TaguaCei — O Senado do Paraguai retoma nesta sexta-feira (6/11), a partir das 10h, o julgamento do processo de impeachment do presidente Santiago Peña. Convocado a comparecer ao Congresso, o chefe do Executivo deverá apresentar sua defesa diante das acusações aprovadas pela Câmara dos Deputados. Peña confirmou que participará da sessão e afirmou que pretende contestar as denúncias com argumentos e provas. O presidente paraguaio esteve recentemente em Assunção durante a reunião de cúpula do Mercosul, que reuniu líderes sul-americanos.
“Diante da continuidade do processo de impeachment, apresentarei-me e exercerei meu direito à defesa. Farei isso com argumentos e provas, com respeito à Constituição e às instituições da República”, declarou o presidente nas redes sociais.
O julgamento começou às 19h45 de quinta-feira (5/11), depois que a Câmara dos Deputados aprovou a acusação contra Peña. Na primeira sessão, parlamentares responsáveis pela acusação apresentaram os argumentos que fundamentam o pedido. A audiência foi interrompida às 21h e deverá ser retomada nesta sexta-feira.
O pedido de impeachment foi apresentado por um grupo de deputados na quarta-feira (4/11). No dia seguinte, Peña anunciou, em um vídeo publicado nas redes sociais, que renunciaria ao cargo. “Nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”, afirmou.
A renúncia, porém, não foi aceita, e a Câmara deu prosseguimento ao processo, encaminhando o caso ao Senado. Após a apresentação da defesa, os parlamentares deverão analisar as provas, ouvir os argumentos das partes e realizar uma votação nominal. A intenção é concluir o julgamento ainda nesta sexta-feira.
Acusações contra o presidente
Peña é acusado de favorecer o Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, instituição da qual foi acionista até março de 2025. Também pesa contra ele a suspeita de omissão na fiscalização do banco pelo Banco Central do Paraguai (BCP).
O ex-presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, havia dirigido o banco digital até 2023. As acusações apontam ainda possíveis prejuízos à confiança no sistema financeiro paraguaio e uma suposta intervenção indevida no Instituto de Previdência Social (IPS), órgão responsável pela administração das aposentadorias e pela assistência à saúde dos trabalhadores.
O Ueno Bank administrava quase R$ 4,5 bilhões em recursos públicos, incluindo valores da Previdência. O presidente também é alvo de acusações relacionadas a possíveis indícios de enriquecimento ilícito.
A votação no Senado definirá o desfecho do processo de impeachment e o futuro político de Santiago Peña.
Fonte: Metrópoles



