TaguaCei — A morte da influenciadora chinesa Yingying, de 24 anos, em agosto, reacendeu o alerta sobre os riscos de tendências relacionadas à alimentação nas redes sociais. A criadora de conteúdo ficou conhecida por vídeos no formato Mukbang, em que pessoas são filmadas consumindo grandes quantidades de comida.
Yingying morreu após sofrer uma parada cardíaca. Em um dos últimos vídeos publicados, a influenciadora relatou que estava internada devido aos baixos níveis de potássio no sangue, condição que, segundo ela, estaria relacionada à alimentação desequilibrada e ao hábito frequente de provocar vômitos. A chinesa afirmou ainda que já havia sido hospitalizada anteriormente pelo mesmo problema.
De acordo com a nutricionista Ana Clara Cruz, a chamada hipocalemia grave pode comprometer o funcionamento dos músculos e do coração, aumentando o risco de arritmias.
O vômito provocado repetidamente também pode causar perda de líquidos e eletrólitos e alterar o equilíbrio ácido-base do organismo. Entre as possíveis consequências estão desidratação, fraqueza muscular, alterações gastrointestinais, erosão do esmalte dos dentes e inflamação do esôfago.
A especialista também alerta que provocar vômitos para tentar compensar o consumo excessivo de alimentos é uma prática perigosa. Mesmo quando ocorre logo após a refeição, parte dos nutrientes e da energia já pode ter sido absorvida pelo organismo.
Mukbang ganhou força nas redes sociais
O Mukbang se popularizou na Coreia do Sul e ganhou projeção internacional, especialmente durante a pandemia de Covid-19. Inicialmente, o formato era associado a pessoas que transmitiam suas refeições pela internet, muitas vezes como uma forma de companhia durante as refeições.
Com a expansão da tendência para países como Estados Unidos e Brasil, porém, alguns conteúdos passaram a explorar o consumo de quantidades cada vez maiores de alimentos como forma de entretenimento.
Vídeos com desafios envolvendo comidas muito calóricas, doces, salgados e grandes porções passaram a ganhar milhões de visualizações. Em uma das gravações, Yingying chegou a consumir entre 60 e 70 ovos em conserva.
Antes de morrer, a influenciadora também relatou que criadores de conteúdo sofriam pressão para aumentar cada vez mais a quantidade de comida ingerida nos vídeos.
Para Ana Clara Cruz, esse tipo de conteúdo pode representar um risco ao público, principalmente quando o consumo excessivo é apresentado como desafio ou comportamento a ser imitado.
A ingestão exagerada de alimentos pode provocar grande distensão do estômago, causando dor, náusea, refluxo, vômitos e intenso desconforto. Quando o comportamento é repetido e acompanhado de vômitos provocados, jejuns ou uso de laxantes, aumentam os riscos de desidratação e de alterações nos níveis de eletrólitos, como o potássio.
Além dos danos físicos, a nutricionista destaca que esse tipo de conteúdo pode contribuir para a normalização de comportamentos alimentares prejudiciais. Segundo ela, o entretenimento produzido para as redes sociais não deve ser utilizado como referência para os hábitos alimentares.
Por que o potássio é importante?
O potássio é um dos principais eletrólitos do organismo e participa da manutenção do equilíbrio de líquidos, da transmissão dos impulsos nervosos e da contração muscular, inclusive do músculo cardíaco.
A redução dos níveis de potássio, conhecida como hipocalemia, geralmente não ocorre apenas pela ingestão insuficiente do mineral. Entre as causas possíveis estão perdas prolongadas provocadas por vômitos ou diarreia, uso excessivo de laxantes ou determinados diuréticos, algumas doenças e alterações na função dos rins.
Em casos mais leves, a queda do potássio pode provocar cansaço, fraqueza muscular e constipação. Quando a deficiência é grave, porém, pode causar alterações no ritmo cardíaco, paralisia e dificuldades respiratórias, tornando-se uma condição potencialmente grave.
Fonte: Correio Braziliense
Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.



