O governo do Paraguai consultou os países membros do Mercosul nos últimos meses sobre a possibilidade da Venezuela participar da próxima cúpula do bloco, marcada para o dia 30 de junho. O Brasil foi um dos países consultados e que, conforme apurou o Metrópoles, deu aval para o convite.
A iniciativa acontece depois que os Estados Unidos capturou e prendeu Nicolás Maduro, então ditador venezuelano que estava no poder há mais de 13 anos. Com apoio dos EUA, Delcy Rodrigues, vice-presidente de Maduro, assumiu a presidência do país e estabeleceu uma linha direta entre Caracas e Washington.
O governo do presidente Santigo Peña possui uma relação de alinhamento com Donald Trump e enxerga uma oportunidade neste retorno. É o país que preside o bloco sul-americano neste semestre e, portanto, sedia a cúpula de líderes de junho.
A Venezuela está fora do Mercosul desde 2017 depois de ser suspensa por violações da cláusula democrática do Protocolo de Ushuaia, que estabeleceu a criação do bloco e prevê diretrizes para seus integrantes. Nos bastidores, diplomatas brasileiros veem o retorno da Venezuela às atividades do grupo como algo positivo.
Venezuela no Mercosul
- O Mercado Comum do Sul (Mercosul) é um bloco de finalidade econômica que atualmente reúne Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia — que ainda finaliza seu processo de adesão ao grupo.
- A Venezuela chegou a ser parte do bloco mas foi suspensa após descumprimento de clausulas democráticas por Caracas. Comunicado de 2017 que justificativa a suspensão dizia que “toda ruptura da ordem democrática constitui obstáculo inaceitável para a continuidade do processo de integração” ao Mercosul.
- Com a esperança de retomada da estabilidade venezuelana após a saída de Nicolás Maduro do poder na Venezuela, membros do Mercosul podem discutir a possibilidade de o país ser reintegrado ao grupo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) possui o mesmo entusiasmo sobre o tema. Em mais de uma oportunidade o petista defendeu o retorno de Caracas para o Mercosul e chegou a tratar sobre o tema com Nicolás Maduro, quando o autocrata visitou o Brasil em maio de 2023, ocasião em que participou da Cúpula da América do Sul, em Brasília.
A reintegração da Venezuela, contudo, não encontra consenso dentro do grupo. Para retornar, seria preciso a aprovação dos membros fundadores — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — além de uma nova avaliação sobre o cumprimento das exigências necessárias.
Para analistas, as consultas promovidas pelo Paraguai têm a intenção de sentir o clima sobre a participação da Venezuela, além de identificar possíveis objeções que podem prejudicar as discussões da reunião do próximo mês.
Reintegração da Venezuela
O Brasil vê com bons olhos a reintegração internacional da Venezuela. O retorno dos país a órgãos multilaterais, inclusive, sempre foi defendido pelo governo brasileiro, especialmente pelo presidente Lula, que tem uma histórica proximidade com o regime chavista.
Neste mandato, o petista fez diversas declarações favoráveis à Caracas e chegou a defender, inclusive, que a Venezuela fosse um parceiro dos Brics — o status daria ao país acesso a financiamentos por meio do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, na sigla em inglês), organização financeira promovida pelo grupo.
Diplomatas brasileiros consultados pela reportagem acreditam que o retorno da Venezuela ao Mercosul é um dos caminhos iniciais que contribuem para a estabilidade política do país, bem como para a estabilidade regional. Por outro lado, o momento pelo qual o país passa é visto com cautela pelo governo brasileiro.
Para membros do Palácio Itamaraty consultados pelo Metrópoles sob reserva a situação da Venezuela é pouco clara e vista como incerta, o que exige cautela na tomada de decisões e a retomada dos laços políticos e econômicos com o país. O controle dos Estados Unidos sob as receitas e as decisões políticas do país contribuem para o receio de diplomatas brasileiros.
Cúpula do Mercosul
Marcada para o dia 30 de junho, o presidente Lula já confirmou presença no encontro. A Cúpula de Líderes do Mercosul acontece acontece duas vezes por ano e, no próximo mês, marca o fim da presidência pró-tempore do Paraguai — que liderou o bloco nos últimos seis meses.
A reunião acontece sob expectativa de anúncio do acordo de livre comércio entre bloco e o Canadá. As negociações, de acordo com fontes do governo brasileiro, já estão avançadas e podem ser concluídas a tempo da Cúpula. A última rodada negociadora sobre o tratado ocorreu entre os dias 27 e 30 de abril.
Segundo o Ministério de Relações Exteriores, foram feitas reuniões de diversos grupos técnicos e, ao final, três capítulos do acordo foram encaminhados para o encerramento. “Nova rodada será realizada em maio, para que os grupos avancem na conclusão da negociação”, informou o Itamaraty, em nota.
Com informações do portal Metrópoles
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