Parte das obras de modernização da Estrada Parque Indústrias Gráficas (Epig) foi temporariamente interrompida após proprietários de caminhões e máquinas pesadas suspenderem os serviços, em protesto contra atrasos nos pagamentos. Na manhã de ontem, uma faixa instalada no canteiro informava que alguns prestadores estariam há cinco meses sem receber pelos serviços executados.
Durante a manifestação, materiais foram incendiados no local, em um ato que chamou a atenção de motoristas e trabalhadores que circulavam pela região. Os equipamentos parados são utilizados em etapas essenciais da obra, como terraplenagem, movimentação de solo e transporte de insumos, o que pode comprometer o andamento de parte dos serviços, caso a situação não seja regularizada.
A obra integra parte do projeto de modernização do Corredor Eixo Oeste. A iniciativa prevê a implantação de um corredor exclusivo de BRT na Epig, além da construção de três viadutos, ciclovias, sistemas de drenagem, pavimentação, sinalização, calçadas, paisagismo e mobiliário urbano.
Com investimento estimado em R$ 160 milhões pelo Governo do Distrito Federal, a obra é considerada uma das principais intervenções de mobilidade urbana em execução no Distrito Federal e tem conclusão prevista para meados de 2026. O projeto busca ampliar a capacidade do transporte coletivo e reduzir os congestionamentos em um dos principais corredores viários da capital.
Cobrança
De acordo com proprietários de caminhões e máquinas pesadas, embora os trabalhadores contratados diretamente pelo consórcio estejam recebendo normalmente, os prestadores responsáveis pelos serviços de terraplanagem, transporte de materiais e operação de equipamentos afirmam que não conseguem manter os custos da atividade. “Estamos pagando para trabalhar”, afirmou um empresário do setor, que disse ter valores próximos de R$ 1 milhão a receber apenas em relação a uma das máquinas de maior porte.
Segundo ele, muitos empresários têm usado recursos de outras atividades para manter os operadores e motoristas empregados. “A gente tira dinheiro de outras obras ou até de dentro de casa para pagar os funcionários, mas essa conta não fecha mais. Sem o repasse, não há como fazer manutenção dos equipamentos nem manter os caminhões rodando”, relatou.
Outro proprietário de máquinas pesadas disse que, após meses de promessas de pagamento, os prestadores decidiram suspender as atividades até que os valores sejam depositados. “O engenheiro veio conversar e pediu para a gente encerrar a paralisação, mas só voltaremos quando o dinheiro estiver na conta. Já ouvimos várias vezes que o pagamento sairia na segunda-feira, e isso nunca aconteceu”, declarou.
O empresário também afirmou que o atraso provocou demissões e agravou a situação financeira das empresas terceirizadas. “Só nesta empresa, cerca de 20 trabalhadores já foram dispensados, além de outras dezenas nos últimos meses. As famílias dependem desse dinheiro para pagar aluguel, contas de água e luz. Se continuarmos sem receber, teremos que reduzir ainda mais as equipes”, disse.
Notificação
Em nota, a Secretaria de Obras e Infraestrutura do Distrito Federal informou que notificou oficialmente o consórcio responsável pelas obras da Nova Epig para que regularize a situação e retome imediatamente todos os serviços contratados. Segundo a pasta, a responsabilidade pelos pagamentos aos trabalhadores terceirizados e aos proprietários de máquinas e caminhões é exclusiva das empresas que integram o consórcio.
“Não existe qualquer vínculo empregatício entre os funcionários e terceirizados do consórcio com o Governo do Distrito Federal. A responsabilidade pelo pagamento dos salários, contratos de aluguel de maquinário, entre outras despesas, é exclusiva do consórcio formado pelas empresas Marquise Engenharia e Comsa S.A.”, afirmou a secretaria.
De acordo com a pasta, os trabalhadores contratados pelo consórcio estão recebendo normalmente e a paralisação atinge apenas os serviços vinculados ao aluguel de equipamentos pesados. “Os funcionários diretamente vinculados ao consórcio estão com os pagamentos em dia. A paralisação parcial registrada no momento atinge exclusivamente contratos terceirizados relacionados ao aluguel de maquinário utilizado na obra”, informou.
A secretaria acrescentou que somente as atividades que dependem desses equipamentos estão temporariamente interrompidas e que as demais frentes de trabalho continuam em execução. Segundo o órgão, o próprio consórcio informou que busca recursos para quitar os débitos com os fornecedores terceirizados “o mais breve possível”.
A Secretaria de Obras ressaltou que a legislação prevê penalidades em caso de descumprimento contratual, incluindo advertência, multa, impedimento de licitar e contratar com o poder público, além de declaração de inidoneidade.
Procurada pelo Correio, a Marquise Engenharia informou que “as obras da EPIG seguem em curso e que não há paralisação de seus colaboradores”. Segundo a empresa, “todos os salários dos funcionários vinculados ao consórcio estão rigorosamente em dia, mantendo-se plenamente mobilizado e apto a dar continuidade às atividades previstas em contrato”. A Comsa S/A não se manifestou até o fechamento desta matéria.
Com informações do Correio Braziliense
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