O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master até sua liquidação pelo Banco Central, via o presidente Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como os principais responsáveis pela ofensiva institucional que levou ao colapso de seu império financeiro. As informações foram reveladas pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, e reforçam o peso político das medidas adotadas pelo governo federal contra o esquema que hoje é alvo de investigações bilionárias.
Segundo a coluna, Vorcaro demonstrava profundo ressentimento em relação a Haddad e acreditava que o ministro da Fazenda teria dado respaldo político às ações do Banco Central, da Polícia Federal e de outros órgãos de investigação que culminaram na liquidação do Banco Master e em sua prisão.
Nos bastidores, o banqueiro também dizia torcer pela vitória presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a quem considerava um aliado político e ideológico mais alinhado ao mercado financeiro liberal.
Governo Lula endureceu contra o esquema do Master
As revelações reforçam a percepção de que o governo do presidente Lula e a equipe econômica liderada por Fernando Haddad agiram para impedir a continuidade das operações que hoje são apontadas como um dos maiores escândalos financeiros recentes do país.
De acordo com a reportagem, Vorcaro tinha convicção de que o Banco Master só foi liquidado porque o governo federal permitiu que as instituições atuassem sem interferência política para protegê-lo.
O banqueiro reclamava da postura firme de Haddad e demonstrava preocupação com a continuidade do governo Lula, justamente por considerar que o ambiente institucional havia deixado de tolerar privilégios e relações promíscuas entre o sistema financeiro e setores políticos da extrema direita.
Vorcaro admirava Flávio Bolsonaro
Segundo Mônica Bergamo, Daniel Vorcaro definia Flávio Bolsonaro como um “amigo próximo” e alguém “muito bacana”. Os dois mantinham convivência frequente, com encontros, telefonemas e trocas constantes de mensagens.
O banqueiro dizia admirar o senador e acreditava que um eventual governo Flávio Bolsonaro seria mais favorável aos interesses do mercado financeiro e menos rigoroso em relação às investigações que atingiam o Banco Master.
As revelações ganharam ainda mais gravidade após o Intercept Brasil divulgar áudios, mensagens e documentos indicando que Vorcaro negociou até 24 milhões de dólares — cerca de R$ 134 milhões — para financiar o filme Dark Horse, inspirado em Jair Bolsonaro.
Áudios expuseram desespero financeiro
O caso explodiu nacionalmente após a divulgação de um áudio em que Flávio Bolsonaro pede mais dinheiro a Vorcaro para evitar a paralisação da produção cinematográfica.
Na gravação, o senador admite preocupação com os atrasos e com os impactos internacionais do possível colapso do projeto.
“Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”, afirmou Flávio.
Em outro trecho, o senador demonstra tensão com a situação financeira do filme:
“Está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme”.
Flávio negou e depois admitiu negociações
Inicialmente, Flávio Bolsonaro negou as informações divulgadas pelo Intercept.
“De onde você tirou essa informação? É mentira”, afirmou ao deixar o Supremo Tribunal Federal.
Horas depois, porém, o senador divulgou nota oficial confirmando que buscava “patrocínio privado” para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro.
“No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”, declarou.
Escândalo fortalece narrativa de combate aos privilégios
A revelação de que Daniel Vorcaro via Haddad como uma ameaça política reforçou entre aliados do governo Lula a avaliação de que o Ministério da Fazenda e os órgãos de controle agiram corretamente ao permitir investigações rigorosas sobre o Banco Master.
Nos bastidores de Brasília, integrantes do governo avaliam que o escândalo expõe a relação entre setores da extrema direita e grupos financeiros que buscavam proteção política enquanto operavam sob suspeitas crescentes.
A crise também ampliou o desgaste do bolsonarismo às vésperas da disputa presidencial de 2026 e fortaleceu o discurso governista de defesa das instituições e do combate aos privilégios financeiros.
Com informações do portal 247
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