TaguaCei — O governo da China afirmou nesta quinta-feira (17) que defende o princípio de não interferência em assuntos internos e desejou que as eleições brasileiras tenham uma conclusão bem-sucedida. A declaração foi dada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, durante uma entrevista coletiva em Pequim.
O posicionamento ocorreu após questionamentos de jornalistas sobre medidas e declarações recentes dos Estados Unidos relacionadas ao Brasil e que poderiam ter repercussões no contexto das eleições de 2026.
Segundo Guo, a China mantém como princípio a não interferência nos assuntos internos de outros países. Ao ser questionado sobre o processo eleitoral brasileiro, o porta-voz afirmou que Pequim deseja que o pleito tenha uma conclusão bem-sucedida.
Relação entre Lula e Xi
Durante a coletiva, Guo também destacou a relação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping. Segundo o porta-voz, a comunicação entre os dois líderes tem sido frequente e contribuiu para o aprofundamento das relações entre Brasil e China.
A declaração ocorre em um momento de ampliação da cooperação entre Brasil e China. Os dois países mantêm relações comerciais e diplomáticas em diferentes áreas, incluindo infraestrutura, tecnologia, agricultura, energia e comércio.
Guo afirmou que, sob a orientação dos dois chefes de Estado, as relações bilaterais passaram por um processo de aprofundamento e que existe um nível elevado de confiança política entre os governos.
Carta de Lula a Xi Jinping
A declaração do governo chinês ocorreu também após a visita do assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Celso Amorim, a Pequim.
Durante a viagem, Amorim entregou uma carta de Lula ao presidente Xi Jinping. O documento tratou da relação bilateral e de temas de interesse dos dois países.
De acordo com o porta-voz chinês, a comunicação entre Lula e Xi demonstra o nível das relações diplomáticas entre os governos.
O TaguaCei já publicou informações sobre outros encontros entre os dois presidentes e sobre a aproximação entre Brasil e China.
Pressão dos Estados Unidos
As declarações de Pequim ocorrem em meio a divergências entre os governos brasileiro e norte-americano. Durante a coletiva, Guo foi questionado sobre críticas feitas pelo governo de Donald Trump à atuação brasileira no combate ao crime organizado.
Entre os assuntos mencionados estão o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), classificados pelo governo dos Estados Unidos como organizações terroristas.
O governo brasileiro contesta essa classificação e tem defendido a autonomia das instituições nacionais para tratar da questão da segurança pública e do processo eleitoral.
Na quarta-feira (16), Lula afirmou ter alertado Trump para não interferir nas eleições brasileiras.
Debate sobre interferência externa
O tema da interferência estrangeira também deverá aparecer na agenda internacional do governo brasileiro nas próximas semanas. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, Lula deverá abordar a questão da soberania e da não interferência em assuntos internos durante seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.
A questão ganhou espaço no debate diplomático brasileiro diante das diferentes posições manifestadas por Washington e Pequim em relação ao processo eleitoral e à política externa do Brasil.
A relação entre Lula, Trump e outras lideranças internacionais também tem sido acompanhada pelo Jornal TaguaCei no contexto das discussões sobre diplomacia, comércio e atuação do Brasil em organismos multilaterais.
Fonte: Metrópoles



