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Caiado não terá palanque do PSD em Estados que somam quase 50% do eleitorado

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Brasília (DF), 28/05/2025 - Governadores do Pará, Helder Barbalho, e de Goiás, Ronaldo Caiado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara para debater a PEC da segurança pública. Foto: Lula Marques/Agência Brasil
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Em uma eleição presidencial já polarizada entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) enfrenta dificuldades para formar palanques estaduais. Apesar do respaldo de Gilberto Kassab (PSD), ele não terá apoio dos candidatos a governador do PSD ou dos nomes apoiados pelo partido nos quatro principais colégios eleitorais do País. Juntos, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia somam 48% dos eleitores.

Para contornar este cenário, o entorno de Caiado e seus aliados apostam que os prefeitos do PSD em parte desses Estados compensará a falta de apoio. Afirmam ainda que ele terá o apoio de Eduardo Leite (PSD) e Ratinho Jr. (PSD), dois nomes bem avaliados e com projeção nacional, e que até o cenário pode mudar até o início da campanha em agosto.

“Tenho enorme respeito pelo governador Caiado, mas meu candidato a presidente é um só: Lula”, disse Eduardo Paes (PSD), ao Estadão. “O PSD do Rio também estará com o presidente”, acrescentou.

O Estado é considerado a situação mais delicada pelos correligionários de Caiado. Com Paes fechado com Lula, a avaliação é que há pouco espaço de manobra porque o Rio é o berço político da família Bolsonaro e as forças do centro à direita já estão com Flávio.

Kassab disse ao Estadão que as alianças estaduais são importantes, mas que deixaram de ser fatores determinantes para a vitória nas últimas eleições.

“Hoje temos as redes sociais, onde o candidato faz a comunicação direta com eleitores. Bolsonaro se elegeu presidente sem partido [aliado], e Pablo Marçal quase ganhou a Prefeitura de São Paulo dessa forma”, disse o presidente do PSD.

Segundo ele, o PSD nacional montará um comitê no Rio de Janeiro que trabalhará a dobradinha Paes-Caiado. A estratégia será repetida em São Paulo, com Tarcísio de Freitas (Republicanos), que apoia Flávio, e em Minas Gerais.

O entorno de Caiado acredita que os empecilhos serão menores em São Paulo porque o eleitor que vota em Tarcísio não teria dificuldade em escolher Caiado, pois ambos estão no mesmo espectro político. Além disso, por ser o estado de Kassab, a expectativa é que os mais de 200 prefeitos do PSD se engajem mais intensamente na campanha do ex-governador de Goiás.

A lógica é parecida em Minas Gerais, onde a prioridade do governador Mateus Simões (PSD) é Romeu Zema (Novo), de quem ele foi vice nos últimos quatro anos – o apoio de Simões ao aliado foi acordado previamente com o PSD. “Caso Zema mude o caminho da disputa presidencial, então vamos conversar. Não tem nenhum plano pensado por ora”, disse o presidente do PSD mineiro, Cássio Soares.

Ele afirmou ainda que a estrutura do partido em Minas favorece qualquer candidatura apoiada pelo partido – a sigla lidera o ranking de prefeitos em no estado, com cerca de 170, e tem 14 deputados estaduais, a maior bancada ao lado do PT.

“Como é uma candidatura recente, tudo isso precisa ser construído. Nós estamos dispostos a dialogar, inclusive para aproximar Caiado do governador Zema”, declarou ele. O primeiro movimento nesse sentido acontecerá no final de abril, quando Caiado irá a Uberaba (MG), no Triângulo Mineiro, para a abertura da feira agropecuária Expozebu.

Na Bahia, a solução foi encontrada fora do partido. A tendência é que o pré-candidato a governador do União Brasil, ACM Neto, apoie Caiado. Em entrevistas, ele costuma citar que é amigo há mais de duas décadas do pré-candidato a presidente e que a candidatura de Caiado foi lançada em um evento em Salvador.

A dúvida é se Neto também dará palanque para Flávio Bolsonaro. A equipe de Caiado vê a possibilidade como remota, já que a associação à família Bolsonaro seria prejudicial para as chances do ex-prefeito de Salvador ser eleito em um Estado governado pelo PT nos últimos 20 anos. Procurado, ACM Neto não respondeu aos contatos da reportagem.

Ainda no Nordeste, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), quer o apoio, ou ao menos a neutralidade, do presidente na disputa contra o ex-prefeito de Recife, João Campos (PSB).

Embora não tenha falado publicamente sobre o assunto, Raquel não deve dar palanque para o companheiro de partido. Aliados da governadora lembram que ela não se manifestou quando Caiado foi escolhido como pré-candidato pelo PSD e que o presidente do partido no Estado, André de Paula, é o atual ministro da Agricultura.

Com informações do Jornal de Brasília

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