Educafro amplia acesso ao ensino superior e incentiva formação cidadã de estudantes

A rede de cursinhos populares Educafro tem contribuído para transformar a trajetória de milhares de estudantes em todo o país ao oferecer preparação para vestibulares e concursos públicos, além de promover debates sobre direitos humanos, igualdade racial e cidadania. As informações foram publicadas originalmente pelo Correio Braziliense.

Criada pelo Frei David Santos, a Educafro reúne núcleos em diversas capitais brasileiras, incluindo o Distrito Federal, onde conta com cerca de 4 mil associados. Além do apoio educacional, a organização atua na defesa da igualdade racial, promovendo ações judiciais para garantir o cumprimento da Lei de Cotas, combater fraudes em processos de heteroidentificação e enfrentar casos de racismo institucional.

Uma das beneficiadas pelo projeto é Marcia Pereira da Silva, de 51 anos, que está prestes a concluir sua primeira graduação em Administração Pública. Durante a pandemia, enquanto trabalhava em um call center, ela conheceu a Educafro, que lhe ofereceu auxílio financeiro para custear inscrições em processos seletivos e apoio durante a preparação para o ingresso na universidade.

Natural de uma família de agricultores do interior da Bahia, Marcia se mudou para Brasília há três anos após conquistar uma bolsa de estudos na Fundação Getulio Vargas (FGV). Segundo ela, a experiência na Educafro ampliou sua visão sobre questões sociais e reforçou a importância da educação como instrumento de transformação.

De acordo com Frei David, os estudantes que participam da organização também frequentam encontros voltados à formação cidadã. A proposta é oferecer conhecimentos sobre direitos constitucionais, direitos humanos e combate às desigualdades, complementando a preparação acadêmica.

O coordenador da Educafro em Brasília, Daniel Souza, afirma que muitos alunos chegam ao projeto acreditando que determinados espaços não lhes pertencem, mas recuperam a confiança ao longo da formação. Segundo ele, o objetivo da instituição é formar profissionais qualificados e comprometidos com a redução das desigualdades sociais.

A atuação da Educafro também influenciou a trajetória profissional de Maria Isabel Sales. Após conhecer a entidade durante a faculdade, ela mudou de curso, formou-se em Direito e passou a atuar em mobilizações em defesa da população negra. Posteriormente, recebeu o convite para integrar a equipe do senador Paulo Paim (PT) como assessora legislativa, função que exerce há 18 anos, participando da elaboração de políticas públicas relacionadas aos direitos humanos e ao combate ao racismo.

Outra história destacada é a da brasiliense Sara Almeida Vargas, de 22 anos, moradora de Sol Nascente. Ao concluir o ensino médio, ela tinha dúvidas entre ingressar na universidade ou começar a trabalhar para ajudar nas despesas da família. Com o apoio da Educafro, conseguiu auxílio para o pagamento da inscrição e uma bolsa de estudos na Fundação Getulio Vargas.

Hoje formada em Administração Pública pela FGV e cursando mestrado na mesma instituição, Sara afirma que o projeto foi decisivo para que ela acreditasse ser possível ocupar espaços que antes pareciam distantes. Apesar das conquistas, ela destaca que muitos jovens de sua comunidade ainda enfrentam dificuldades para conciliar os estudos com as responsabilidades familiares.

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