BRB negocia com BTG e outros bancos privados venda de ativos comprados do Master

O BRB (Banco de Brasília) negocia a venda de carteiras de crédito provenientes do Banco Master para os maiores bancos privados do país, entre eles o BTG Pactual, de André Esteves.

A solução de mercado, que consta no plano apresentado ao Banco Central na última sexta-feira (6), é a principal aposta da instituição do Distrito Federal para recompor perdas causadas por operações com o banco de Daniel Vorcaro.

Como mostrou a Folha, quatro instituições financeiras estão interessadas na compra dos ativos e um desses bancos já deu sinais firmes de que está disposto a fazer a aquisição.

De acordo com um interlocutor ouvido pela reportagem sob condição de anonimato, o BTG é um dos bancos que avalia o negócio. Procurado, o banco disse que não iria se manifestar sobre o tema.

No momento, o BTG analisa todas as carteiras do BRB, tanto as provenientes do Master quanto aquelas originadas pelo próprio BRB. Recentemente, a instituição de Esteves comprou ativos de boa qualidade da instituição do Distrito Federal. O BRB fez uma série de operações com bancos privados para reforçar o caixa e atender à liquidez diária de recursos que são sacados do banco, num valor superior a R$ 5 bilhões.

Os ativos oriundos do Master apresentam um problema adicional ao BRB na alienação das carteiras, que é a definição do preço delas. Em avaliação preliminar do BTG, os valores se mostraram muito distantes dos preços registrados. Para uma pessoa a par do assunto, nem mesmo o BRB tem números definitivos sobre o valor, de fato, desses créditos.

Essa situação seria agravada, segundo esse mesmo interlocutor, por um problema político. Caso as carteiras provenientes do Master tenham um valor real muito abaixo da cifra assumida pelo BRB, o Banco de Brasília registraria um grande prejuízo –algo que se tornaria um problema para o governo de Ibaneis Rocha (MDB).

Em 2025, Esteves chegou a negociar com Vorcaro a entrada do BTG em transações envolvendo a carteira de precatórios (títulos públicos judiciais) do Master. A operação, contudo, não prosperou por falta de apoio de outros grandes bancos privados em relação ao uso do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) em eventuais problemas de lastro.

O Banco Central acabou decretando a liquidação do Master em novembro de 2025 após terem fracassado as tratativas de mercado, tais como o plano de aquisição do banco pelo BRB.

Além do BTG, outros grandes bancos também estão em negociação com o BRB. Itaú Unibanco e Bradesco avaliam a compra de carteiras de crédito que somam cerca de R$ 750 milhões do banco público, segundo uma pessoa a par das negociações. Esses empréstimos foram originados pelo próprio BRB, sem relação com o Master. Uma eventual venda dos empréstimos reforçaria a liquidez do BRB.

O Bradesco e Itaú não comentaram o assunto.

A ausência dos bancos públicos nessa alternativa de mercado é motivo de desconforto entre executivos das instituições privadas. A Caixa Econômica Federal, por outro lado, pode integrar o consórcio de bancos que avalia conceder empréstimo ao banco do DF, se necessário.

A solução de mercado apresentada pelo BRB é uma proposta encorajada pelo próprio BC, segundo relato feito à Folha. Se essa alternativa vingar, a necessidade de um aporte do governo do Distrito Federal para cobrir o rombo provocado pelos negócios com o Master, estimado em cerca de R$ 5 bilhões, poderia ser descartada.

Um analista que participa das negociações aponta que a fase atual ainda é de análise de dados e formação de diretrizes de preços, que vão determinar se os ativos têm valor suficiente para cobrir o prejuízo do BRB nas operações com o banco de Vorcaro.

O plano do banco do Distrito Federal também contém outras alternativas: um empréstimo com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e a criação de um fundo imobiliário com ativos do acionista controlador, o governo do Distrito Federal. Os recursos levantados com a venda desses ativos seriam usados para capitalizar o BRB.

A concessão de um empréstimo ao BRB com recursos do FGC também enfrenta dificuldades. Os bancos privados entendem que a instituição do Distrito Federal ainda não reconheceu a gravidade da crise que atravessa, também por questões políticas.

A disputa eleitoral no DF levou governo e oposição a trocarem acusações sobre a responsabilidade pela crise no BRB e sobre como deve ser dividida a conta a ser paga para solucionar o problema. A possibilidade de um eventual aporte reduzir recursos para políticas públicas irritou a oposição e virou munição contra o governo de Ibaneis.

Aliados do governador acusam a oposição de jogo sujo e afirmam que boatos têm sido disseminados —como o de que o BRB pode quebrar antes do fim deste ano, o que o presidente atual, Nelson Antônio de Souza, nega categoricamente.

Após a reunião no Banco Central, o BRB divulgou uma nota em que diz ter apresentado “um conjunto de ações preventivas de recomposição de capital a serem implementadas nos próximos 180 dias, caso seja comprovada a necessidade de aporte financeiro”. Segundo o banco, eventuais valores só serão definidos após o fim das investigações em andamento.

Com informações do Jornal de Brasília

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