A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (16) o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, durante uma nova fase da Operação Compliance Zero. A ação investiga suspeitas de falhas em práticas de governança e a realização de negócios sem lastro com o banco Master.
A operação cumpre ao todo sete mandados e tem como foco apurar irregularidades na gestão da instituição financeira. Paulo Henrique Costa já havia sido afastado do cargo por decisão da Justiça e posteriormente demitido pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), em novembro, após a primeira etapa da investigação.
Segundo a Polícia Federal, as suspeitas envolvem a condução de operações consideradas inadequadas do ponto de vista de governança corporativa. Entre os pontos sob apuração está a autorização de transações com o banco Master sem garantias financeiras suficientes, o que teria exposto o BRB a riscos.
Costa já era alvo da apuração desde novembro de 2025, quando a primeira fase da operação foi deflagrada. Na ocasião, o Ministério Público Federal chegou a pedir sua prisão, mas a Justiça determinou apenas o afastamento do cargo por 60 dias. Ele acabou demitido logo em seguida.
Auditoria reforça suspeitas sobre operações
No início de abril, o BRB encaminhou à Polícia Federal o relatório final de uma auditoria independente conduzida pelo escritório Machado Meyer, com apoio da consultoria Kroll. O documento consolidou suspeitas já levantadas anteriormente.
De acordo com a auditoria, as compras de carteiras do Banco Master eram tratadas internamente como “negócio do presidente” e realizadas sob forte pressão e urgência. O relatório também aponta que essas operações eram fragmentadas para evitar a análise do Conselho de Administração, com aquisições bilionárias sendo decididas e avaliadas no mesmo dia.
Há ainda registros de negociações realizadas sem a apresentação de relatórios exigidos contratualmente.
Volume elevado e ativos sob suspeita
Entre 2024 e 2025, cerca de 83% das operações realizadas pelo BRB envolveram ativos ligados ao Banco Master. Ao todo, o banco público adquiriu R$ 21,9 bilhões em carteiras dessa instituição.
Desse montante, aproximadamente R$ 13,3 bilhões apresentam indícios de problemas como ausência de lastro, inconsistências estruturais e falhas documentais. As investigações também identificaram possíveis contratos inadimplentes e registros em nome de pessoas já falecidas.
Indícios de esquema para sustentar o Banco Master
A Polícia Federal encontrou anotações que indicam que as compras de carteiras teriam sido determinadas para dar suporte financeiro ao Banco Master. A suspeita é que a instituição não possuía recursos suficientes para honrar títulos emitidos no mercado.
Segundo a apuração, o banco teria adquirido papéis da Tirreno Consultoria sem pagamento e, posteriormente, repassado esses ativos ao BRB. A investigação busca esclarecer se houve aceitação desses ativos sem a devida documentação.
Após o Banco Central rejeitar a proposta de aquisição do Master pelo BRB e vetar novas compras, parte dos ativos foi substituída, mas também com indícios de irregularidades.
Defesa nega irregularidades
Em depoimento à Polícia Federal em dezembro de 2025, Paulo Henrique Costa afirmou que não havia “evidência concreta” de problemas nas carteiras adquiridas. Ao longo da investigação, ele sustentou que não tomou decisões de forma individual e que os instrumentos utilizados são comuns no mercado.
A defesa também argumenta que a governança do BRB é colegiada, com decisões distribuídas entre diretoria, conselho e comitês técnicos.
Operações societárias também são investigadas
Outro foco da investigação envolve operações que permitiram a entrada de Daniel Vorcaro e seus associados como acionistas do BRB. Em 2024, o banco realizou dois aumentos de capital, somando R$ 1 bilhão.
Segundo a auditoria, houve uma estrutura considerada suspeita que permitiu a participação indireta de fundos ligados ao Banco Master, que inicialmente não poderiam integrar a operação. Após essas movimentações, Vorcaro, Maurício Quadrado e João Carlos Mansur passaram a deter 23,5% do capital do banco público.
O relatório aponta indícios de uma “operação triangulada e com elementos suspeitos de simulação” para viabilizar essas aquisições. A defesa afirma que o BRB comunicou o Banco Central sobre a entrada de novos investidores e a identificação dos beneficiários finais dos fundos.
Paulo Henrique Costa presidiu o BRB desde 2019, após indicação do então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e anteriormente atuou por quase duas décadas na Caixa Econômica Federal.
Com informações do portal 247
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