O Comitê de Política Monetária (Copom), formado pelos diretores do Banco Central (BC), se reúne na próxima terça e quarta-feira (17/6) para deliberar sobre a taxa básica de juros da economia, a Selic. A reunião ocorre diante do quarto mês de guerra no Oriente Médio, entre Irã, Estados Unidos e Israel e também em meio ao aumento consistente da inflação.
A inflação é o principal ponto acompanhado pelo Banco Central para definir a Selic. A taxa é utilizada para reduzir o ritmo da atividade econômica e controlar a elevação dos preços de produtos e serviços. O índice está em 14,5% e chegou a este patamar após um corte de 0,25 ponto percentual (p.p.) em 29 de abril deste ano.
Entenda a situação dos juros no Brasil
- A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação.
- Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic, uma vez que a missão do BC é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país.
- Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país.
- Dessa forma, o crédito fica mais caro e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores.
- Projeções mais recentes mostram que o mercado desacredita em um cenário em que a taxa de juros volte a ficar abaixo de dois dígitos durante o governo Lula e o mandato do presidente Gabriel Galípolo à frente do BC.
No início do ano, a expectativa era de um ciclo de redução da Selic, patrocinada pela perspectiva de uma inflação mais comportada, com indicativo de ficar de 3,5% a 4% ao ano. No entanto, o jogo virou com a guerra no Oriente Médio, entre Irã, Estados Unidos e Israel, iniciada em 28 de fevereiro deste ano.
Nestes três meses de conflito bélico, a inflação de alimentos decolou e puxou o índice geral para cima. As perspectivas de inflação estão em alta. Se no início do ano variavam abaixo de 4%, agora elas estão acima dos 5%.
Os analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central para a elaboração do Boletim Focus subiram a estimativa de inflação neste ano de 5,09% para 5,11% no relatório divulgado na última segunda-feira (8/6).
Os dois principais pontos que vão pesar na decisão do Copom devem ser justamente a guerra e a expectativa de um super El Niño. A Agência Climática dos Estados Unidos (Noaa/CPC, na sigla em inglês) elevou as chances de um El Niño neste ano, o que implica em riscos inflacionários, sobretudo nos alimentos e na energia.
No último dia 25/5, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que o objetivo dos diretores que integram o Copom é compreender se as revisões nas projeções econômicas, sobretudo as relativas à inflação, estão sendo afetadas “exclusivamente” pelo choque de oferta decorrente do casamento entre a alta nos preços do petróleo e o Super El Níño.
“O que a política monetária vem tentando analisar é segredar o que realmente é um elemento de oferta exclusivamente e quais são as possibilidades e riscos que existem, o que a gente chama de efeito de segunda ordem”, destacou Galípolo.
Nos últimos 12 meses até maio, conforme o IBGE, a inflação acumula alta de 4,72%, acima do teto (4,5%) da meta. No ano, ou seja, no acumulado de janeiro a maio do IPCA, a elevação corresponde a 3,2%. Em 2025, a inflação fechou em 4,26%.
Projeções anuais
Em meados de maio, o Ministério da Fazenda subiu a projeção da inflação de 2026 de 3,7% para 4,5%, que é o teto da meta. A elevação na expectativa do índice de inflação é atribuída pela pasta à alta nos preços do petróleo no mercado internacional, decorrente da guerra no Oriente Médio.
A alta poderia ser ainda maior. A Fazenda considera que as medidas adotadas pelo governo federal para conter a alta nos preços dos combustíveis, excluindo-se a última delas, referente à gasolina, resultam em uma redução na inflação em 0,3 ponto percentual.
Com informações do portal Metrópoles
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