No contexto do Dia Mundial do Parkinson, celebrado em 11 de abril, é importante chamar atenção para os impactos dos tremores causados pela doença, que vão muito além de um sintoma clínico — eles afetam diretamente a autonomia, a autoestima e a qualidade de vida de quem convive com a condição, dificultando tarefas simples do dia a dia, como escrever, segurar objetos ou se alimentar.
Foi a partir dessa realidade que surgiu uma nova tecnologia desenvolvida na Universidade de Brasília (UnB), com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), por meio da chamada pública BIO Learning, vinculada ao Programa FAPDF Learning (2023).
A pesquisa é coordenada pela professora Marcela Rodrigues Machado, do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Tecnologia da UnB, que lidera uma equipe multidisciplinar dedicada ao desenvolvimento da solução.
“A ideia surgiu da necessidade de oferecer mais autonomia e qualidade de vida às pessoas com Parkinson, por meio de uma solução tecnológica que acompanhe a evolução dos tremores ao longo do tempo”, destaca a coordenadora do projeto.
A iniciativa resultou em um dispositivo vestível — ou seja, que pode ser utilizado diretamente no corpo — capaz de reduzir esses movimentos involuntários de forma inteligente e adaptável.
Como funciona o dispositivo inteligente
A tecnologia é baseada em estruturas chamadas metamateriais inteligentes — materiais projetados para responder de forma específica a determinados estímulos, como vibrações e movimentos. Esse tipo de material já é utilizado em tecnologias que controlam ondas sonoras, vibrações mecânicas e até na engenharia aeroespacial para reduzir impactos e ruídos.
No caso do Parkinson, os tremores acontecem em frequências específicas, como um “ritmo” repetitivo do movimento involuntário. O dispositivo atua exatamente nessas frequências, funcionando como um filtro que reduz a intensidade dos tremores sem interferir nos movimentos voluntários do usuário.
Além disso, o sistema conta com sensores capazes de registrar os padrões de movimento do paciente, permitindo acompanhar a evolução da doença e gerar dados que podem apoiar decisões clínicas.
Um dos diferenciais está no uso de materiais piezoelétricos, capazes de transformar movimento em energia elétrica. Na prática, isso permite que o próprio dispositivo aproveite a energia gerada pelos tremores para alimentar seus sistemas internos, tornando a tecnologia mais eficiente.
Diferencial em relação às soluções atuais
As órteses tradicionais geralmente utilizam estruturas rígidas ou mecanismos passivos que limitam o movimento e precisam ser substituídas conforme a progressão da doença.
A proposta do projeto é oferecer uma solução mais leve, adaptável e programável, capaz de acompanhar as mudanças nos padrões de tremor sem necessidade de troca constante do dispositivo.
Outro avanço importante é a possibilidade de monitoramento contínuo, algo que ainda não está amplamente disponível nas soluções existentes no mercado.
Os testes em laboratório já demonstram resultados promissores, com redução significativa na intensidade das vibrações, inclusive em faixas de baixa frequência — um dos principais desafios nessa área.
Impacto direto na qualidade de vida
Se chegar ao mercado, a tecnologia pode representar um avanço significativo no cuidado com pacientes com Parkinson, permitindo maior estabilidade e segurança na realização de atividades cotidianas.
“Nosso principal objetivo é devolver autonomia às pessoas, permitindo que elas realizem tarefas simples do dia a dia com mais segurança e confiança”, destaca a coordenadora do projeto.
Além disso, o projeto já conta com pedidos de patente, evidenciando seu potencial inovador e sua relevância no cenário científico e tecnológico.
Formação de talentos e geração de inovação
A iniciativa também se destaca pela formação de recursos humanos qualificados, envolvendo estudantes de graduação e pós-graduação em atividades de pesquisa, desenvolvimento de protótipos e experimentação.
Com investimento de R$ 1 milhão da FAPDF, o projeto busca avançar no Nível de Maturidade Tecnológica (TRL), escala que mede o grau de desenvolvimento de uma tecnologia, desde os estágios iniciais até sua aplicação no mercado. Atualmente, a solução encontra-se no nível TRL 4 — fase de validação em laboratório — e tem como objetivo avançar para os níveis 5 e 6, que envolvem testes mais avançados e aproximação da aplicação prática.
Apoio da FAPDF e próximos passos
O apoio da FAPDF tem sido fundamental para viabilizar o desenvolvimento da tecnologia, incluindo a aquisição de equipamentos, a estruturação de laboratório e a formação da equipe.
“O apoio da FAPDF foi essencial para que o projeto avançasse do campo teórico para uma aplicação mais próxima da realidade”, destaca a coordenadora. “O fomento permitiu investir em infraestrutura, desenvolver protótipos e formar uma equipe qualificada para transformar essa pesquisa em uma solução concreta.”
Com informações da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF)
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