Lindbergh pede investigação sobre ligação entre Dark Horse e PCC

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de uma investigação para esclarecer uma possível conexão entre a estrutura financeira utilizada na produção do filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, e uma empresa apontada pela Polícia Civil de São Paulo como integrante de um esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC). As informações foram divulgadas pela colunista Andreza Matais, do Metrópoles.

O parlamentar fundamenta seu pedido em uma investigação que identificou um repasse de R$ 26 milhões da Entre Investimentos — empresa investigada por supostamente financiar a produção do filme — para a ACX ITC Tecnologia, companhia incluída em apuração do Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) por suspeita de integrar uma rede de lavagem de recursos da facção criminosa.

De acordo com as investigações da Polícia Civil paulista, a ACX ITC Tecnologia está formalmente registrada em nome de um vendedor de pipas e rabiolas que admitiu atuar como “laranja” da empresa. Conforme o depoimento citado na investigação, ele recebeu R$ 5 mil pelo serviço.

O repasse da Entre Investimentos para a ACX foi identificado durante a Operação Saturno, conduzida pela 2ª Delegacia do Denarc. Ainda segundo o Metrópoles, essa investigação estadual será incorporada à Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura suspeitas envolvendo o Banco Master.

As duas investigações convergem para a atuação da Entre Investimentos, embora tratem de fatos distintos. Na Operação Compliance Zero, a empresa é investigada por supostamente ter sido utilizada pelo banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse. Conforme a reportagem, os recursos destinados à produção audiovisual não passaram pela conta da ACX ITC. Eles foram transferidos para o Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas e controlado por aliados do deputado federal Eduardo Bolsonaro.

Além da investigação sobre a movimentação financeira, Lindbergh solicitou ao STF que determine ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), ao Banco Central, à Receita Federal e à Polícia Federal o levantamento de informações fiscais e financeiras da ACX ITC Tecnologia, da Entre Investimentos, das empresas relacionadas ao projeto Dark Horse, do Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro e de Antônio Carlos Freixo Júnior.

O pedido prevê que os dados obtidos pelos órgãos sejam encaminhados ao Supremo Tribunal Federal, à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal para subsidiar as investigações.

A Entre Investimentos, a ACX ITC Tecnologia, o gabinete do senador Flávio Bolsonaro — que, conforme a reportagem, buscou diretamente com Daniel Vorcaro o financiamento do filme — e a defesa do controlador do Banco Master foram procurados na semana passada e novamente na terça-feira (7), mas não se manifestaram até a publicação da reportagem.

Com informações do portal 247

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