O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou um pacote de medidas para reduzir os impactos da decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras. As informações são do Brasil 247, com base em dados divulgados pelo governo federal e declarações dos ministros envolvidos.
A estratégia apresentada reúne ações econômicas, diplomáticas e jurídicas, com foco no apoio às empresas afetadas, manutenção de empregos, busca por novos mercados e contestação da medida norte-americana em organismos internacionais.
Governo prepara apoio a setores afetados
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, anunciou que o governo irá ampliar mecanismos de apoio aos segmentos prejudicados pelas tarifas.
Entre as medidas previstas estão:
- ampliação dos instrumentos do Plano Brasil Soberano;
- criação de linhas de financiamento;
- apoio financeiro às empresas;
- reforço das ações de promoção comercial;
- abertura de novos mercados internacionais.
Segundo o governo, instituições como ApexBrasil e BNDES deverão atuar na busca por novos compradores para produtos brasileiros, reduzindo a dependência das exportações destinadas aos Estados Unidos.
Fazenda avalia crédito para preservar empregos
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo possui instrumentos para proteger empresas e trabalhadores afetados pelo tarifaço.
Entre as alternativas estudadas estão novas linhas de crédito e mecanismos de estímulo à produção. Segundo o ministro, representantes dos setores atingidos participarão de reuniões para definir medidas específicas para cada cadeia produtiva.
A avaliação da equipe econômica é que a medida norte-americana poderá afetar segmentos específicos, mas não deve comprometer a estabilidade macroeconômica do Brasil.
Setores mais atingidos terão prioridade
O ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, informou que o governo concentrará inicialmente esforços nos setores considerados mais vulneráveis.
Entre eles estão:
- madeira;
- máquinas e equipamentos elétricos;
- móveis;
- produtos cerâmicos;
- calçados;
- açúcar.
A intenção é reduzir perdas de competitividade enquanto o país busca ampliar sua participação em outros mercados.
Brasil prepara reação na OMC
Além das medidas econômicas, o governo brasileiro avalia uma reação jurídica contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Alckmin afirmou que a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, poderá ser utilizada “no momento adequado”.
O Brasil também pretende recorrer aos mecanismos de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC) para questionar a decisão norte-americana.
Itamaraty diz que houve tentativa de negociação
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o Brasil manteve negociações com autoridades dos Estados Unidos desde março de 2025.
Segundo ele, foram realizados mais de 30 contatos entre representantes dos dois países, incluindo reuniões presenciais, virtuais e conversas telefônicas.
Vieira afirmou que o governo brasileiro apresentou argumentos técnicos e manteve disposição para buscar uma solução negociada.
Pix vira um dos pontos centrais da defesa brasileira
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, rebateu críticas feitas pelos Estados Unidos ao sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.
Segundo ele, o Pix é uma infraestrutura pública disponível a todas as instituições financeiras que atuam no Brasil e não representa concorrência desleal.
Galípolo destacou que o mercado de cartões de crédito cresceu após a criação do Pix e afirmou que o sistema continuará gratuito para pessoas físicas.
Governo calcula impacto das tarifas
Dados apresentados pelo governo indicam que aproximadamente US$ 7,4 bilhões em exportações brasileiras, considerando números de 2024, poderiam ser afetados pela nova tarifa.
Com base nos dados de 2025, o impacto estimado seria de cerca de US$ 5,8 bilhões.
O governo também informou que parte significativa das exportações brasileiras para os Estados Unidos continuará sem cobrança adicional.
Brasil rebate argumentos dos EUA
Durante a apresentação das medidas, representantes do governo brasileiro também contestaram justificativas utilizadas pelos Estados Unidos para aplicar as tarifas.
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmou que o Brasil possui sistemas de controle e certificação para produtos exportados e destacou a redução do desmatamento nos últimos anos.
Na área institucional, representantes do governo disseram que informações sobre políticas brasileiras de combate à corrupção foram apresentadas durante a investigação norte-americana.
Estratégia combina negociação e defesa econômica
O governo afirmou que continuará acompanhando os efeitos das tarifas e manterá diálogo com setores produtivos, além de adotar medidas comerciais, diplomáticas e jurídicas consideradas necessárias.
A estratégia anunciada busca proteger empresas brasileiras, preservar empregos, ampliar mercados internacionais e defender instrumentos considerados estratégicos, como o Pix.



