Ata do Copom aponta desaceleração da economia como fator para corte da Selic

Cédulas de dinheiro, moedas, calculadora e outros elementos relacionados à economia ilustram matéria sobre a decisão do Copom sobre a taxa Selic.
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

TaguaCei — A desaceleração da atividade econômica, da inflação e os efeitos dos juros elevados sobre o crédito e a demanda foram apontados pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central como fatores para a redução da Selic em 0,25 ponto percentual. A taxa básica passou de 14% para 13,75% ao ano, segundo a ata da reunião divulgada nesta terça-feira (22/9).

O documento aponta que os indicadores econômicos mais recentes mostram uma moderação gradual da atividade, principalmente nos setores mais sensíveis ao ciclo econômico. Apesar disso, o Banco Central avalia que a economia permanece resiliente e que o mercado de trabalho continua aquecido.

A decisão representa uma mudança no nível da política monetária, após um período de juros elevados utilizados pelo Banco Central para conter as pressões inflacionárias.

PIB confirma desaceleração

De acordo com a ata, os dados mais recentes do Produto Interno Bruto (PIB), referentes ao segundo trimestre de 2026, confirmaram a desaceleração indicada por outros indicadores.

O movimento foi mais intenso entre as atividades econômicas e os componentes da demanda que apresentam maior sensibilidade ao nível dos juros.

Para o Copom, o enfraquecimento da demanda é parte importante do processo de equilíbrio entre oferta e procura na economia e da convergência da inflação para a meta.

A avaliação considera os efeitos acumulados da política monetária sobre empresas e consumidores, especialmente por meio das condições de crédito.

Inflação perde força, mas segue acima do centro da meta

Outro fator considerado pelo Banco Central foi a perda de força da inflação nos últimos meses.

Segundo a ata, tanto o índice cheio quanto a média das medidas de inflação subjacente apresentaram desaceleração. Em 12 meses, os dois indicadores passaram a ficar abaixo do limite superior do intervalo de tolerância da meta.

Apesar da melhora, os indicadores ainda permanecem acima do centro da meta estabelecida para a inflação.

O Copom também destacou que os juros elevados continuam produzindo efeitos sobre a atividade econômica e contribuindo para o processo de desinflação.

Crédito também mostra sinais de moderação

O comportamento do mercado de crédito foi outro elemento considerado pelos integrantes do Copom.

Segundo o documento, os dados mais recentes são compatíveis com uma desaceleração do crescimento econômico em um cenário de política monetária restritiva.

O Banco Central avaliou que as evidências de transmissão dos juros para a atividade econômica estão se acumulando gradualmente.

Nesse cenário, a política monetária continua sendo utilizada para reduzir as pressões de demanda e contribuir para a convergência da inflação.

Banco Central mantém cautela

Apesar da melhora de alguns indicadores, a ata mantém uma avaliação cautelosa sobre o cenário inflacionário.

O documento destaca que as expectativas de inflação permanecem acima da meta em todos os horizontes analisados. Segundo a pesquisa Focus citada pelo Banco Central, as projeções são de 4,9% para 2026 e 4,3% para 2027.

Na avaliação do Copom, expectativas desancoradas exigem uma política monetária restritiva por mais tempo para permitir que a inflação retorne à meta.

O colegiado também ressaltou que a atividade econômica continua apresentando resistência, enquanto o mercado de trabalho permanece aquecido, fatores que podem manter a pressão sobre os preços.

Cenário internacional aumenta incertezas

A ata também cita o aumento das incertezas no cenário internacional. Entre os fatores mencionados estão as tensões geopolíticas no Oriente Médio e as dúvidas relacionadas à condução da política monetária das principais economias avançadas.

Por outro lado, uma desaceleração mais forte das economias brasileira e mundial e uma eventual redução dos preços das commodities estão entre os fatores que poderiam contribuir para diminuir as pressões inflacionárias.

O Banco Central deverá continuar acompanhando esses elementos para definir os próximos passos da política monetária.

Copom promete acompanhar evolução da economia

Ao justificar a redução de 0,25 ponto percentual, o Copom afirmou que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta no horizonte considerado pela política monetária.

O colegiado, entretanto, ressaltou que continuará avaliando a evolução da atividade econômica, da inflação, das expectativas e do cenário internacional.

A ata reforça que o nível de restrição monetária deverá ser mantido conforme a necessidade de controlar as pressões inflacionárias.

A redução da Selic também influencia aplicações financeiras, crédito e decisões de consumo e investimento, tornando a taxa um dos principais indicadores da economia brasileira.

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Texto alternativo: Cédulas de dinheiro, moedas, calculadora e outros elementos relacionados à economia ilustram matéria sobre a decisão do Copom sobre a taxa Selic.

Fonte: Agência Brasil

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