Perícia aponta falhas técnicas e operacionais em acidente da Voepass que matou 62 pessoas

A perícia da Polícia Federal (PF) concluiu que a queda da aeronave da Voepass, ocorrida em agosto de 2024 em Vinhedo (SP), foi causada por uma combinação de falhas técnicas, erros operacionais e descumprimento de procedimentos de segurança previstos pelo fabricante. O laudo também indica que problemas no sistema de degelo eram recorrentes e já eram conhecidos pelas tripulações antes do acidente. As informações foram publicadas pelo Correio Braziliense.

Segundo a investigação, a aeronave apresentava falhas frequentes no sistema pneumático de degelo, responsável por impedir o acúmulo de gelo nas superfícies do avião. As anomalias foram registradas em voos anteriores e voltaram a ocorrer durante a viagem que terminou na morte de 62 pessoas.

O laudo obtido pela TV Globo revela que, no voo realizado imediatamente antes do acidente, entre Guarulhos (SP) e Cascavel (PR), o comandante comentou o desprendimento de gelo da aeronave e, após o pouso, respondeu ao copiloto com a frase “Chegamos vivos”. Já no voo seguinte, que caiu em Vinhedo, o piloto comparou o avião ao personagem “Herbie”, conhecido como “Fusquinha”, ao comentar uma nova falha no sistema de degelo.

De acordo com a Polícia Federal, o alerta “AIRFRAME FAULT”, registrado ainda durante a subida da aeronave, indicava falha no sistema de degelo. Nessa situação, o manual do fabricante determinava que a tripulação deixasse imediatamente a área de formação de gelo. A perícia concluiu, porém, que esse procedimento não foi adotado.

Durante a aproximação para São Paulo, o acúmulo de gelo voltou a ser identificado pela tripulação. Pouco depois, o sistema passou a emitir diversos alertas automáticos, entre eles o aviso para aumento de velocidade e, na sequência, o alarme de estol, situação em que a aeronave perde sustentação. Em menos de um minuto, o avião entrou em parafuso e caiu.

Segundo os peritos, os pilotos deixaram de executar, no momento adequado, procedimentos previstos para falhas no sistema de degelo, operação em condições severas de gelo e recuperação de estol. A análise aponta que houve aproximadamente 20 segundos entre o alerta de perda de desempenho e o início da perda de controle da aeronave, período em que ainda seria possível adotar medidas corretivas.

A investigação também revelou que a mensagem de falha no sistema de degelo havia sido registrada em pelo menos outros três voos anteriores. Em todas as ocasiões, as tripulações tentaram restabelecer o funcionamento do equipamento desligando e religando o sistema, sem registrar oficialmente as falhas.

Para a Polícia Federal, a ausência desses registros permitiu que a aeronave continuasse operando em rotas com previsão de formação de gelo, situação que, segundo a Lista de Equipamentos Mínimos, não seria permitida caso o problema tivesse sido formalmente comunicado.

Além das falhas no sistema de degelo, os investigadores identificaram irregularidades no despacho operacional da aeronave, que decolou mesmo apresentando defeito no limpador do para-brisa, em desacordo com os procedimentos previstos para voos com previsão de chuva no destino.

O laudo, com cerca de 200 páginas, conclui que o acidente foi resultado da sucessão de falhas nas barreiras de segurança antes e durante o voo. A Polícia Federal deve finalizar o inquérito com a indicação de eventuais responsabilidades criminais, enquanto a investigação conduzida pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) permanece voltada exclusivamente à prevenção de novos acidentes.

Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.

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