pode ter envolvimento direto do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). A parlamentar fez a afirmação em entrevista ao TaguaCei, logo após os partidos PT, PV, PCdoB, Rede Sustentabilidade e PDT protocolarem, na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), mais um pedido de impeachment contra o governador.
“É um verdadeiro absurdo o que fizeram com o Banco de Brasília e como utilizaram o Banco de Brasília para efetivar operações que visavam interesses privados ou os interesses de salvar o Banco Master. Eu lembro muito da fala do governador do Distrito Federal acusando-nos [partidos de oposição] de termos impedido a compra do Banco Master pelo BRB, dizendo que nós tínhamos feito um gol contra Brasília”, afirmou a deputada.
Conforme ressalta Érika Kokay, o próprio Ibaneis Rocha se envolveu pessoalmente na tentativa de compra do Banco Master pelo BRB. Segundo ela, justamente por essa participação direta, o governador precisa responder pelos atos praticados.

“Portanto, o governador do Distrito Federal tem que responder pelos seus atos. Nesse sentido, nós entramos com um pedido de impeachment para que esta Casa, que tem o poder e o dever de investigar todas as irregularidades e os crimes cometidos contra Brasília, possa atuar nessa perspectiva”, declarou.
O BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025 — e o Ministério Público vê indícios de gestão fraudulenta nessas transferências. Toda a operação, conforme lembra a deputada, foi chancelada pela CLDF, que aprovou, por maioria dos deputados distritais, a compra do Banco Master pelo banco público do Distrito Federal.
“A Câmara Legislativa tem a oportunidade de levar adiante o processo de impeachment, de assegurar que haja uma CPI para investigação e de recuperar a sua moral frente à cidade. É uma Câmara que aprovou e autorizou esse negócio fraudulento, mas que teve a oposição dos partidos realmente comprometidos com o Distrito Federal”, disse.
A deputada afirma ainda que aceitar e abrir um processo de impeachment na CLDF é uma forma de corrigir a postura adotada pelos parlamentares ao aprovar a compra de um banco falido.
“A maioria dos 16 parlamentares tem agora a oportunidade de refazer a sua imagem e a sua trajetória, e de não carregar essa marca extremamente cruel de corrupção, de conveniência e de complacência com o crime cometido contra o Banco de Brasília”, concluiu Érika Kokay.
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