TaguaCei — O Distrito Federal confirmou oito casos de mpox em outubro e chegou a 23 diagnósticos da doença em 2026, segundo dados divulgados pela Secretaria de Saúde (SES-DF). O aumento das ocorrências levou as autoridades a investigar a origem das infecções e a possibilidade de transmissão comunitária. A capital já enfrentou esse cenário em 2022, quando a Secretaria de Saúde confirmou a circulação comunitária do vírus no DF.
O número registrado neste ano se aproxima dos 25 casos confirmados em todo o ano passado. Desde 2022, quando começou a disseminação global da doença, Brasília contabiliza 425 diagnósticos.
De acordo com a infectologista e professora de medicina do Centro Universitário de Brasília (Ceub), Eveline Fernandes Nascimento, os oito registros em um único mês representam um sinal de atenção para a vigilância epidemiológica, mas não caracterizam, isoladamente, um surto ou uma situação de transmissão descontrolada.
A especialista destaca que é necessário avaliar a distribuição dos casos, os vínculos entre as pessoas infectadas e os possíveis locais de exposição para identificar se há transmissão comunitária.
Lacen investiga qual cepa está circulando
A mpox é uma doença infecciosa causada pelo vírus MPXV. A manifestação mais característica é o surgimento de erupções cutâneas e lesões na pele, que podem se assemelhar a bolhas ou feridas e costumam provocar dor.
Até o momento, a cepa predominante entre os casos recentes no Distrito Federal não foi identificada. Segundo a SES-DF, o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-DF) realiza análises complementares em amostras para determinar o tipo viral.
O infectologista Daniel Paffili Prestes explica que identificar a linhagem do vírus ajuda a compreender quais variantes estão circulando, verificar a possível introdução de novas linhagens e orientar as estratégias de vigilância e prevenção.
Segundo o especialista, porém, a identificação da cepa não determina, por si só, a gravidade de cada caso nem significa necessariamente uma mudança no tratamento. A conduta médica considera os sintomas, a extensão das lesões, possíveis complicações e as condições individuais do paciente.
Sintomas e sinais de alerta
As lesões da mpox podem começar como pequenas manchas ou elevações na pele, evoluir para bolhas ou pústulas e, posteriormente, formar crostas. Elas podem aparecer em diferentes partes do corpo, inclusive na região genital, anal e na boca.
Além das alterações na pele, outros sintomas que podem ocorrer são:
- Febre;
- Calafrios;
- Dor de cabeça;
- Inchaço dos linfonodos, conhecido como ínguas;
- Lesões dolorosas na pele e nas mucosas.
O infectologista Daniel Paffili Prestes alerta que a doença pode ser confundida com outras condições dermatológicas. Por isso, a aparência das lesões, isoladamente, não é suficiente para confirmar o diagnóstico.
A transmissão ocorre enquanto houver presença do vírus nas lesões. De acordo com a médica patologista Maria Gabriela de Lucca Oliveira, o período costuma durar de duas a quatro semanas. O fim do isolamento deve ocorrer somente após o desaparecimento dos sintomas e a cicatrização completa da pele.
A diretora de Vigilância Epidemiológica da SES-DF, Juliane Maria Malta, orienta que pessoas com aparecimento súbito de lesões nas mucosas ou erupções cutâneas, como bolhas e pústulas, procurem uma unidade de saúde para avaliação.
DF aguarda novas doses da vacina
Não existe medicamento específico para tratar a mpox. O atendimento é direcionado ao alívio dos sintomas e à prevenção de complicações. A vacinação está disponível para grupos com maior risco de evolução grave, conforme os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
A imunização pode ser indicada antes da exposição, para profissionais de saúde e pessoas imunossuprimidas que atendam aos critérios definidos, ou após contato direto com um caso suspeito ou confirmado.
Entretanto, o Distrito Federal está sem estoque do imunizante. Segundo a gerente da Rede de Frio da SES-DF, Teresa Luiz Pereira, o governo local mantém tratativas com o Ministério da Saúde para receber novas doses.
Quando houver reabastecimento, a vacina deverá ser encaminhada ao Hospital Universitário de Brasília (HUB), única unidade do DF que realiza a aplicação. A gerente ressaltou que a vacinação depende de avaliação técnica para verificar se a pessoa atende aos critérios de indicação.
A Secretaria de Saúde recomenda que pessoas com sintomas suspeitos procurem atendimento médico e evitem contato próximo com outras pessoas até receberem orientação profissional.
Fonte: Correio Braziliense



