Em um novo sinal da recuperação da economia brasileira, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) revisou para cima suas projeções para 2026 e passou a estimar que as vendas de veículos novos superarão a marca de 3 milhões de unidades neste ano, o melhor desempenho desde 2014. As informações foram publicadas pela Motor Show, com base em dados da Reuters.
A nova estimativa reforça o momento positivo vivido pela indústria automobilística durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a Anfavea, os emplacamentos deverão crescer 12,1% em relação a 2025, alcançando 3,01 milhões de veículos vendidos, muito acima da previsão inicial divulgada em janeiro, quando a entidade projetava expansão de apenas 2,7%.
Em 2025, o mercado brasileiro comercializou 2,69 milhões de veículos novos.
Mercado de veículos leves lidera crescimento
O principal motor da expansão será o segmento de veículos leves, que deverá registrar crescimento de 13% nas vendas ao longo de 2026.
Já o mercado de veículos pesados, especialmente caminhões, deverá seguir trajetória oposta, com retração estimada de 6%.
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, afirmou que o setor vive dois cenários distintos.
Segundo ele, o mercado de automóveis apresenta crescimento “robusto”, enquanto o segmento de caminhões continua enfrentando dificuldades ao longo deste ano.
Produção também supera expectativas
A melhora das perspectivas não se limita às vendas.
A Anfavea elevou também sua previsão para a produção nacional de veículos. Agora, a expectativa é de crescimento de 5,8% em 2026, alcançando aproximadamente 2,80 milhões de unidades produzidas.
Em janeiro, a entidade previa expansão de apenas 3,7%.
Caso a projeção se confirme, a indústria automobilística brasileira produzirá cerca de 160 mil veículos a mais do que em 2025, quando saíram das fábricas 2,64 milhões de unidades.
Programa do governo ajudou a impulsionar o setor
Segundo Igor Calvet, parte desse desempenho positivo foi impulsionada pelas duas etapas do programa Move Brasil, iniciativa do governo federal voltada ao financiamento para que profissionais do transporte substituam veículos antigos por modelos novos, mais eficientes e sustentáveis.
Apesar do sucesso do programa, Calvet afirmou que não acredita na realização de uma terceira fase.
“Fontes do governo me dizem que não há espaço para um Move 3”, declarou.
Primeiro semestre confirma aquecimento da indústria
Os dados divulgados pela Anfavea mostram que o ritmo de crescimento já está consolidado.
Embora a produção de junho tenha recuado 3% em relação a maio, totalizando 246 mil unidades, na comparação com junho de 2025 houve crescimento expressivo de 17,2%.
No acumulado do primeiro semestre, a produção avançou 8,8%, atingindo 1,37 milhão de veículos — o melhor desempenho para o período desde 2019.
As vendas também seguem aquecidas.
Em junho foram comercializados 272,5 mil veículos, praticamente estáveis em relação ao mês anterior (-0,8%), mas com alta de 28% sobre junho de 2025.
Entre janeiro e junho, os emplacamentos cresceram 18,5%, alcançando 1,42 milhão de unidades.
Eletrificados ganham espaço com avanço das importações
Outro destaque do mercado brasileiro é o crescimento acelerado dos veículos eletrificados.
Segundo a Anfavea, mais de 130 mil unidades eletrificadas foram vendidas no primeiro semestre, impulsionadas principalmente pelas importações, sobretudo de fabricantes chineses.
No acumulado do ano, as importações de veículos leves eletrificados cresceram mais de 70%, evidenciando a rápida transformação tecnológica do setor automotivo brasileiro.
Exportações seguem em queda
O único indicador que permanece negativo é o das exportações.
A Anfavea revisou sua projeção para as vendas externas, passando a estimar embarques de 462 mil veículos em 2026, o que representa queda de 12,8% em relação ao ano anterior.
Em junho, foram exportadas 36,7 mil unidades, retração de 26,7% na comparação anual.
No acumulado do primeiro semestre, as exportações somaram 216,6 mil veículos, recuo de 21,2%.
Mesmo com esse cenário externo mais desafiador, o forte crescimento do mercado interno confirma a retomada da indústria automobilística brasileira, sustentada pelo aumento da renda, pela recuperação do consumo, pela ampliação do crédito e pelos incentivos à renovação da frota, levando o setor ao seu melhor desempenho em mais de uma década.
Com informações do portal 247



