TaguaCei — Projetos comunitários desenvolvidos no Distrito Federal mostram como iniciativas voltadas à solidariedade, cultura e inclusão podem transformar a vida de pessoas em situação de vulnerabilidade. É o caso dos trabalhos conduzidos por Ana Paula Caldas, 44 anos, e Mariath Oliveira, 58, que atuam em diferentes frentes, mas têm em comum o compromisso com a comunidade.
Ana Paula coordena o Instituto Juntos Somos Mais Fortes e o Circulou — Brechó do Juntos, iniciativas que unem moda, sustentabilidade e impacto social. Mariath, por sua vez, criou uma biblioteca comunitária no Guará II e percorre escolas públicas do DF como contadora de histórias.
Solidariedade e oportunidades
O Instituto Juntos Somos Mais Fortes surgiu a partir de um trabalho social iniciado em 2017. Segundo Ana Paula, a proposta sempre foi atuar junto a comunidades em situação de vulnerabilidade não apenas com assistência imediata, mas também criando oportunidades, fortalecendo vínculos e promovendo ações capazes de gerar mudanças duradouras.
A atuação é concentrada principalmente em Ceilândia, Samambaia e Recanto das Emas, mas o instituto também desenvolve ações em outras regiões do Distrito Federal e no Entorno.
Desde o início do projeto, foram distribuídas 110 toneladas de alimentos, beneficiando mais de 34 mil pessoas. A iniciativa também realiza doações de roupas, produtos de higiene e outros itens essenciais.
Ações semelhantes de solidariedade também fazem parte da realidade de Ceilândia, onde projetos comunitários e entidades assistenciais atuam no atendimento a famílias em situação de vulnerabilidade.
Nos primeiros anos, o projeto produzia camisetas em parceria com artistas da cidade. A comercialização das peças ajudava a financiar as ações sociais. Com o crescimento da iniciativa, o grupo passou a promover campanhas permanentes com o apoio de voluntários e da sociedade civil.
Atualmente, mais de 60 pessoas participam das atividades voluntárias, que incluem oficinas de grafite, rima e desenho, além de ações voltadas à autoestima e ao empreendedorismo feminino.
Moda circular para financiar ações sociais
Em dezembro de 2025, o grupo criou o Circulou — Brechó do Juntos, uma empresa social de moda circular criada para contribuir com a sustentabilidade financeira do projeto.
A proposta vai além da reutilização de roupas. A iniciativa busca fazer circular recursos, oportunidades, renda e dignidade entre as pessoas atendidas.
De acordo com Ana Paula, as peças recebidas que não são destinadas à venda no brechó podem ser encaminhadas para famílias que precisam de roupas ou utilizadas como estoque por mulheres interessadas em iniciar bazares comunitários.
Em 2026, mais de 4,5 mil itens e seis toneladas de alimentos foram destinados a famílias em situação de vulnerabilidade e a projetos sociais, entre eles o Mulheres Poderosas, na Estrutural.
O brechó trabalha com peças recebidas por meio de doações, garimpos realizados pela própria equipe e produtos em consignação. A intenção é manter uma estrutura financeiramente sustentável, capaz de cobrir os custos de funcionamento e da equipe.
Quando houver lucro, metade do resultado deverá ser destinada ao fortalecimento das ações do Instituto Juntos Somos Mais Fortes.
Livros para apresentar novos mundos
A história de Mariath Oliveira também nasceu de uma iniciativa comunitária. Em 2011, ela conheceu o projeto Mala do Livro, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF, e decidiu abrir as portas da própria casa, na QE 44 do Guará II, para criar uma biblioteca comunitária.
A iniciativa surgiu a partir de uma experiência pessoal. Mariath conta que teve contato tardio com a literatura e que, durante a infância, seu contato com histórias ocorria principalmente por meio de cantigas e narrativas transmitidas oralmente.
A biblioteca passou a oferecer às crianças da comunidade acesso a livros literários e oportunidades de conhecer outros universos por meio da leitura.
O trabalho de incentivo à leitura também encontra exemplos em outras regiões do Distrito Federal. O TaguaCei já mostrou como uma biblioteca comunitária na Ceilândia estimula a leitura entre crianças e adolescentes, reforçando a importância desses espaços para a formação de novos leitores.
Com o passar dos anos, o trabalho de Mariath ganhou novas dimensões. Ela começou a visitar escolas públicas do Distrito Federal, levando livros, promovendo mediações de leitura e realizando contações de histórias.
Durante as atividades, utiliza recursos simples, como lenços e fantoches confeccionados por ela mesma, para estimular a imaginação das crianças.
Música e histórias nas escolas
Nas apresentações destinadas principalmente à primeira infância, Mariath conta com a participação do músico Ronniery Duarte, 33 anos. Ele utiliza instrumentos musicais para ajudar a manter a atenção das crianças e criar uma atmosfera mais receptiva durante as narrativas.
A combinação entre música e histórias também contribui para a participação dos estudantes. Segundo Mariath, os pequenos passam a cantar, interagir e demonstrar maior envolvimento com as histórias apresentadas.
Projetos que aproximam cultura e educação também vêm sendo desenvolvidos em diferentes regiões do DF, com atividades como literatura, teatro, saraus, música e contação de histórias para estudantes da rede pública.
O trabalho de Mariath chegou inclusive a Angola, onde ela foi homenageada durante a 10ª edição do Prêmio Baobá, reconhecimento voltado à contação de histórias.
Campanha para o Dia das Crianças
O Instituto Juntos Somos Mais Fortes também promove uma campanha especial para arrecadar doações destinadas à realização de um Dia das Crianças para os pequenos atendidos pelo projeto.
A programação prevê brincadeiras, lanches e distribuição de brinquedos. A população pode contribuir com valores em dinheiro ou com a doação de brinquedos e livros.
O Dia das Crianças no Distrito Federal também é marcado por iniciativas culturais e atividades voltadas ao público infantil em diferentes regiões da capital.
Como ajudar
Doações de brinquedos e livros:
- Circulou Brechó — @circuloubrecho_
- Casapark — @casapark
Contribuições financeiras:
Chave PIX (CNPJ): 40.392.181/0001-63
Iniciativas como essas mostram que ações comunitárias podem atuar em diferentes frentes — da segurança alimentar à educação, passando pela cultura, sustentabilidade e geração de oportunidades. Em comum, os projetos têm a mobilização de pessoas dispostas a transformar recursos e conhecimentos em benefícios para a comunidade.
Fonte: Correio Braziliense



