TaguaCei — O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (4) para definir os rumos da taxa básica de juros da economia, a Selic. A expectativa predominante do mercado financeiro é de um sexto corte consecutivo, com redução de 13,75% para 13,5% ao ano. A decisão ocorre após a sequência de reduções iniciada em 2026, que levou a taxa ao patamar atual, conforme o histórico recente dos cortes da Selic.
A previsão consta do boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras. O anúncio da decisão está previsto para o início da noite.
A Selic permaneceu em 15% ao ano, maior nível em quase 20 anos, entre junho de 2025 e março de 2026. Depois desse período, o Banco Central iniciou uma trajetória de redução dos juros.
Diferentemente das projeções anteriores, os analistas agora esperam que a taxa seja mantida em 13,5% na reunião de dezembro, a última do ano.
Copom está com diretoria incompleta
O colegiado realizará a reunião com dois cargos de diretoria ainda vagos. Os mandatos de Renato Gomes, ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro, e Diego Guillen, ex-diretor de Política Econômica, terminaram no fim de 2025.
Até o momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não encaminhou ao Congresso Nacional as indicações para substituir os dois diretores.
Na ata da reunião de setembro, o Copom reafirmou a necessidade de cautela na condução da política monetária, diante das pressões da demanda sobre a inflação. O documento foi divulgado antes dos efeitos da reeleição de Lula sobre o mercado financeiro.
A instabilidade cambial, a alta do petróleo e o aumento dos gastos públicos também aparecem entre os fatores que podem pressionar os preços. Outro elemento de preocupação é o fenômeno El Niño, que pode afetar a produção agrícola e elevar o custo dos alimentos nos próximos meses.
Inflação segue acima do teto da meta
Apesar de uma aceleração em setembro, a prévia da inflação oficial apresentou desaceleração em outubro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) ficou em 0,32%, metade da variação registrada no mês anterior.
No acumulado de 12 meses, porém, o indicador passou de 4,5% para 4,62%, permanecendo acima do teto da meta de inflação.
Segundo o último boletim Focus, a expectativa do mercado para a inflação de 2026 subiu de 5,19% para 5,22%. A projeção considera fatores como o conflito no Oriente Médio e a recente valorização do dólar.
A meta oficial de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o limite superior é de 4,5%.
Como a Selic influencia a economia
A taxa Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação e serve de referência para os juros praticados na economia.
Quando o Copom eleva a taxa básica, o objetivo é reduzir o consumo e a demanda por meio do encarecimento do crédito. Juros mais altos também estimulam a poupança, mas podem dificultar investimentos e limitar o crescimento econômico.
Já a redução da Selic tende a baratear empréstimos e financiamentos, favorecendo o consumo e a produção. Os juros cobrados pelos bancos, entretanto, também dependem de fatores como risco de inadimplência, custos administrativos e margem de lucro das instituições.
O Copom se reúne a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, os integrantes recebem análises técnicas sobre a economia brasileira e internacional e o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, discutem as alternativas e definem a taxa básica de juros.
Brasil adota sistema de meta contínua
Desde janeiro de 2025, o Banco Central trabalha com o sistema de meta contínua de inflação. Nesse modelo, o indicador é acompanhado mês a mês, considerando a variação acumulada em 12 meses.
A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com limite inferior de 1,5% e superior de 4,5%.
No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de setembro, o Banco Central manteve em 5,2% a previsão para o IPCA de 2026. A estimativa poderá ser revista caso a alta do dólar persista.
A próxima edição do documento, que substituiu o antigo Relatório de Inflação, está prevista para o fim de dezembro.
Fonte: Agência Brasil



