O deputado e ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República Paulo Pimenta (PT-RS) defendeu a imposição de tornozeleira eletrônica ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a divulgação de áudios, mensagens e documentos relacionados ao financiamento do filme Dark Horse, inspirado em Jair Bolsonaro, com recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Em publicação nas redes sociais, Pimenta afirmou que o caso ganhou gravidade suficiente para justificar medidas cautelares imediatas contra o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Pimenta fala em “sério risco de fuga”
Na postagem, Paulo Pimenta argumentou que a divulgação dos áudios aumentou o risco de evasão por parte do senador e defendeu o bloqueio imediato de seus bens.
“Depois dos áudios divulgados pela imprensa, existe um sério risco de fuga, e isso não pode ser ignorado. Os bens do filho do ex-presidente precisam ser imediatamente bloqueados”, afirmou.
A manifestação ocorre após a repercussão nacional da reportagem publicada pelo Intercept Brasil, que revelou negociações envolvendo até 24 milhões de dólares — cerca de R$ 134 milhões — para financiar a produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro.
O caso passou a ser tratado como uma crise política no entorno bolsonarista, com aliados do senador discutindo estratégias para conter o desgaste provocado pelas revelações.
Ex-ministro associa caso a dinheiro “sujo”
Na sequência da postagem, Pimenta afirmou que as denúncias indicam possível utilização de recursos ilícitos na produção do filme Dark Horse.
“É evidente a gravidade das denúncias envolvendo o dinheiro pago por Daniel Vorcaro para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro”, declarou.
O ex-ministro também associou o escândalo às investigações sobre fraudes e desvios envolvendo aposentados e pensionistas do INSS.
“Há fortes indícios de que estamos falando de dinheiro sujo, dinheiro desviado às custas de aposentados e aposentadas, em meio ao escândalo e às fraudes envolvendo o INSS”, escreveu.
Áudios agravaram crise política
A crise ganhou nova dimensão após a divulgação do áudio em que Flávio Bolsonaro pede recursos a Daniel Vorcaro para evitar a paralisação do filme.
Na gravação, o senador afirma que a equipe atravessava um momento crítico e alerta para o risco de perder atores, diretor e contratos internacionais.
“Agora, na reta final, a gente não pode vacilar nem deixar de honrar os compromissos, porque senão podemos perder tudo”, diz Flávio em um dos trechos.
O senador também cita o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh ao demonstrar preocupação com o impacto internacional da crise financeira do projeto.
Flávio admite pedido de patrocínio
Após a repercussão do caso, Flávio Bolsonaro confirmou a autenticidade do áudio e admitiu que buscava financiamento privado para o filme sobre Jair Bolsonaro.
Em nota oficial, o senador afirmou:
“No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”.
Flávio também negou ter oferecido vantagens, intermediado negócios com o governo ou recebido recursos pessoais de Daniel Vorcaro.
Pimenta cobra investigação rigorosa
Ao concluir sua manifestação, Paulo Pimenta afirmou que o país precisa aprofundar as investigações sobre o caso.
“O Brasil precisa de investigação rigorosa, responsabilização e justiça”, declarou.
A repercussão das revelações envolvendo o Banco Master ampliou os pedidos de abertura de CPI no Congresso Nacional e aprofundou o desgaste político do bolsonarismo às vésperas da disputa presidencial de 2026.
Com informações do portal 247
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